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Não acredito na responsabiliadde social

sexta-feira, setembro 12, 2008

Falei há alguns posts que considero essa onda de "ades" uma onda de fraudes - responsabiliade social, é um claro exemplo disso. Já ouvi em alguns lugares bem distintos entre si (da academia a fila da padaria e as incontáveis assembléias de boteco) que "está na moda ser responsável".




Isso não só para as empresas. Eu, você, todos precisamos ser responsáveis. Humpf. Sim, sei....

A ditadura agora é outra: é preciso ser responsável. Aliás, agora é um dever ser responsável com tudo, cultura, meio ambiente, proteger as crianças, votar sabiamente e evitar as armadilhas dos "políticos corruptos" e, claro, "fiscalizar a ética" (essa última já soa até engraçado! É sabido que a tal ética é uma forma de
julgar os comportamentos e não os próprios comportamentos, ça va?! Não é um sentimento nem uma virtude: é um julgamento que classifica algo como correto ou incorreto, normal ou desviado, ok?! Então, classe, nada de dizer por aí que fulano é "anti-ético" ou que "falta ética nesse país"... não existe um "anti-julgamento", se bem que eu não duvido é de mais nada.... vou morar na Ilha de Itaparica e virar pescador, ganho mais!).

Mais do que nunca ir ao teatro, cinema (principalmente se for para prestigiar a produção audiovisual nacional), valorizar as culturas populares, as diversidades de credo, raça, etinia, valores é algo requisitado. Vejo com muita preocupação e resistência essa onda politicamente correta... Não se trata de descrédito, intolerância ou facismo. Primeiro porque essas supostas responsabilidades que devem ser assimiladas como solução dos problemas do mundo - da fome, pobreza, epidemias, poluição....... - são ainda um reflexo de uma mentalidade tecnocrata, colonizadora, altamente vertical e que dissimula o questinamento do status quo sustentada em uma "pedagogia das responsabilidades para a libertação".

Há um sem número de "eco-indústrias", há uma linha de "eco-design", é algo
in comprar móveis de madeira de demolição, madeira reflorestada, sapatos de couro ecológico, calças de algodão orgânico... mesmo que o impacto gerado por eco produto seja muito maior do que um produto "poluidor". As turnês são ecológicas. Al Gore (ou "A mosca.... morta!") ganha um oscar como consolação por não ter sido eleito presidente dos Estados Unidos consultando o oráculo da ciência para profetizar o fim do mundo. O futuro deixou de ser "Os Jetsons" e passou a flertar, mais uma vez, com "Blade Runner" e "Mad Max", numa perspectiva pessimista, e "Os Flintstones", numa perspectiva otimista. Claro, com tanta coisa orgânica, eco, máquinas vivas e carros híbridos (metade combustível, metade força humana nos pés), em breve estaremos iguais a família de Fred e Wilma.

O pior de tudo é que essas responsabilidades mascaram os problemas, os causadores dos problemas. Aí a coisa complica... o buraco é mais embaixo, veja só: os países mais desenvolvidos, e, portanto, mais poluidores (direta e indiretamente) são aqueles que estão capitaneando a retomada da proteção à mãe-natureza. Tem gente bacana? Sim, mas creiam, não representam mais do que 10%. Os últimos 100 anos testemunham um desdobramento de revoluções industriais que promoveram movimentos migratórios cruéis, duas guerras, duas epidemias de gripe (que mataram mais do que as guerras), ditaduras, guerras civis, poluição, os índices de qualidade de vida atingirem um nível de disparidade absurdo, concentração de riquezas e bens (inclusive os naturais), e para além da concentração assistimos a processos de usurpação de riquezas.

O que mais vem no pacote? Incríveis doses de hipocrisia. E vemos o Radiohead afirmar que as turnês ecológicas são inviáveis por causa dos....... fãs? Vemos um evento de proporções globais (afinal, para um aquecimento global, o evento tem que ser global também, se não fica por baixo) que deveria alertar o mundo contra o bicho papão do aquecimento global consumir absurdas quantidades de energia e causar um impacto semelhante ao de... hmm.. nada?! Acho bacana e válido que artistas e grandes empresas financiem o que está na moda... não é o negócio deles, mas ajuda o negócio deles a ser mais lucrativo. Não acho de todo mal que se financie a atual moda verde e responsável. O problema é que as coisas, como sempre, perdem muito as medidas e começa uma caça às bruxas. E o pior é que fingimos caçar e fingimos não sermos a caça. É patético!

O próprio respeito à diversidade, da cantada em verso e prosa Declaração da UNESCO (na qual o nosso Ministério da Cultura teve participação fundamental), que é uma coisa sensacional, é entendido por muitos pelo avessas. Algo como a diversidade não é apenas imposto por uma lei, por um código de condutas aceitáveis ou por uma obrigação de aceitar o outro. O Sodré, diretor da Fundação Biblioteca Nacional, disse uma certa feita que o respeito à divesidade (e algo que eu creio se extender às outras responsabilidades propostas nesse infante milênio) é condicionado por um quadro que é mais afetivo e sensível do que formado por uma racionalidade dada. Ainda na mesma fala (lá na Caixa Cultural), ele esclareceu o que é "diferenciar" e "fazer a diferenciação"; no primeiro caso, é feita uma distinção e se cria uma relação de identidade absoluta e alteridade absoluta, ou seja, o que Eu sou e o que Outro é, mas partindo de um olhar externo, é uma comparação superficial. Já "fazer a diferenciação" impolica em observar o Outro conferindo a ele uma identidade, uma identidade que possui diferenças e similitudes com a identidade do Eu. Obviamente, para fazer a diferenciação é preciso conhecer e para além disso compreender o Outro, sem super valorizá-lo ou subvalorizá-lo. Em última instância, é preciso gostar do Outro pelo fato dele possuir uma identidade diferente do Eu. É exatamente no oposto do comportamento de aceitar o Outro e considerá-lo um segmento fundamental de composição das identidades do Eu que se encontra a gênese do preconceito e das discriminações; quando o conjunto mais superficial de informações sobre as referências e identificações são suficientes para estabelecer uma comparação, sem que exista qualquer laço afetivo ou aprofundamento nas informações. Em geral, quem se compara também se considera superior, afinal, ele não precisa conhecer o Outro para
diferenciar. O Outro fica condenado em um caminho deslizante ou então o oposto: um fixação radical. E um detalhe, ou o sujeito que diferencia tem uma relação paternal com o Outro ou uma relação de repulsa.

Nota do blogueiro: Falei aqui em identidade e nem estabelci o conceito que estou pensando aqui. Bom, considero aqui identidade os conjuntos de identificações que os sujeitos assimilam e se valem na busca de alguma fixidez, uma vez que as identidades (ou conjuntos de identificações) são deslizantes e fluídas - nós somos muitos, desempenhamos múltiplos papéis e somos multireferenciais, embora em cada situação ou contexto um tipo ou um determinado conjunto de referências tende a prevalecer.


Vamos voltar para as responsabilidades?

A responsabilidade que se deseja atingir (sem conseguir) é algo que advém da esfera do sensivel, pela partilha intersubjetiva de valores em determinadas comunidades que variam no tempo e no espaço e que se modificam. Os valores que dão origem ao julgamento ético surgem nesse bojo e não no caminho inverso. A aceitação passa pelo sensível, uma vez aceito, determinado "conselho" deixa de ser uma obrigação moral e ética (recomendada pelos papas) e se converte em algo internalizado e natural, e ainda assim não está livre de transgressão.

Se eu acho a responsabilidade social bacana? Acho, lógico! Mas se ela não partir de um pensamento que veja no outro um indivíduo singular que detém uma cota imensurável de dignidade e que a relação, mesmo diante de hierarquias deve obedecer ao respeito dessa singularidade e ao processo de diferenciação, superando paternalismos e tecnocracias, continuaremos com um mecanismo falso, ações de realações públicas travestidas de responsabilidade social e "preocupadas com qualidade de vida". Ora, se não se considera o bem maior na vida de um indivíduo (sua dignidade), não há como falar em responsabilidade social ou qualidade de vida...

Acho que devemos preservar o planeta? Claro!! Mas desde que quem compre ilegalmente mógno da Amazônia pra fabricar instrumento musical (extendo aos artistas que compram os instrumentos) parem de promover uma cruzada pelo "pulmão do mundo" (que por sinal não é... o pulmão é Oceano Pacífico e as algas... o que a Amazônia preserva é uma IMENSA biodiversidade e contribui na manutenção da temperatura).

Mas essa é a extensão do colonizador: ele apronta e ainda sobra para o colonizado. O Radiohead faz um show, cobra (ou lucra) mais porque é "ecologicamente correto", mas se não deu certo a culpa é de quem foi para o show? Complicado... complicado...

Lá vem as organizações internacionais pautar as discussões locais e tomar a frente, como detentores do saber absoluto. Cuidado! Não se trata de um plano de dominação ou invasão, mas de reafirmação de superioridade e inferioridade. Não sou xenófobo, acho fundamental criar boas relações bi-laterais e multi-laterais em todas as áreas, inclusive porque o olhar estrangeiro pode flagrar coisas que o cotidiano esconde e contribuir substancialmente na solução, no entanto, quem deve pautar as necessidades é o país, a comunidade. Essas diretrizes mediadas pela comunicação de massa global desconsideram, em geral, quaisquer contexto espaço-temporal, realidades, identidades e singularidades. Daí uma efetividade, eficácia e eficiência pouco impactantes.


Voluntariado? Esse eu nem vou falar muito, mas eu só sei que muita gente lucra na filantropia e utiliza a mão-de-obra voluntária de modo perverso... me inventaram um tal de "mobilize sua comunidade", que resguardadas as devidas proporções me irrita bastante. Ainda mais quando eu acompanho os processos, mesmo que de fora.

Um dia ainda vamos compreender que a revolução começa dentro das pessoas (é por isso mesmo que ela não será televisionada via satélite nem veiculada na internet!). Acredito muito na soberania que vai da família até a nação. Tem um ditado em Barra do Gil (lá da minha infância) que diz que "da porta pra dentro povo de fora pisa devagar e só come o oferecido".


Acho que irei neutralizar as emissões de carbono das minhas missivas.


Até breve. À bientôt.

Ih, que fora...

quinta-feira, setembro 04, 2008


Todos conhecem e se relacionam muito bem com as situações mais constrangedoras, e por mais que saibamos que o constrangimento quase sempre é uma coisa mútua e relativamente normal - “ih, dei(deram) um fora... relaxe e esqueça...” -, se recuperar e continuar agindo de maneira normal é algo que demanda maturidade ou total falta dela talvez. Em geral pequenos ou grandes cuidados evitam enormes situações e bolas de neve de proporções homéricas. Aquela pergunte indiscreta, aquele comentário inoportuno, a colocação descabida ou aquele flagra fatal... Como eu disse, quase sempre são coisas bastante bobas: perguntar pelo(a) namorado(a) ou esposo(a) de alguém e descobrir que o relacionamento acabou (e de uma forma bem complicada e cheia de confusão), fazer algum comentário de uma figura bastante exótica e pitoresca e ouvir milésimos de segundos depois a frase “ela é minha mãe”, “ele é meu irmão”, “é o meu melhor amigo”, “ela é seu encontro às escuras”... Não vamos nos esquecer de falar mal de alguém (quase sempre na tentativa de ridicularizar ou fazer uma piada infame, necessariamente sem o intuito de ridicularizar). Estes próximos exemplos serão práticos e reais... isto é, aconteceram comigo... um dos candidatos a rei dos foras haha. Lembro de um, na minha sexta série: tive uma professora chamada Maria da Guia, apesar de morar no interior da Bahia, 'Da Guia, como era mais conhecida, era famosa entre os alunos pela sua postura rígida em sala – postura que lhe rendeu o carinhoso apelido de “Maria do Cão” (nota do blogueiro: crianças são criaturas cruéis demais, não!?) – e também pelo seu sotaque paraibano bastante forte – o que também lhe rendia imitações por parte dos alunos. Ah, as aulas de português com 'Da Guia... era um tal de “cúpia”, pra cá, “cúpia” pra lá... e outras coisas que eu já não me lembro. O fato é que uma vez tivemos aula de português em uma sala de outro chalé – sim, minha escola não tinha prédios, eram grandes chalés dividos em 5 ou 6 salas –, o chalé do segundo grau. Esse era, na época, top de linha, tinha ar condicionado nas salas (e olha que a cidade onde eu morei fazia um calor terrível!!!), as carteiras eram maiores e mais, digamos, anatômicas... era bem bacana. Beleza, acabou a aula, fui na cantina (ou na guerra, como eu pensava na época... ¬¬) e vi a filha de 'Da Guia, alguns anos mais velha do que eu. Palhaço do jeito que eu era (era?), eis que volto correndo pra sala e entro quase que de olhos fechados e grito: (com sotaque fingido de paraibano) “Vi a filha DÍ 'Da Guia na canTIna PIDINDU um ÍSPRÍITTTI”. Pura palhaçada... ninguém fala “ispriti”, já ouvi até “ispláti”, mas ispriti nunca... e mesmo que tenha gente que fale desse jeito, a menina era aluna do ensino médio... Eis que assim que termino de falar eu escuto “tu viste quem?”... Lembro apenas de encolher (literalmente... eu me agachei e saí andando murcho da sala balbuciando algumas palavras “très” sem graça hahaha.) E o pior é que estávamos ainda no meio do ano... Como enfrentar a vergonha? Cara-de-pau... O outro exemplo é mais recente, aliás, aconteceu ontem e é um outro pesadelo: durante a chamada eis que ouço a professora falando o nome de um aluno... “Lion” (Láion, mesmo). Na lata eu disse: massa, então quer dizer que temos um lion entre nós?” A resposta não poderia ser pior... meu colega apontou o dedo para a frente e disse, ele está aí do seu lado... puuuuuuuuxa, a vontade era de cuspir e sair nadando!... ou de me afogar, mesmo... Depois se esclareceu que o nome era outro (Laynon, se não estou errado). Ainda coroei (super sem graça!!!) dizendo que “não faria piadas infames, afinal você já deve estar cansado delas, né?”.... que bom que a aula acabou... mas o semestre não... brrrrrrrr... Agora, falando a partir do lugar do outro, digo que as coisas não são menos constrangedoras. Porque o clima cai na hora e não tem como evitar, nem dizer nada para amenizar. O jeito é esperar passar. Você está numa festa, por exemplo, vai no banheiro e quando abre a porta dá de cara com um casal bem numa situação de intimidade e depois descobre que são os pais de seu amigo... e aí? E o pior, ele está na fila esperando a vez dele. Pôôôôô... fazer o quê? E às vezes, a situação só piora: além de tudo você é um convidado e vai passar 10 dias na casa... Terrível! Terrível! O pior é que, em geral, esses foras são coisas comuns, mas nós somos tão travados que tudo vira motivo para um debate que sempre tende a chegar em “como a nossa mentalidade é pequeno burguesa e somos hipócritas...”. Já vi até um debate sobre ética e moral por causa de um fora! Imagina só? Não sei se o certo (ou mais fácil) é seguir os conselhos de Marta Suplicy, mas o fato é que estressar por conta dessas bobagens e desencontros rotineiros faz mal para o coração... o jeito é rir e se preparar para outra... porque ela certamente virá: impávida que nem Mohammed Ali...

Até breve. Até o próximo fora.

Cansei de ser sexy!

segunda-feira, fevereiro 11, 2008



Já perceberam o quão "da moda" é a atitude de cansar? Temos o movimento dos cansados com a política, com a violência, com a corrupção (seja lá o que isso signifique) e o melhor de tudo: os que cansaram de ser sexy... Cansar é in... cansar é tudo! (UGHHH!!!! Meu estrômbado!! Meus "rinhos"!)


Pra quem nunca ouviu falar na banda de "A-la-la-la", vai um breve resumo: a banda faz um som pra lá de bacaninha, mas, assim como o Bonde do Rolê (que mistura pancadão com heavy metal), não passa de uma piada... uma piada das boas, piada sofisticada, inteligente, daquelas que você ouve e faz "hammm..." e depois ri comedido... não é esculacho! É uma piada com eles mesmos, com quem ouve, com quem gosta, com quem perde tempo falando bem ou mal... enfim, não importa. Além de combinar rock, eletro e sabe-se-mais-lá-o-quê, a galera pega pesado no visual.

O fato é que a dita cuja caiu nas graças de um sem-número de críticos brazucas e gringos,saiu em turnê com Gwen Steffani (eu acho... correct me if I'm wrog, you guys), viajou com o Klaxons (essa, sim, uma banda muito, mas muito legal!), mas apesar de tudo, ainda acho que é mais fumaça do que fogo. Aliás, acho até que eles se valem disso e fora que não tem nada mais forte pra uma banda indie do que deslizar de vez em quando para o mainstream. People like confusion...

O hype da banda de nu rave paulista (uma combinação de Blitz, com Frenéticas e rock new wave) seguiu tendência ou inventou moda? Reparem só: tá todo mundo se vestindo cansado de ser sexy, êta revival fashion dos anos 80 sem sentido algum... e "tome-le" entupir os nossos ouvidos de sintetizadores do leste europeu...

Mas a parte mais curiosa é que rolou uma onda fashion "de com fôça"!! Lá onde eu estudo muitas pessoas andam cansadas, logo de manhã: heavy makeup on, cabelo armado ou com cortes exóticos e combinações de roupa que bailam entre os geeks, os grunges de seattle, os punks de NY e os descolados no maior vibe "cool-cult-kitsch-pop/contra-pop-antifolk-afro-reggae-roots-fashion-poser-i'm better than you, bitch or whateva". O pobrema é que essa onda cansada cresceu!! Lembram de peninha? Tudo era uma brincadeira e foi crescendo, crescendo me absorvendo... Agora temos militantes na área audivisual, na área de teatro, nas pickups das festas, nas faculdades, nas casas, nos escritórios, nos programas de tv... depois do movimento emo, é a vez do movimento dos que desistiram da beleza, da frivolidade e do hedonismo (ou não? ha-há!).

Aqui em Salvador, terra da antropofagia o movimento se fundiu com o da cultura popular (uma cultura popular de elite, não vamos esquecer disso!). Bom, ficou uma indaga... não tá bunito não... aos meus olhos não é coisa de Deus, mas tem quem goste, ô se tem!!!! E o que eu vou fazer? Vou matá? Nãããooo, vou inducá, iscraricê, instruí...

Como reconhecer essas pessoas?

Primeiro é preciso saber onde elas andam para ou evitar, ou levar um prozac, vallium, rivotrill, gardenal, diazepan ou um porrete!! haha.

Cinemas de arte, shows de bandas indie, teatros (apenas se for peça indie ou algo experimental, gratuito, num lugar sem ar condicionado, onde todo mundo vê o espetáculo em pé, que dura 4 horas, sem intervalo e todos os atores são amadores), bares indie, desfiles de moda (este é um pouco mais restrito, então se você não for das modas, relaxe...) e claro, lojas de cd e bairros boêmios. Aqui em Salvador eles circulam pelo Rio Vermelho, Santo Antônio, Barra e Pelourinho. Alguns freqüentam restaurantes naturebas ou macrobióticos, japas, cantinas italianas (tem que ser italiana de verdade).

Alguns desenvolvem sotaques... alguns puxam para o paulista, outros para o gaúcho e outros para o de nordeste... sotaque de salvador só se for muito, mas muito forte! Mas a minoria pega a coisa baiana... no máximo alguns que usam palavras em iorubá, lembrem-se que a baianidade é algo que causa "gíngi"nos cansados... pessoas altamente urbanas, descoladas e vanguardistas: falar "ingual" a Ivete Sangalo é um pecado mortal!

Mas o reconhecimento imediato de um cansado é sua indumentária: calças skinny, camisas ora folgadonas ora justas, frases e tênis retrô ou vintage.

Bom, no casos dos hombres, eles costumam usar calça de flanela (de preferência uma que pareça ser bem suja e surrada, mesmo tendo custado R$ 989,00 na Osklen), uma camisa com uma foto da Galeria Pierre verger, um óculos de armação grossa, look descabelado, sandália de couro da Barroquinha (mas pode ser da Osklen também), bolsa de lona também da Geleria Pierre Verger ou do Teatro Vila Velha. Eles andam com iPods nos ouvidos ouvindo Klaxons, The Rapture e, lógico, Cansei de Ser Sexy.

Já as chicas usam calças ultra-skinny (alguns rapazaes tb, vale ressaltar) com camisas com frases inteligentes ou irônicas (e muitas, mas muitas cores cítricas...), os acessórios são os mesmos dos rapazes, com exceção da sandália, que deve ser de cor cítrica e de muitos balangadãs... Ah, e os bottoms, não vamos esquecer dos bottoms (que no meu tempo se chamavam "broches", mas tudo bem...). Alguns costumam cultuar ícones do samba: sofrem com uma nostalgia de uma época que sequer viveram. "Ah, porquê Nara Leão morreu?", escutam cartola, candeia... combinam também com a Banda Black Rio e seu emblemático album "Maria Fumaça" e mais recentemente andam cultuando Caetano Veloso (Cê foi uma mão na roda mesmo!!!). Se isso me incomoda? De forma alguma, mas eu me divirto olhando o mundo...

Uma incursão no universo dos cansados

O mais legal dos cansados é sua fina inteligência e seu ar underground e vanguardista (UGH!!). Como curtem cinema alemão, hindu, iraniano (esse é o campeão!!!), comédias francesas, e claro, filmes sobre pessoas desajustadas, de preferência do Gus Van Saint, Lars Von Trier, filmes com Heather Matarazzo (estrela de "Wellcome to the Dollhouse") e similares. Enfim, filmes quando se tem que "entender alguma coisa". Não vou dizer que não curto uns filmes de maluco porque eu gosto, então acabo freqüentando lugares cansados como os cinemas de arte... não tem nada melhor do que esperar o tempo da sessão começar bebendo uma agua gelada ou tomando um café e observar com calma os espécimes em seu habitat natural... é melhor do que ler qualquer revista velha de cinema!!! Os comentários não tem preço!! Eu nuca fui munido de bloco de notas (o meu "Bloc", o blog físico... hehehe), mas me prometi levar sempre e anotar sem muitos compromissos alguns trechos das palestras (ou seraim lectures) sobre cinema, política e economia nas narrativas audiovisuais... e melhor ainda são os diálogos após a sessão... Ano passado fui para a jornada de cinema (ou semináriode audiovisual... nunca lembro) assistir aos filmes "Yahansã" e "O Baixio das bestas", o primeiro é super bacana, mas o segundo... enfim, melhor do que os dois filmes foi a platéia... Karim Aïnouz (também diretor de "O Céu de Suely" e "Amarelo Manga") falava algo sobre o circuite de cinema que existia entre Pernambuco e Bahia e lembrou que "as pessoas do Sul" chamava este grupo de "Pe.Ba"... alguém do meu lado (ô sangue...), levantou e bradou "É PEBA, MAS É BOM!!!!!!!! UHUUUUU!!!", depois foi acompanhado por "VIVA O CINEMA BAIANO!! SALVE O CINEMA BRASILEIRO!!!!"... e ainda pra completar meu querido Karim gritou "EU FAÇO CINEMA PARA NÃO ME RASTEJAR!!!.. claro que o Teatro Castro Alves veio abaixo e o cara teve uma ovação (como eu queria que ovação significasse "jogar ovos sem parar" naquele momento) e os comentários depois do filme? "Feroz!", "Áspero", "Transcedental", "Violento, pujante!"... eu não consegui entender muita coisa do filme, mas atribuo isso a minha burrice e chatice... o que fazer com os cansados? Não sei, acho que cansei... ou melhor, eu não canso nunca.

O verão tá aí. Curta o verão. Curta metragem. Eu tô curtindo (e sem cansar!)

Minha vida de trabalhador 1: O profissional multifacetado não é (tão) multifacetado assim

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Minha (ainda) parca experiência profissional foi muito divertida... apesar da pouca idade eu já trabalhei em ONG, empresa pequena, empresa grande, trabalhei sozinho, trabalhei com gente de tudo que é tipo: artista, capitalista, socialista, niilista, xiita, evangélico e candomblezeiro, gente honesta, picaretas, embromadores e loucos... O mais interessante é que em todos os casos o que eu mais vi foram pessoas com muita fé cênica, ou melhor, só fé cênica. Claro que eu também tive a (boa) sorte e encontrar pessoas que além a fé cênica tinham, efetivamente, alguma coisa a dizer, e o mais importante, alguma (ou muita) coisa relevante.
Em quase 4 anos de.... well er... hmmm... bom, 4 anos de carreira, mesmo... uma das coisas que eu achei mais engraçada foi que em muitos lugares por onde eu passei eu sempre ouvi conversas (e até participei de palestras e treinamentos) sobre a noção de inteligências múltiplas, inteligência emocional, profissional multicapacitado, multimídia, multiuso e por último, o fragmentado e o multifacetado. Tudo isso por quê estamos imersos em um suposto cenário global de aproximação e fragmentação dos sujeitos.

É tudo pós-moderno, pós-punk, pós-grunge, pós-indie e pós-cansei de ser sexy!

Posso estar enganado, é bem provável que eu esteja. Mas queiram me prestar a gentileza de seguir comigo este raciocínio. Vocês lembram quando as mães de vocês diziam para fazer uma coisa de cada vez? Ou quando o seu professor de física disse que dois corpos não ocupam o mesmo tempo e espaço em toooooodo o universo? O seu professor de física podia até não gostar muito de você, mas sua mãe devia gostar.. e quem ama não mente (blé?).

A desculpa de múltiplos apredndizados e múltiplas aptidões, derrubada de paredes em escritórios para "fazer com que as pessoas convivam, se ouçam e se vejam" (UGH!!!Meu estômago!!! Meus rins...) não passa de um modismo de uma corrente da administração (ou algum similar seu) que bebe na maravilhosa auto-ajuda, e pior, que justifica por exemplo a redução na contratação ou simplesmente no corte de funcionários. Fora que a onda do "faça-você-mesmo" é um saco... e ainda sustenta muito palestrante mundo afora.
É preciso ser multifacetado porque o mundo é fragmentado: as idéias, os fatos, a vida... e como não podemos dar conta de uma totalidade, ela é abordada em múltiplos ângulos. Bonito, não? NÃO! Tudo balela!

O fato é que o acúmulo de funções, além de ser cansativo, faz cair a produtividade... Mas a culpa não é de uma jornada de trabalho de 10 horas e com 4 funções, mas da fragmentação da comunicação, da cultura, do pensamento, da televisão, é da globo!

Eu sou careta! Fora com as multi/trans/inter/pluri/alfa&ômega... e vamos voltar a ser convencionais e meio fechados... porque é assim que nós somos... não me refiro às idéias, às posturas políticas e de como lidamos com valores partilhados socialmente, sobretudo quanto aos conceitos e pré-conceitos que todos temos. Acredito que as pessoas podem e devem fazer de tudo um pouco, até para entender o papel dos outros e localizar melhor seu espaço numa cadeia produtiva qualquer! Mas cada um de nós não desenvolve uma coisa melhor do que as outras (e do que as outras pessoas também) e, inclusive, vive disso!

Acredito até que as coisas andam fragmentadas e que a gente estuda vendo tv, ouvindo música, falando ao telefone... mas acredito também que estudar ouvindo música (bem como fazendo outra coisa qualquer) constitui uma experiência diferente de estudar apenas, mas são situações distintas.Todo o esforço feito pela mente é concentrar e focar para dar uma unidade ao fragmentado, impedindo que a musica e o estudo se anulem, tendo em vista realizar uma única atividade.

Portanto, o profissional multifacetado não passa de uma cruel extensão do exemplo supracitado: é um assessor de comunicação (ambientado noas novas tecnologias todas, sabe lidar com Corel, Photoshop, Page Maker, Excell), produtor executivo, recepcionista, bilheteiro e, conforme a necessidade, um técnico, motorista ou telefonista. Mas ele só pode ser uma coisa de cada vez, afinal ele é um só e um é um, dois é dois... um não pode ser dois (a não ser que Stephen Hawking me prove por a+b+delta). Tudo que este coitado tenta fazer é dar uma unidade lógica para o que faz, se não ele enlouquece.

Lembrem que tudo que fazemos remete ao ato de conferir unidade a situações dispersos.
Ler, por exemplo vem de "legere" (colher), alguns defendem que vem de "por junto". E é isso que fazemos quando lemos qualquer coisa: colocamos letras em ordem, colocamos palavras em ordem, identificamos idéias expressas e lhes conferimos significados.
Então porque as pessoas têm que ser multifacetadas? Bom, primeiro porque existe a nossa queria amiga, fogueira da vaidades... e dizer que é uma pessoa bombrill é algo que impõe respeito (para mim mesmo não impõe PN, mas nem todos são iguais a mim).

É bonitinho, mas é ordinário! Pule essa fogueira: seja um profissional arcaico!

Estava pensando

segunda-feira, março 20, 2006

Quem curtiu ou curte animes já assistiu, leu ou ficou sabendo de um seriado que se apresenta como inteligente, cult e filosófico: Neon Genesis Evangelion. Toda a pompa: crianças pilotando máquinas maga-poderosas, conflitos psicológicos de todas as ordens, distúrbios, e uma história aparentemente tola - aliás, aparente não... basta você apertar um pouco que logo ela fica superficial, esses japoneses não sãoi melhores que os outros! - que gir a em torno de um adolescente (hã), que foi abandonado pelo pai (hã-hã), e se vê envolvido em uma ação militar para proteger o planeta do ataque de seres denominados anjos e vieram promover o apocalipse (humpf! mas fazendo um esforço dá pra se distrair, tem seqüências de luta bem legais, não é uma brastemp padrão exportação, mas da pra assistir, só não é o melhor, aliás passa bem longe disso!). A série se desenrola e a gente descobre que há uma conspiração do governo na intenção de criar um Deus humano. Tá você nunca viu isso antes?! Mas o que me fez pensar não foi ter assistido um episódio desse desenho, que assisti há mais de 5 ou 6 anos... mas estou um pouco preocupado porque a ficção científica, passando por Blade Runner, Mad Max, Matrix, Ghost in The Shell e histórias do mesmo naipe, até mesmo 1984, apresentam uma comunidade global manipulada pela técnica, pelos artefatos, nos mostram sem privacidade, nos mostram presos, com um detalhe: a aparente liberdade, segurança, a possibilidade de escolha. Não é assim, por exemplo com a internet? Há 10 (primeiro boom da rede no Brasil), 15 anos atrás, se pensava que a rede mundial era shangri-lá, anarquista, sem controle, sem repressão, sem fiscalização, um lugar onde haveria a possibilidade em se permancer anônimo. Hoje, manos de 20 anos depois percebo que a rede se transformou no oposto disso: é por meio dela que somos vigiados, seja pelo governo, pelas empresas que nos empregam, por quem quer que seja. Somos bombardeados com propagandas, vírus, que estão a um passo de nos infectar... imagino que quando surgirem os biotransmissores. Será que vão poder formatar até o nosso cérebro?
Já foi criado um novo deus: o Google, onipresente, oniciente, para onde converte toda a informação. Temos também os rebeldes, os cyberpunks; há uma batalha silenciosa que vez por outra acaba esbarrando em alguém.
Estamos na sociedade da informação e da comunicação... os cabos, as fibras ópticas, os backbones, os processadores, os satélites... há uma busca infinita em não estar só, em reduzir o mundo ao tamanho do quarto ou da sala, o tamanho do mundo intimida, intimida ainda mais o infinito do universo, navegamos numa nave tão pequena... de medo nós construímos nosso próprio infinito: a internet... zeros e uns que se somados se igualam às estrelas do céu... tem os até estrelas que morreram e continuam brilhando. Como? E o cache dos buscadores? Há sites que se extinguiram há mais de um ano, já vi um site no cache do google de 1998, uma notícia do Estado de São Paulo, uma matéria da Caros Amigos sobre umas conferências que o Lula realizou numa universidade francesa... Até onde isso vai chegar? Me pergunto se vamos chegar ao nível das histórias de science fiction que eu passei a infância, a adolescência e até hoje (com bem menos intensidade) curtindo. A tecnologia inspira essa dicotomia de demonização e sacralização. Ainda acho que o preocupante não é um computador tornar-se um organismo vivo e independente, mas os organismos vivos hodiernos, afinal o único lobo do homem é o próprio homem. O mundo está cada vez menor, e os problemas parecem insistir crescendo.