Depois de um século e meio sem postar, eis que o vosso humilde missivista retorna tal qual o filho pródigo.
Este ano que vivemos tem sido sui generis. Isso no bom e no mal sentido, mas como diz o sábio eremita de Botafogo (sim, tio, é de você que estou falando), a realidade é mesmo esse "colapso de pobabilidades e possibilidades" e a graça é buscar formas de resolver e lidar com os desafios e as surpresas, sejam elas boas ou ruins.
Há mais ou menos uma semana eu terminei um trabalho e para minha surpresa, dois amigos meus que moram em Angola apareceram por aqui por Salvador. Pronto: foi o suficiente para eu tirar uns dias de folga, aproveitar pra estudar um pouco e, acima de tudo, relaxar, dormir, ouvir e cantar sambas antigos até a madrugada, rir. Coisas que eu estimo muito e nos últimos tempos me foi privado por conta das circunstâncias.
O local escolhido não poderia ser mais oportuno: Itapuã. Para quem não conhece, Itapuã é um bairro famoso, cantado por Caetano, Vinicius, Dorival, começou como uma colônia de pescadores, já foi um antigo complexo de rios e lagoas (aliás, salvador era um grande complexo de rios e lagoas), é bastante afastado do centro da cidade e só foi urbanizada em 1980. Era um bairro de veraneio, imaginem. É tão distante do centro que algumas pessoas até hoje dizem que "vão na cidade" quando precisam sair de lá.
Já morei em Itapuã e devo confessar que mesmo gostando de lá, algumas situações, como se diz aqui na bahia, eram verdadeiras consumições! Era uma atrapalhação sair e chegar! Horas, horas... pegar um taxi era impensável!
Exatamente por causa disso, Itapuã é um universo paralelo. O tempo corre de um jeito diferente (mais lerdo, eu diria), é como se fosse uma ilha, mesmo com todos os problemas de uma cidade. Lá tem tudo: mercados, bancos, lojas de todas as familias, gêneros, filos e espécies, restaurantes de todos os gostos e bolsos, praia, acarajé, samba, pagode, reggae, axé, rock, arrocha... Destaque para as coxinhas: coxinhas com massa de batata do "Kibe do Carmel" e do "Rei da Coxinha", esse último oferece ainda coxinhas de aipim com carne do sol e coxinhas exóticas de provolone com calabresa (tem uma franquia em Itinga também, lá na praça dos carangueijos - aliás, foi lá que provei essa iguaria incrível!).
Lá tem também um depósito que entrega cerveja, refrigerante, água, gelo, carvão e... cigarro! Imaginem? Que beleza! Acaba com aquele climão na festa quando algum desses itens acaba e aquele grupinho (ou aquele individuo) tem que sair para comprar mais. Para os que dispõem de um carro é ruim ma non troppo, mas e os que "andam de a pé"? Esse depósito é uma excelente sacada... qualquer dia desses passa no "Pequenas Empresas Grandes Negócios".
Outra coisa bacana que me ocorreu foi que puxaram conversa comigo (dessas do nada, em bar, sacam?), coisa que nunca mais me aconteceu. Conversas bobas, geralmente falando de infortúnios tragicômicos de si ou de outrem, mas foi bacana. Estava eu na vendinha da rua comprando mais umas cervejas, quando me perguntam: "Você não concorda comigo, meu jovem? Faria o quê no meu lugar? Eu vi uma senhora de 80 anos com um rapaz assim da sua idadem novinho... perguntei como vai sua vó e o cara me respondeu: 'é minha esposa'. Ahh, você queria o quê?" E daí a conversa rendeu, cada um relatando as suas experiências e rindo dessas bobagens. Me apressei com as cervejas (que troquei porque elas começaram a esquentar e na casa que eu estava o nosso freezer era um simpático iglu de isopor).
Quem mora lá e explora esse estilo de vida com certeza vive mais, ou vive com uma qualidade de vida melhor. Não sei se consigo me acostumar, gosto de ambientes mais rápidos e um tanto caóticos, mas é uma boa conseguir me refugiar sem precisar viajar ou sair em retiro espiritual. Agora, quem mora lá dificilmente sai do bairro (a não ser para trabalhar) e quando sai vai para perto (Lauro de Freitas, Itinga, São Cristóvão, Piatã, Praia do Flamengo, Stella Maris, Patamares - todos muito próximos). São 200 mil habitantes. É uma cidade.
Passar umas tardes e noites em Itapuã foi um presente inesperado, mas foi exatamente a lerdeza (não aquela das piadas de baiano, por favor, mas a tranquilidade de um lugar antigo e que ainda conserva algumas coisas de interior e de vila de pescador). Me fez bem.
Cheguei na terça-feira, de mala e tudo. A casa ainda não tinha energia elétrica, ficamos todos a luz de velas e de lanternas de canivete suíço (made in bahia, i guess ha-ha!). Mas como estava todo mundo naquela maresia, estava bom. A luz chegou só na sexta-feira. A farra envolvia apenas cinco pessoas (pensando bem, eram cinco pessoas com cinquenta dentro delas ha-ha), mas rendeu bastante. Haja samba antigo, James Brown e Fella Kuti. Até Elizeth Cardoso (a divina, como diriam os cariocas) com o "Barracão no morro" e "Renascer das Cinzas" a gente ouviu - incrível o que um ipod, uma caxinha de som e pilhas (muitas delas) podem fazer.
Posso dizer que tentei mandar todo o stress para o espaço. Por alguns instantes tudo estava perfeito: eu cantei, sambei e ri. E foi bom. Entrei um caco, mas como diria o caro martinho, "sambar de azul e branco é o nosso papel".
Vamos renascer das cinzas
Plantar de novo o arvoredo
Bom calor nas mãos unidas
Na cabeça um grande enredo
Ala dos Compositores
Mandando o samba no terreiro
Cabrochas sambando
Cuica roncando
Viola e pandeiro
No meio da quadra
Pela madrugada
Um senhor partideiro
Sambar na Avenida de azul e branco
É o nosso papel
Mostrando pro povo
Que o berço do samba é em Vila Isabel
Eu passei umas tardes em itapuã
quarta-feira, setembro 23, 2009
Elocubrado por Lucas às 12:21 AM 2 comentários
Marcadores: baianidades, Inzêmprios, textos escritos no período de descanso mental
Em tempos de diversidade cultural... II
terça-feira, outubro 21, 2008
Olá meus caros, a agência de notícias Baiano Nagô Press traz mais uma aventura (ou talvez, quem sabe, a sua mais nova desventura) de nosso querido missivista provinciano...
Na verdade seria uma série de desventuras...
Bom, a primeira aconteceu há aproximadamente uma semana. Na verdade, para narrar o acontecido, é preciso que eu volte um pouco no tempo (sim, tudo começou há um tempo atrás, na Ilha do Sol), cerca de 5 anos.
Na minha 4ª semana de aula eu comecei a estagiar em uma ONG aqui de Salvador chamada Expogeo, mais conhecida pelos seu curso de inglês e pelos congressos de meio ambiente que realiza (e que eu tive a oportunidade de trabalhar, por sinal), acompanhei uma pessoa de lá para um lançamento de uma coletânea (uma espécie de antologia poética de autores baianos, a maioria iniciante, desconhecido, ou poeta nas horas vagas), coisa que por sinal sempre acontece e, na maioria das vezes, transcorre (dentro do possível) nos limites da normalidade... i
Infelizmente, esse nao era o caso... e o pior dessas situações é que não dá para rir (eu fui na casinha umas duas vezes, abri a torneira e ri um pouco, mas não era o suficiente!!), e essa impossibilidade (acrescida pela incapacidade de se libertar da situação) nos causa uma aflição sem tamanho aumentando ainda mais as proporções do problema e a nossa sensiblidade diante do ridículo, da galhofa e da patifaria. Não sei quanto aos outros livros e seus respectivos lançamentos, mas esse me torturou por quase 2 horas, primeiro porque eu saí da faculdade e fui direto para o estágio (meu almoço? Uma água de coco, uma maçã, uma banana e o coco).
Quando deu meu horário, recebo o convite da atual diretora (ou presidente) para um "evento" com (tcharam!!!) boca livre... com a fome que eu tava, a proximidade do lugar e ainda era um lançamento de livro, estava tudo caminhando muito bem... ah, se eu soubesse... lá eu vi de tudo, desde rasgação de ceda, poetas recitando enquanto múmias dançavam flamenco, um poeta inflamado bradando que "POESIA! POESIA! POESIA! E NÃO MARESIA! MARESIA! MARESIA! QUE SERIA? QUE SERIA? QUE SERIA? EU VOU COMER POESIA! VOU VIVER POESIA"... bom, daí para as palavras de ordem, eu, que quase dormi escutando a rasgação de seda, tive a primeira amostra do quão longa e torturante seria a tal festinha estranha de gente esquisita...
O fato é que, acabado o recital (ou seja lá o que era aquilo), eu estava mais ou menos refeito e viria a minha recompensa: o bufê!!! Que foi uma lástima... paõzinho dÉlicia, refrigerante frevo e uns canapés bem sem graça... e não pense que era em qualquer lugar daqui não, era em um espaço nobre da cidade e os tais poetas pertencem ao segmento mais abastado da nossa pequena província baiana... Sei que saí de lá na revolta, e no dia em particular eu tava duro que tava uma beleza, então fui revoltado pra casa: não podia rir da situação, não curti a situação e nem comi, pronto! Uma total "perca" de tempo, como diz os povo esperto...
O fato é que fiz uma cruz, e lá não mais pisei, bem como passei a ser criterioso com os eventos que eu me meto e nos bufês que vou serrar (não sei se ainda está assim, mas se você está pelo centro da cidade e bateu aquela fome no juízo bem no finalzinho da tarde, dê um pulo na Caixa Cultural porque sempre tem um coquetel bacana, tem o ICBA/Goethe Institut e até mesmo, a reitoria da UFBA).
Passaram os anos e eis que lá vou eu acompanhar dois amigos que iam resolver um pepino lá com um certo editor de livros baianos, esclarecer alguns pontos em um livro que em breve será lançado. Fui sem suspeitar para onde iria (garanto!). Ao chegar lá, me lembrei do que aconteceu.
A coisa ia cair na surrealidade (dessa vez eu pelo menos teria testemunhas!!! Isso já é bom!).
A gente já chega com uma pessoa parada com um quadro nas mãos, por um tempo... já olhei e quis rir. Ouvi um "podem entrar, aqui todos são bem-vindos, a poesia chama...". Pronto e a viagem começou... Lá estava eu entre as múmias, um pesadelo vivo...
O pior aconteceu quando as pessoas foram se apresentar: um mulher que estava sentada próxima a mim foi a primeira: era a primeira reunião que ela participava e ela se dizia "emocionada e grata com a energia de amor que a guiou, que por muito ela resistiu, que mesmo naquele dia ela relutou bastante, mas estava ali para sentir e compartilhar sentimentos". Quando inquerida sobre o nome dela, eis que ela investida de sabedoria e compaixão nos brindou com a pérola de uma vida: "Eu tenho três nomes... o primeiro é Mariza Von Berg (troquei o nome para preservar), mas eu também tenho outros dois nomes... isso porque um dia da minha vida, andando pela rua, eis que eu conheci o Amor, e eu gostei tanto dele, me tocou tanto, que eu resolvi me casar com o amor, e estou casada até hoje, e por isso eu assino 'Mariza Amor'
nota do blogueiro: a essa altura eu já tinha mordido a língua e já estava mordendo os lábios, não dava para rir, saiam alguns "he-he" que eu não conseguia conter, a respiração ficou difícil e até suar eu suei!
Continuando: "Mas eu ainda tenho outro nome, eu também, andando pela vida - e depois de meu casamento com o amor - eu encontrei Felicidade... e gostei tanto que me casei com Felicidade também"
nota do blogueiro 2: tudo bem, a uma altura dessas eu já estava sentindo gosto de sangue na boca porque me feri de tanto me morder para não rir, eu já nem me mexia mais para evitar uma tragédia... meu linxamento, porque ela tava lá amando o amor e sendo feliz com a felicidade, mas ERA SÉRIO... teve gente que achou aquilo lindo, se emocionou, achou criativo até o e-mail "marizamor@gmail.com" como se fosse algo do outro mundo... então, rir, siginificava pedir para apanhar!!
Continuando 2: Assim que a tal figura com sérios transtornos de personalidade terminou sua fala (que durou pouco mais de 5 minutos, mas que me pareceram uma eternidade), quem foi convidado para se apresentar? ESTE QUE VOS ESCREVE!!! Pensei seriamente em colocar um personagem e dizer que meu nome era Cláudio, Clóvis, Alfredo, Miguel, que eu era poeta e artista plástico da aldeia "Yasha Ham", mas não tive coragem... me apresentei... "Lucas Lins... estudante e consultor de projetos culturais"... quem veio conversar comigo depois??? Ela mesmo, Mariza Amor... como é que eu ia rir?? Depois dessas, levantei umas cinco vezes, liguei para pessoas, que, por algum motivo não podiam atender os telefonemas, simulei conversas, simulei escutar piadas... tudo isso para rir e respirar aliviado... Quando eu voltei para a tal reunião (enquanto na minha cabeça a questão "que faço eu aqui neste universo paralelo até agora??") ouvi a gota d'água: "uma pena termos apenas 3 horas de encontro semanal".
Nem quis mais ouvir nada... tratei foi de pegar meus caminhos de aruanda... eu cheguei 15h20 e deveria esperar até dar 18h??? Nunca! Eu morreria até lá, ou no mínimo ia sair com a boa toda ferida... Saí de lá, enfim... depois eutomei uma cervejinha para relaxar, era miuta informação...
Já a segunda... bom, essa é um caso diferente... não é uma história cômica ou tragicômica, mas foi uma coisa que nunca fiz: ir a um show de pagode, mas daqueles roots... A experiência valeu, embora eu não sei se eu repetiria.
Lá fui eu para o Lançamento do DVD da banda FANTASMÃO!!! Lá no Wet'n'Wild - o primeiro parque aquático em ruínas que funciona também como casa de show... o palco fica na piscina e tudo... quem já foi depois que o lugar foi além da decadência sabe do que eu estou falando.
A namorada de um amigo meu (também amiga minha) está na área de assessoria de comunicação e o Fantasmão é um ilustre cliente, e durante o lançamento do DVD do show AO VIVO, recebi um convite para o tal lugar, camarote da imprensa (nossa ilustre agência de notícias estava lá marcando presença), ficava bem ao lado do palco e tudo!!
O show, na verdade era uma festa, o "I Encontro das Tribos", e além de Fantasmão, tínhamos algumas bandas locais, "O Círculo" (pop), "Adão Negro" (reggae), "Diamba" (reggae aussi) e... Racionais MC's, além de, evidentemente os anfitriões da festa: O FANTASMÃO!!!
O legal foi que percebi o quão "apaulistada" está ficando a Bahia... estava um calor considerável, mas havia um sem-número de pessoas com gorros de lã, camisas do coringão e um sotaque de "mano", "firrrmeza"? Coisas que só se vê aqui... porque se o sotaque de paulista(no) já nos soa esquisito, imagine o sotaque baiano apaulistado? Sofrível! Fora que além disso, parecia um clipe de Nelly, 50cent, Snoop Dog ou coisa parecida... bling-bling, camisão de futebol americano, boné de jogador de baseball, sneakers e, claro, uma calça folgadona... por alguns segundos eu pensei que estivesse no Brooklin e não na Avenida Paralela... Até o pagode tá mudando de nome!!!
O Círculo estava meio deslocado no tempo, no espaço e no equipamento/circuito cultural... essas coisas de banda iniciante que ainda não bombou fora do circuito cult rio vermelho (ou seja, a Boomerangue, porque até o Nhô Caldos já não mora mais por lá!)... ganharam um cachê e tocaram para meia dúzia de pessoas (das quais duas estavam na frente do palco e o restante se encontrava no camarote) e foram pra casa. Foi o melhor show da noite.
Antes do começo do show do Adão Negro, inexplicavelmente, os 12 mil pagantes resolveram entrar e entupir o lugar, era um mar de gente, um paraíso para agorofóbicos!
Ao final do show do "Adão..." ficamos sabendo que "Diamba" não cantaria, mas fora substituído por... SINE CALMÓN... que beleza... e um detalhe, a trilha sonora entre os shows era uma maravilhosa vinheta da PIATÃ FM... EMPURRA, EMPURRA, EMPURRA, PIATÃ!!!
O mais legal foi que descobri que o Fantasmão não toca samba ou pagode... faz um som muito parecido com o pagode, o chamado "groove arrastado", além de tocar "kuduro", aquele ritmo de angola que a Nara andou comentando no blog dela. Contamos com a ilustre presença de Regina Casé dançando Kuduro com Eddie... e tudo diante do dono destes olhos...
O show do Fantasmão, no entanto, não é de todo ruim, a percussão é excelente, como é costume hodierno, usam sintetizadores do leste europeu e samplers de música angolana. É bacana. As pessoas deliram, é uma maluquice só... quem guenta? O Big Ghost seria ultra-pop-cool se gravasse com a M.I.A., Mallu Magalhães, Tom Waits ou N.E.R.D...
Acabado o show deles, depois de uma performance de Regina Casé, eis que entra em cena os caras do Racionais MC's, com o alto astral de suas músicas... parecia uma cerimônia religiosa... e das brabas! haha. Ainda no início do show, propus pegarmos todos os caminhos de aruanda enquanto estava tudo calmo... e realmente estava: toda a área que não fosse a do palco estava vazia, parecia que não estava acontecendo nada, o mesmo valeu para os portões, estacionamentos e até a rua.
Saímos de lá e fomos comer alguma coisa... pelo horário avançado, já fomos atendidos como VIP - Very Insuportable People -, uma vez que o restaurante (fast food insiste em se chamar de restaurante, que cara-de-pau!!!) estava fechando...
Depois disso, fui pra casa com meu brinde (um dvd do fantasmão), caí na ducha fria e detchei.
É... agora é esperar o Muquiverão!!!
Abraços.
Lucas Lins, mas pode me chamar de Lucas Canastrice, porque um dia eu conheci a Canastrice e me casei com ela...
Elocubrado por Lucas às 10:05 PM 0 comentários
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Em tempos de diversidade cultural...
sexta-feira, outubro 10, 2008
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... tudo é considerado como arte e cultura...
...não acham???
Se você for "arteiro(a)" demais, olha só onde você pode parar...
Não é invenção minha... está no site!!! Confira você mesmo:
http://www.bahia.com.br/localidade_servicos_categoria.asp?idc=11&pag=23&idl=4536
tsc tsc
¬¬
Elocubrado por Lucas às 10:28 AM 0 comentários
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Rapidinhas
segunda-feira, julho 28, 2008
Olá... Séculos sem postar... poucas novas da província? Talvez não... o caso é que quando as novas não passam adiante elas acabam antes mesmo de sequer começar... outras acabam se perdendo no mar da nossa memória, essas só voltam ao acaso! Tenho alguns posts pela metade e outros por fazer (coloquei como um lembrete), mas hoje estou aqui anunciando que Por-Inzêmprio agora tem colaboradores novos e que vão oxigenar um pouco este espaço de balbúrdia e irreverência!!!
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Brief Notes | Rapidinhas | Xekerê
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Fui para uma festa este final de semana, e nem mesmo lá eu deixei de ampliar a minha coleção de inzêmprios... Precisan
do de gelo, um dos garçons disse que bastava a compra de 4 pacotes, dois de gelo fritado e dois de gelo normal... depois de muito se bater biela para entender (inlcusive se existe realmente um tipo de gelo esterilizado no processo de fritura... sei lá, este mundo cada vez mais orgânico e tecnológico, cheio de diversidades e sustentabilidades, vai que um gelo frito seja mais ecológio, econômico e socialmente mais responsável??) o que era este famigerado gelo frito, eis que, como pela providência espiritual onisciente de Sai Baba, alguém traduziu o óbvio: se tratava de gelo filtrado. A lógica, creio eu, é a mesma do preparo de feijoada com bacon perfumado (defumado).
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E por falar nas "ades" (não, pequena libélula, não é o suco saudável com soja - essa foi em homenagem ao Senhor Kesuke Miyagi), já perceberam que estes novos tempos de indefinição (a entre-safra de ideologias ou da negação delas), de fronteiras, questionamentos, crises e limites, rompimento e (re)(des)(cons)tru(ção) do contemporâneo (e da idéia de contemporâneo e de moderno), não é o sufixo "pós" que nos dá uma baliza mínima na compreensão do contexto no qual estamos inseridos ("pós-feminismo", "pós-moderno", "pós-industrial", "pós-punk", "pós-blablabla", "pós-yadayadayada"), mas o sufixo "ades"... não sabe como? Vão alguns inzêmprios: contemporaneidades, diversidades, sustentabilidades, conectividade, interatividade, responsabilidades (no caso da famigerada Responsabilidade Social)... e tem outras ades mundo afora... é só ouvir com atenção, e com a mente em paz e espírito contrito, com fé nos deuses hindus e no avatar Sai Baba para quê você não comece a se irritar. Principalmente porquê todas as vezes que (ao menos) eu escuto algum desses "ades" eu só conseguigo entender "fraudes"... tsc tsc
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Dicas internéticas: Conheçam ontem o buscador "Cuil" (blado, blado, blado, ponto-ponto, com, bê-érre). Ele diz indexar cerca de 120 bilhões de páginas e trabalha com duas coisas bacanas, a primeira é "busca inteligente" (busca pelo significado da sentença e não por palavras-chave, semelhante aqueles atendimentos insuportáveis das telefônicas... "desculpe, não entendi. Vamos recomeçar? Estamos de volta ao menu principal... UGHH!!!!). A outra coisa bacana é a busca segura. Este detalhe é importante porquê diz respeito a privacidade do usuário e da filtragem (ou seria uma "fritada?) dos conteúdos. Ainda não sei se presta, mas até agora achei um monte de coisa... tem uns lixos também, mas é bem mais limpo e mais rápido do quê o "gúgôl"... confiram e depois entreguem nas mãos de Jah.
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Dicas musicais: Alguém já ouviu falar em PUNK-CIGANO?? Procure já algo do Gogol Bordello!! A banda é multi-étnica e eles tocam música cigana em leitura rock'n'roll, fazem rock'n'roll no mundo cigano e dão sempre a impressão de que a vida é uma celebração. Ouvi várias músicas e não ouvi nem uma baladinha ou música lenta... só mesmo o porradão! Universo Klezmer e mambembe, letras que puxam a sardinha da vida libertária e uma leve brincadeira com os estereótipos impostos ao oriente europeu pelo ocidente quadrado e tirado a certinho. Recomendo três faixas que grudam nos ouvidos que nem chiclete de três "ontonte": My Strange Uncles From Abroad, Think Locally. Fuck Globally e "Wonderlus King. E tem mais: eles vem para o Tim Festival, que beleza!!! Nessa onda moderna e de antropofagia, apropriação e mistura, eis que temos um produto divertido e que qualquer um pode curtir, dançar... está longe do cansaço (eles não são nem um pouco sexies, parecem piratas, bucaneiros, mas exalam felicidade e ausência total de afetações e frescuras do mundo pop atual!!). Virei fã... vou ao show deles, nem que seja no espírito cigano, pegando carona na boléia de um caminhão, indo clandestino num navio, ou até de carroça!! E só mais uma curiosidade: eles já cantaram com Madonna naquele show que durou 24 horas (e ninguém assistiu, por sinal!) ao redor do mundo... eles fizeram uma versão de "La Isla Bonita" versão cigana e punk. nem preciso dizer que é a única versão da música que não agride aos ouvidos.
OLHA A CAPA DE "SUPER TARANTA"!!!
o myspace deles é /gogolbordelo e o site é o gogolbordello.com
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Informações adicionais (é o meu "o que ocorrer"!)... alguns links quebraram, estou resolvendo hoje (alguém sabe de um bom servidor free??w). A prioridade é por ordem inversa de publicação.
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No mais, desejo as mais sinceras boas vindas aos meus amigos que vão deixar este lugar mais bacana e mais agradável! E confiram um episódio da Pantera mais bacana de todas as critaturas vivas e animadas...
Elocubrado por Lucas às 10:30 AM 0 comentários
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Insônia + inspiração = ?
segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Tô de volta!!!!!
Coisas que ouço por aí... Quero deixar bastante claro que o objetivo deste post não é diminuir, ofender ou humilhar, muito pelo contrário.
É curioso como a inspiração não tem hora para chegar. No caso da minha, ela acompanha o dono: é instável, incontrolável e, como bem diz a boa baianidade nagô, de veneta. Não, eu não acordei 3 horas da manhã para blogar... a vontade de escrever é muita, mas não chga a me controlar e torturar [tanto] assim. Já estou no computador desde cedo trabalhando, ouvindo música e lendo notícias. Hpje, mais precisamente a partir do final da noite, eu resolvi colocar tudo em dia (ou, como diriam alguns "colocar tudo em dias"): fechar planejamento de projeto, atualizar orçamento, revisar texto. E já que era pra acabar com as pendências acumuladas, por que não atualizar o brógui? Não tenho idéia de quem leia o que eu ando escrevendo "aforamente" os amigos que falam que costumam ler (e, eventualmente, cobram atualizações).
Mas eu vou falar sobre o quê? O calor da cidade? A brisa fresca do verão? Da praia de Amaralina? O camarote do ministro Gil? Dos prêmio Grammy? Dos cartões coorporativos? Do Rombo da Previdência? Da crise americana? Da greve dos roteiristas? Nada disso.
Ni que eu tô aqui no tecrado, vou tratar de um assunto que muito me atrai: flagrantes de diálogos nos lugares mais triviais. Por inzemprio, pode ser um sotaque, gírias, arcadismos, pequenos desvios da norma culta, conversas tortas (um dia eu ainda posto aqui com calma a definição de “conversas tortas”). Eu sou fã declarado dessas pequenas jóias que andam pela rua esperando pelo descobrimento e registro!! Meu ainda parco repertório foi à baila algumas vezes durante o carnaval quando, sem querer eu acabei protagonizando um show amador de stand up comedy lá pelas Guarajubas. Confira e se deleite (ou não, você é que sabe de sua vida!)
"Tô com os orvalho framado, preciso fazer uma tonigrafia computadorizada..."
"...Corre e me dá a chave do cadeal... porque se eu perder o oins não tem coins pra mim..."
***** (essa eu aprendi em Guarajuba)
Homem 1: É colé ou colí?
Homem 2: Rapaz, eu acho que é Colí...
Homem 1: Ô galera da colíografia...
*****
Mulher 1: Vem cá, o certo é probrema ou pobrema?
Mulher 2: Os dois estão certos... probrema é próprio da pessoa, é de dentro pra fora, é da pessoa para o mundo. “PRÓbrema MEU, não se meta!”. E pobrema é dos outro. “O pobrema é seu... não me conte seus pobrema...”
*****
"Maria, Valeu! (nota de tradução: Maria, Valei-me!)"
"To ficando com meu sistema nelvoso!"
"Eu si retei com a situação e si mi piquei daquele lugar"
(essa próxima eu não tive o deleite de testemunhar, mas meu irmão me contou... aconteceu durante os trabalhos funerários de ACM)
"Ele não vai morrer nunca: é que nem Elvis Nelsis"
(
Uma mulher contava em detalhes de como foi assaltada quando disparou sem dó: "é verdade, menina, fui testemunha ocular de tudo!" (MUITO BOM!!! Um desafio às da física inclusive... só a quântica explica... é contigo Stephen Hawking)
Memoirs of a blogger-boy: Time 2 Get U nostalgic, babe!
Tive uma professora que costumava dizer que as nuvens eram enormes pedaços de gelo e que a chuva era o gelo derretendo... e que aquelas chuvas de granizo que acabam meio mundo ocorrem quando as nuvens estão muito perto do solo e não dá tempo para o gelo derreter... Acho que um desses gelos caiu na cabeça dela...
Depois da alfabetização (ou alguma das primeiras séries) eu passei a desgostar o dia do folclore, dia do índio e similares por causa de uma professora... Ela disse em aula que "todo dia era dia de índio" e que a gente ia se vestir de índio pra "lembrar que os índios existiam". Eu perguntei inocentemente: “porque índio se veste com roupa de papel?” A resposta foi, como era de se esperar super bruta – não sei se é um axioma, mas chega perto: professor(a) de criança é sempre um doce, são ladies educadas nos melhores colégios da Suíça, conservatórios franceses e universidades londrinas... tão delicadas como um javali. Bom, depois da resposta rola sempre a risada das crianças que espreitam pela miséria alheia como urubus à carniça. Eu ainda achei de completar meu raciocínio: “sim, pró, mas porque todo dia é dia de índio, mesmo? Ninguém nunca fala de índio... mas hoje tem que usar roupa de papel... porquê?” Mais delicadeza... Daí desenvolveu-se neste humilde missivista uma antipatia aos dias... o dia das mães e dos pais, aniversários e o 31 de dezembro foram preservados, mas todos os outros não desciam e era um verdadeiro suplício participar dos eventos escolares... o melhor da escola é que ela passa.. alias, até uva passa!
Uma certa feita, estava este missivista que com carinho e humildade vos escreve esporadicamente, andava pelo Corredor da Vitória, quando avistou longe um doido... “Esta maluco vai procurar história... tsc, tsc”... não deu outra... de todas as pessoas que vagavam pela Vitória, e saía gente pelo ladrão por causa do horário (por volta de seis horas), quem o maluco abordou? Passou por mim e não disse nada, apenas gritou no meu ouvido e continuou andando... e o pior é que não tinha um lugar sequer para enfiar a cabeça de vergonha... Da outra vez não houve abordagem direta mas foi, a nível de experiência pessoal enquanto vivência humana e conhecimento dos sujeitos sociais que controem a comunidade, igualmente interessante (isto é, tragicômico... ¬¬).
Fui ao Banco do Brasil de lá do Campus de Ondina, até aí normal. Maluco não costuma freqüentar banco, ou costuma? Na época o banco do ainda não era conveniado ao Governo do Estado, então era uma agência que estava sempre vazia... só enchia mesmo em época de bolsa, estágio, etc, e ainda assim eram funcionários, professores e alunos da UFBA, era bastante tranqüílo. Ni que eu estava lá entra um doido de primeira qualidade: roupa surrada, cabelo tão surrado quanto a roupa, cara de Seu Madruga, olheira e cheiros... já preparado para um possível ataque, me blindei: coloquei os óculos escuros, boné caindo na testa e aumentei o volume do som. Eis que vi um reboliço e parei pra ver (e melhor: ouvir). O doido gritava insandecido, “OU ME DÃO MEU DINHEIRO, OU VOU EMBORA DO PLANETA”. Ele não parava de repetir isso... o mais inusitado é que o sujeito tinha mesmo tutu no cofre do Banco do Brasil e teria de voltar na manhã seguinte... aí ele o tempo fechou “EU VOU EMBORA DESSE PLANETA!!!... E PORQUE É DOIS SOFÁS, E DEUS SÓ FAZ DUAS VEZES... EU VOU EMBORA DESSE PLANETA!!!... E PORQUE É DOIS SOFÁS, E DEUS SÓ FAZ DUAS VEZES...”... E saiu praguejando porta afora. Lembram que o BB levou um tempo que era “Banco da Maria”, “Banco de Marcos”... pois eu chamava de “Banco do Maluco”...
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Depois vem mais! A criatividade humana é infinita e eu tenho ouvidos afiados e uma boa memória...
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Elocubrado por Lucas às 3:18 AM 0 comentários
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