sábado, novembro 16, 2019


Homem. Um macho. Um garoto? Um bicho. 
Um menino baiano...
Selvagem. Indomável. Domado. Dominado. Dominante. 
Entregue. Mistério. Amante. 
Estranho. Esquisito. Conhecido. 
Lucas.
Me diz tanto.
Diz que me ama.
Me enche de histórias. Tantas palavras.
Me beija.
Segura minhas mãos e me leva para passear.
E dança comigo.
Depois, sorri de nós dois desajeitados e diz que eu pareço uma criança.
Fala da lua e da minha voz.
E da luta. E da paz. 
Fala de tudo...
Tão abusado...
Diz ser tímido, mas é tão atirado... ele não me engana
Curioso. Engraçado.
Eu abraço, aperto. Não largo. Durmo. Acordo.
Volto a sorrir.
Sim, ele é muito abusado...
Me rouba uns beijos. Me deixa nervoso.
Diz mais uma vez que ama: fico vermelho.
Aí, ele sorri e, num tom sério, olha em meus olhos e me chama de Bacana.

cartas para alguém do presente

sábado, novembro 09, 2019

Ninguém mais escreve cartas. E-mails são raros e geralmente automáticos. Gosto de escrever cartas.
Essa é para você. O bom é que sem citar nomes, escrevo para você e pra mim. Mas você sabe que é para você. Não é uma indireta: é direta mesmo.



Rio de Janeiro, 09 de novembro de 2019.


Ha um ano atrás fui dormir sorrindo mesmo enfrentando um desafio tremendo. E você esteve lá. Essa noite dormi sorrindo e pensando nisso. Dormi tarde. Resolvi escrever. 

Esses dias, você me disse que sou “cheio das poesias”. Talvez eu seja mesmo. Não da para saber o que você pensa sobre isso e nem o que essa frase significa. De todo modo, as palavras, e um certo lirismo que eu carrego, estão a serviço da liberdade, da verdade e do esclarecimento: falo o que trago, o que penso e o que acredito. Logo, isso não serve para enganar, dominar, seduzir e nem aparentar nada. Ha determinadas aparências por sinal que eu abomino: saiba disso. Nem representam romantismos (sejam eles mais baratos ou mais elaborados).

A poesia já está aqui. Ela sai porque não posso prendê-la por muito tempo. Se eu sufoco essas palavras, elas morrem; se elas morrem, morro junto. Saiba que elas  não nasceram comigo, elas vêm a este mundo porque algo tem o poder de nutri-las. Hoje, você as nutre. Então, eu devolvo a você, também por meio de palavras, aquilo tudo que você me dá. Reelaboro suas palavras e atos. Aliás, aprendo com eles todos, cresço e fico grato. Nem sempre é fácil... nem sempre é simples. Vejo com clareza barreiras, pontes e caminhos abertos. Vejo coragem e medo: juntos nos obrigando a amadurecer e a lutar, cada um as suas batalhas. Percebo também de alguma forma umas horas de descuido quando nos damos as mãos, e eu digo “olha a Lua!”. 

Meu jeito é assim mesmo: eu sou profundo, intenso, curioso. E, sobretudo, eu falo sobre isso. Você, por sua vez me oferece um contraponto e me traz um pouco para um outro lado que normalmente eu não exploro, me tira um pouco das altas nuvens ou dos abismos profundos. Me ajuda a me entender nesse mundo em que ser profundo nem sempre é bem recebido pela maior parte das pessoas. Nesse caminho em direção à minha essência, é bom poder mergulhar fundo e também vir à superfície. 

“Começar é o que importa”. E só sabemos o que aprendemos depois que o tempo passa. Hoje, tenho consciência de que vivo uma história que começou com um encontro feliz e que navego em águas que tanto quis navegar. A felicidade não vem com um rotulo de perfeição, mas pode vir numa embalagem de margarina.

Até o tempo passar, vou escrevendo uma poesia sobre isso tudo; ela é uma poesia sem fim. Todo os dias ela aumenta um pouco.

Outra coisa: eu não acho nada, eu sei e eu sinto. Não consigo falar do que eu acho. 

Fique bem. E espero aqui.

Continua....


Lucas.

Carta para alguém do passado

segunda-feira, outubro 14, 2019

Curioso como as marcas do tempo se apagam. Um ano, dois, dez.... e se apagam em tudo: os lugares que costumávamos frequentar, as ruas onde moramos, as pessoas... de 2009 até hoje muita coisa aconteceu e se transformou. Eu amei você, eu fui amado por você e construímos uma vida juntos. Enfrentamos desafios juntos. Construímos uma casa do zero, depois reconstruímos essa casa e depois construímos outra. E hoje, tudo aquilo que vivemos parece ter sido um sonho (em alguns momentos pesadelo): são lembranças cada vez remotas. Pessoas morreram, outras nasceram, mudamos de casa, de bairro, até de cidade. Outras pessoas passaram pelas nossa vidas e habitaram os nossos corações. Aquele futuro que era um, virou outro, virou outros e se dilui com o passar dos dias.
Me choca saber que o lugar onde nos conhecemos não existe mais! Que onde tomávamos café da manhã não existe mais e nem volta aquele sábado de primavera em que fomos à praia do Leme. O tempo e a vida passam como um rolo compressor destruindo as coisas e quem fomos perde qualquer importância e os momentos, cada vez mais vagos, se descolam da realidade.
Outro dia desses passei pela nossa antiga casa e meu corpo reagiu, quase entrei no prédio porque fiquei no automático.
Nunca mais joguei videogame.
Nem jogos de tabuleiro.
O nosso mundo era bem seguro, sabia?
Depois da ruína, precisei achar um caminho para me reinventar. Só para descobrir que preciso fazer isso a cada dia. E a cada dia ainda dói um pouco. Não tenho raiva e nem arrependimento (nem do que começamos, nem do que vivemos, nem do que construímos e nem do que concluímos). Nem tenho aspirações de retomar aquela vida pregressa, nem com você e nem com mais ninguém. Passou, rasgou, feriu, marcou. A cidade é outra. Mas as marcas que eu trago nem o tempo apaga. Por um tempo quis que o mar levasse, aí o mar quase me leva junto.... porque essas marcas me fazem quem eu sou e delas não posso fugir.
Construí uma casa nova e tenho uma nova vida; ainda que assombrada por velhos fantasmas, ainda que habitada por velhos medos e alvo de forças que insistem em me paralisar.
Um dia ainda vamos nos encontrar, beber aquela garrafa (ou muitas) de vinho, vamos rir, chorar e lembrar. Dessa vez, sem mágoa, sem ressentimentos. Só com alegria e gratidão. Fizemos o impossível por inúmeras vezes. Aprendi com você a fazer do impossível algo tangível. E com você aprendi que nem mesmo fazendo o impossível se consegue impedir o fluxo da vida.
Talvez esse vinho estivesse em nosso futuro, mesmo aquele que foi dissipado (e que me deu aquela saudade).
Essa carta é para você e só você decifrará o que está escrito.
Amor nunca acaba. Mesmo quando acaba.
Tenho sonhado com você desde que passei pela nossa antiga casa. Isso é bom. Ja consigo pensar e falar em nós dois sem que isso me machuque.
A data de hoje é simbólica. E dela não esqueci e nem vou. Ja entendi isso.
Nem sei se você vai ler, deixo aqui escondido, além de cifrado.
São minhas confissões do prelo.
Seja feliz.

terça-feira, junho 25, 2019

Pensar e viver 
Pensar ou viver
Pensar para viver
Parar
Respirar 
Sobreviver
Pensar
E com um punhado de verbos
Povoar uns versos
Entre intransitivos e transitivos
Entre infinitivos e infinitos
Transitório
Em trânsito 
Em parafuso 
Confuso
Tranquilo
Pra quê?
Sobreviver
Esquecer e seguir
Com o que?
Agarrar e fugir
Guerrear e vencer
Amar
Pensei até cansar
E mesmo assim ainda não sei
Onde é o começo?
Onde termina?
Onde recomeça?
Qual objeto?
Como reconheço?
Será que mereço?
Café, vinho e silêncio...

Essa noite não beijo
Nem abraço 
Nem o som da sua voz
Ou da sua risada

A manhã é de espera
De um alô
De um bom dia
E da porta batendo

Amar é transitivo, é intransitivo é bitransitivo
É incerto
E é por isso, a única coisa que consigo fazer
Consigo. Posso. Quero.
Não escolhi esse caminho
A estrada me escolheu 
E você estava nela
Que estrada é essa? Que caminho é esse?
Quem é você? E eu? Quem sou? O que sou?
Pergunto às paredes
E ao céu que você foi buscar pra mim
Ele diz o que talvez sua boca não fale
Nem o que gritam seus olhos
E que me deixam a um só tempo cego e surdo e sem palavras.
Cachoeira com cachoeira
Maremoto com maremoto
Sol e Lua
Selene e Endymion.






domingo, janeiro 13, 2019

terça-feira, janeiro 08, 2019

Penso em você.

segunda-feira, janeiro 07, 2019

Cara amiga Heleusa,

Injusto é o mundo que não se cala diante da tua partida.
E teima, insiste, em viver como se você ainda aqui estivesse.
Justo é o mundo que amanheceu ensolarado e quente só para me dizer que você se foi, levou um pedaço meu e da minha história, mas, me legou a sabedoria e a clareza de que a vida - essa coisa teimosa, insistente, linda - brilha e pulsa não importa o que aconteça.
Com você aprendi que nosso destino depois de escalar as mais altas montanhas, não é o de rolar montanha abaixo, porque a vida não é um esforço sísifico sem fim; com você aprendi que depois de subir os mais altos montes,  nos espera um (novo) horizonte. E novos caminhos.
A imagem do seu sorriso, o som escrachado de sua gargalhada, o brilho dos seus olhos e o poder da sua irreverência, assim como a força criadora da sua generosidade e o seu imenso carinho ficarão de lembrança e de herança.
Você transformou a minha vida, quando eu nem sabia que se diferenciava vida de sonho. Você misturou tudo. E misturar tudo é bom.
Vou honrar essa herança. E serei eternamente grato.
Descanse bem.
Escrevi para marcar e para lembrar.
É mais um história que tenho para contar.
Agradeço pela noção de liberdade - e de liberdade como ponto de partida, como caminho e como ponto de chegada...
Sigo por aqui. Até breve.
06.01.2019

Bacana

quinta-feira, novembro 01, 2018

Dois perdidos
Duas histórias
Dois lados

Vermelhos lábios
Verdes olhos
Castanho
Moreno

Algumas horas roubadas
Noites em claro
Visitas solenes

Entregas
Conversas
Olhares

Beijos que calam
uma boca que teima em falar
E se falta o ar
Sobra luar

Histórias
Risadas
Bobagens
Perfumes
Delícias

Um toque
Um carinho
Um eco

Resta mergulhar
Gostar
Gozar
Gastar

Caminhar
Sem medo
Sem culpa
Sem passado
Sem pergunta

Diferente
Distinto
Diletante
Errante
Gêmeo
Diverso

Sonoro
Infinitivo
Substantivo

Sonhos
Sorrisos
Concretos

Cruzados pelo acaso caminhos
Improbabilidades são possibilidades

porque desconhecidos
porque indefinidos
porque sem porquê

Sem antes
Amantes.

Pensamentos aleatórios.

segunda-feira, março 05, 2018

O TURVO

minha aventura
minha pergunta
minha sombra
minha sobra
minha dobra
minha vez
minha voz
minha luz
minha música
minha banda
meu silêncio
meu sonho
meu espelho
meu traço
meu pedaço perdido
meu pedaço esquecido
meu canto desconhecido
meu encanto
meu lado escondido
meu encontro 
meu destino
meu desatino
meu descaminho
meu devaneio
meu espetáculo
meu filme
meu galanteador 
meu protetor 
meu sedutor
meu amigo
meu ator
meu amor
meu amante
meu menino
olha
chama
fascina
ensina
devolve
envolve
repele
convida
exclama
grita
reclama
ama
confude
repleto de brumas
engana meus olhos - logo eles, que foram morar dentro dos seus.

domingo, novembro 05, 2017

brilhe!