Nunca aos domingos!!!!

quarta-feira, março 25, 2009


No dia 19 de março de 2006 eu decidi, mais uma vez, criar um blog. Era mais um entre centenas de blogs que eu havia criado e depois abandonado (e que estão perdidos em algum lugar da nuvem da internet!). Dessa vez o que motivou a feitura de um cantinho no ciberespaço foi um conselho de alguém muito próximo. Que conselho foi esse? Bom, me disseram que eu falava demais (ha-ha! Mas é verdade: eu falo demais, mesmo!). Na hora, retruquei meio ouriçado e disse "que eu tinha muito a dizer". "Então escreva, ora..."

O dia 19 de março de 2006 foi um tedioso domingo (aliás, como são todos os domingos), eu morava na mitológica e longínqua terra de Itapuã, portanto, toda e qualquer tentativa de sair no domingo era sempre um movimento delicado e complicado... Tudo era motivo para esquentar a cabeça, era sempre um aborrecimento: horário, ônibus, o que fazer, onde ir.... lembrando que eu teria uma ingrata manhã de segunda em poucas horas! Então, era normal passar os domingos em casa pela manhã, ir ao cinema no meio da tarde, baixar e escutar música, assistir as reprises dos seriados... eventualmente passava um filme bacana na faixa das 10 da noite.

Exatamente por isso, eu não tinha o costume de ver meus amigos aos domingos, de sair pro reggae... só que que, de certa forma, eu me habituei com essa rotina.
No fatídico dia 19 não posso dizer que eu estava no tédio absoluto: como estava só em casa, passei o dia ouvindo música - especificamente o "OK Computer", do Radiohead, "Transa", do Caetano e "Racional", do Tim Maia - comprei umas cervejas e fiz uma comida legal, tava bem empolgado. No entanto, chegou uma hora que deu vontade de conversar com alguém, trocar idéias com pessoas, beber as cervejas... E nessas horas todo mundo some (ha-ha): ninguém no messenger, nem uma notícia interessante, na TV só reprise, ninguém em casa para falar por telefone... foi aí que me lembrei do tal conselho e resolvi escrever e colar coisas quaisquer que eu gostasse! Eu comecei 7 da noite e varei a madrugada! O tédio havia acabado...


É isso aí.... já se vão quatro anos, com relativa assiduidade do missivista-blogueiro que vos escreve, de muitos desabafos, piadas, reflexões, músicas... Que maluquice! Não parece! Os anos passaram correndo, contudo não passaram ao largo. Acabei de me dar conta que do meu primeiro post até agora tanta coisa aconteceu, eu viajei, conheci lugares, conheci pessoas, iniciei e encerrei etapas, círculos, fiz trabalhos, aprendi, vivi, evidentemente, inúmeras situações surreais, aventuras e desventuras dos mais diversos tipos e calibres... e uma sensação muito boa é saber que está documentado aqui ou, no mínimo, que tudo foi testemunhado pelo que está postado aqui! Não costumo ler as coisas que eu escrevo, a não ser para revisar, mas hoje eu reli todos os textos (e realmente alguns são meio longos... haha!) e fui longe...

Como todos aqueles que sempre desejaram ter um blog pra chamar de seu, até este aqui foram várias tentativas, vários blogs... Mas aí, a gente enjoa, cansa, fica com preguiça e acaba deixando de mão! Depois disso, vão todos para a nuvem da internet e só podem ser recuperados se estiverem no cache de algum motor de busca, do contrário, não voltam mais... os que não são deletados ficam pegando poeira virtual, com o post mais atualizado falando da primeira eleição do Lula ou da "grande novidade" que é o audiogalaxy (um antigo programa/ comunidade virtual P2P que reinou entre 2000 e 2001, quem lembra vai entender a piada).

Antes de construir o por inzêmprio eu tive uma infinidade de blogs - coletivos ou individuais - e todos acabavam indo pelo mesmo caminho... shift + delete! Mas eis que este aqui eu consegui trazer até agora. Não tenho uma intenção com ele que não seja limpar minha cabeça e dividir com quem quer que seja, minhas experiências, sejam amigos ou desconhecidos.

Há quatro anos, sempre que possível, eu venho aqui conversar não-sei-com-quem, limpar a cabeça, dizer algo mesmo que ninguém leia (e me deixa surpreso saber que tem quem leia, que mande e-mail, que comente, sejam amigos ou desconhecidos!). Acreditem, é uma coisa muito bacana! Está tudo aqui. O blog é o meu companheiro fiel das noites de insônia, dos dias estressantes, dos dias de alegria e vitórias, dos aborrecimentos. E sabe-se-lá-quem é meu leitor, mas, sendo bem sincero, isso não me importa muito, mas ainda assim eu fico feliz em saber que tem gente que vem aqui e lê o que eu escrevo!

Antes de me despedir, coloco aqui alguns vídeos muito bons que encontrei no youtube!

Frankito Lopes:


Carlos Alexandre


Vicente Celestino


Fernando Mendes


Agora vou me chegando e vou pegar os caminhos de Aruanda...

Colunistas Convidados

sexta-feira, janeiro 16, 2009


Olá, meus caros leitores invisíveis. Hoje o blog tem a satisfação de receber uma crítica enviada pelo meu amigo Vinho, crítico amador como este que vos escreve com escassa regularidade. Espero que gostem.

Rewind:Karen Carpenter


13/01/09
Foram necessários 16 anos de dura insistência dos fãs para que o álbum solo da Karen Carpenter (1996) fosse finalmente lançado (na íntegra) pela A&M Records. Anteriormente, 4 faixas (re-editadas) deste disco acabaram entrando no set list do disco 'Lovelines' (1989) dos Carpenters e mesmo recebendo comentários amistosos no encarte do próprio Richard, nem ele, nem a gravadora se encorajava a lançá - lo.

Por qual motivo?

Diz a lenda que em 1979, enquanto Richard Carpenter se tratava numa clínica psiquiátrica em Kansas devido ao uso contínuo de soníferos (!), Karen decidiu viajar para Nova York, dando início às gravações do seu disco solo, juntamente com o produtor Phil Ramone e Rod Temperton (Na época, muito elogiado por seu trabalho com o Michael Jackson em "Off The Wall"). A idéia era fugir ao máximo do formato padrão já estabelecido pelas gravações anteriores feitas por seu irmão, então é perceptível que os temas das letras são mais maduras, mais femininos, e finalmente, Karen pôde assumir o controle total do rumo do seu disco, experimentando estilos musicais não usados em um disco dos Carpenters.Os arranjos são mais jazzísticos, com bastante cordas e metais, inclusive a banda do cantor Billy Joel participou ativamente desta produção, e o Peter Cetera (ex- Chicago) emprestou a sua voz na faixa 'Making Love In The Afternoon'. Karen teve a oportunidade de usar a sua voz com um registro maior, abusando de notas mais altas e mais longas nas faixas, e sozinha, usando diferentes tons.Impressionante solo de Fender Rhodes em 'Lovelines', e uma sessão de metais pra ninguém botar defeito em 'If I Had You'.Inclusive, a mais excitante e grande ponto álbum do disco.Rod Temperton fez um arranjo vocal extraordinário, com o qual, Karen usa todo o seu domínio com precisão.

Tinha tudo pra dar certo, até que o Richard escutou o disco com o Herp Albert (produtor executivo da gravadora) e não gostaram da nova guinada na carreira e da proposta apresentada pelo disco. Apesar da super produção e de músicos e compositores renomados, temiam que o disco não agradasse e a imagem da Karen fosse arranhada. Com isto, o projeto acabou sendo engavetado, e os irmãos, reunidos outra vez, lançaram o último ( e bem sucedido) como dupla, "Made In America" (1981).

O álbum solo da Karen Carpenter até hoje divide opiniões. Eu, particularmente, quando o escutei, fiquei encantado, acima de tudo, pela nova faceta mostrada neste disco. A cada dia que escuto, coisas novas descubro. É claro que há faixas que não me agradam, mas pelo conjunto da obra, acerta em cheio!

Infelizmente, a A&M/Universal decidiu retirá - lo de catálogo, talvez por estratégia, quanto mais difícil de encontrar, mais valorizado o produto fica. O disco, quando foi lançado em Outubro de 1996, teve o mínimo de divulgação possível, talvez prevendo as duras críticas que receberia, e de fato recebeu...

Quem teve a oportunidade de escutar o álbum póstumo "Voice of The Heart" (recomendo) dos Carpenters, pôde ouvir a canção 'Make Believe It's Your First Time" produzida pelo Richard Carpenter, com a participação do "Ok Chorale" fazendo os vocais...No álbum solo, você pode conferir uma versão mais intimista produzida pelo Phil Ramone (e com um registro vocal maior) da Karen e ter a sua própria opinião, e entender as "diferenças" entre as visões de uma mesma música por produtores diferentes.

Aqui, o link para conhecer o álbum da Karen, e baixá - lo na íntegra!

http://rapidshare.com/files/61876925/DB1103-KCSolo.rar

confira a casa dele: www.fotolog.com/meucarovinho

O que eu ando ouvindo

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Depois do Vampire Weekend e seu afro-reggae-dub-ska-punk/electro-rock, eis que os ouvidos dos seres que ouvem músicas com mais de três gêneros (as famigeradas músicas híbridas) têm mais três amigos: Mystery Jets, Foals e os brazucas Os Azuis... deleitem-se. O interessante é observar que o que há de mais moderno hoje foi o que houve de mais obsoleto durante a década de 90 (a tal década que realmente foi futurista)... Mais do que nunca o tosco e o armengado tão hypadíssimos!!! Então, lá vai! e eu fui...

YOUNG LOVE

http://www.myspace.com/mysteryjets

CASSIUS


http://www.myspace.com/foals

NÃO ADIANTA NEGAR

http://www.myspace.com/osazuis

Compareça: I Lavagem Cultural da Biblioteca Pública do Estado da Bahia

sábado, novembro 01, 2008

Participe você também!

A Biblioteca Pública do Estado da Bahia, a primeira biblioteca pública da América Latina, inicia as comemorações de seu bicentenário realizando uma programação especial a partir desse mês com a I Lavagem da Biblioteca Pública - Um banho de conhecimento. A programação do mês da cultura e da consciência negra inclui a exposição Novembro Negro, o lançamento de uma nova identidade visual e o início de uma nova abordagem pública que está centrada na integração da rotina da comunidade baiana e soteropolitana, bem como no acolhimento aos usuários (escritores, poetas, atores, cordelistas, repentistas, e mais diversos leitores e suas respectivas necessidades).

O evento contará com as tradicionais baianas e tudo aquilo que caracteriza uma tradicional lavagem, além de grupos artísticos locais e a presença do Ylê Aiê. Aproveite e comemore o dia da cultura no mais antigo equipamento cultural público da cidade, é um direito e um privilégio! Vamos abraçar a Biblioteca e curtir good vibrations da baianidade nagô.

Fica a dica!


O quê: I Lavagem da Biblioteca Pública
Quando: 05 de novembro (Dia da Cultura)
Onde: Praça da Piedade (concentração) e Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Barris)
Custo: R$0,00
Contato: bpebbibliotecaviva@fpc.ba.gov.br

Em tempos de diversidade cultural... II

terça-feira, outubro 21, 2008

Olá meus caros, a agência de notícias Baiano Nagô Press traz mais uma aventura (ou talvez, quem sabe, a sua mais nova desventura) de nosso querido missivista provinciano...


Na verdade seria uma série de desventuras...

Bom, a primeira aconteceu há aproximadamente uma semana. Na verdade, para narrar o acontecido, é preciso que eu volte um pouco no tempo (sim, tudo começou há um tempo atrás, na Ilha do Sol), cerca de 5 anos.

Na minha 4ª semana de aula eu comecei a estagiar em uma ONG aqui de Salvador chamada Expogeo, mais conhecida pelos seu curso de inglês e pelos congressos de meio ambiente que realiza (e que eu tive a oportunidade de trabalhar, por sinal), acompanhei uma pessoa de lá para um lançamento de uma coletânea (uma espécie de antologia poética de autores baianos, a maioria iniciante, desconhecido, ou poeta nas horas vagas), coisa que por sinal sempre acontece e, na maioria das vezes, transcorre (dentro do possível) nos limites da normalidade... i

Infelizmente, esse nao era o caso... e o pior dessas situações é que não dá para rir (eu fui na casinha umas duas vezes, abri a torneira e ri um pouco, mas não era o suficiente!!), e essa impossibilidade (acrescida pela incapacidade de se libertar da situação) nos causa uma aflição sem tamanho aumentando ainda mais as proporções do problema e a nossa sensiblidade diante do ridículo, da galhofa e da patifaria. Não sei quanto aos outros livros e seus respectivos lançamentos, mas esse me torturou por quase 2 horas, primeiro porque eu saí da faculdade e fui direto para o estágio (meu almoço? Uma água de coco, uma maçã, uma banana e o coco).

Quando deu meu horário, recebo o convite da atual diretora (ou presidente) para um "evento" com (tcharam!!!) boca livre... com a fome que eu tava, a proximidade do lugar e ainda era um lançamento de livro, estava tudo caminhando muito bem... ah, se eu soubesse... lá eu vi de tudo, desde rasgação de ceda, poetas recitando enquanto múmias dançavam flamenco, um poeta inflamado bradando que "POESIA! POESIA! POESIA! E NÃO MARESIA! MARESIA! MARESIA! QUE SERIA? QUE SERIA? QUE SERIA? EU VOU COMER POESIA! VOU VIVER POESIA"... bom, daí para as palavras de ordem, eu, que quase dormi escutando a rasgação de seda, tive a primeira amostra do quão longa e torturante seria a tal festinha estranha de gente esquisita...

O fato é que, acabado o recital (ou seja lá o que era aquilo), eu estava mais ou menos refeito e viria a minha recompensa: o bufê!!! Que foi uma lástima... paõzinho dÉlicia, refrigerante frevo e uns canapés bem sem graça... e não pense que era em qualquer lugar daqui não, era em um espaço nobre da cidade e os tais poetas pertencem ao segmento mais abastado da nossa pequena província baiana... Sei que saí de lá na revolta, e no dia em particular eu tava duro que tava uma beleza, então fui revoltado pra casa: não podia rir da situação, não curti a situação e nem comi, pronto! Uma total "perca" de tempo, como diz os povo esperto...

O fato é que fiz uma cruz, e lá não mais pisei, bem como passei a ser criterioso com os eventos que eu me meto e nos bufês que vou serrar (não sei se ainda está assim, mas se você está pelo centro da cidade e bateu aquela fome no juízo bem no finalzinho da tarde, dê um pulo na Caixa Cultural porque sempre tem um coquetel bacana, tem o ICBA/Goethe Institut e até mesmo, a reitoria da UFBA).
Passaram os anos e eis que lá vou eu acompanhar dois amigos que iam resolver um pepino lá com um certo editor de livros baianos, esclarecer alguns pontos em um livro que em breve será lançado. Fui sem suspeitar para onde iria (garanto!). Ao chegar lá, me lembrei do que aconteceu.
A coisa ia cair na surrealidade (dessa vez eu pelo menos teria testemunhas!!! Isso já é bom!).

A gente já chega com uma pessoa parada com um quadro nas mãos, por um tempo... já olhei e quis rir. Ouvi um "podem entrar, aqui todos são bem-vindos, a poesia chama...". Pronto e a viagem começou... Lá estava eu entre as múmias, um pesadelo vivo...

O pior aconteceu quando as pessoas foram se apresentar: um mulher que estava sentada próxima a mim foi a primeira: era a primeira reunião que ela participava e ela se dizia "emocionada e grata com a energia de amor que a guiou, que por muito ela resistiu, que mesmo naquele dia ela relutou bastante, mas estava ali para sentir e compartilhar sentimentos". Quando inquerida sobre o nome dela, eis que ela investida de sabedoria e compaixão nos brindou com a pérola de uma vida: "Eu tenho três nomes... o primeiro é Mariza Von Berg (troquei o nome para preservar), mas eu também tenho outros dois nomes... isso porque um dia da minha vida, andando pela rua, eis que eu conheci o Amor, e eu gostei tanto dele, me tocou tanto, que eu resolvi me casar com o amor, e estou casada até hoje, e por isso eu assino 'Mariza Amor'

nota do blogueiro: a essa altura eu já tinha mordido a língua e já estava mordendo os lábios, não dava para rir, saiam alguns "he-he" que eu não conseguia conter, a respiração ficou difícil e até suar eu suei!

Continuando: "Mas eu ainda tenho outro nome, eu também, andando pela vida - e depois de meu casamento com o amor - eu encontrei Felicidade... e gostei tanto que me casei com Felicidade também"

nota do blogueiro 2: tudo bem, a uma altura dessas eu já estava sentindo gosto de sangue na boca porque me feri de tanto me morder para não rir, eu já nem me mexia mais para evitar uma tragédia... meu linxamento, porque ela tava lá amando o amor e sendo feliz com a felicidade, mas ERA SÉRIO... teve gente que achou aquilo lindo, se emocionou, achou criativo até o e-mail "marizamor@gmail.com" como se fosse algo do outro mundo... então, rir, siginificava pedir para apanhar!!


Continuando 2: Assim que a tal figura com sérios transtornos de personalidade terminou sua fala (que durou pouco mais de 5 minutos, mas que me pareceram uma eternidade), quem foi convidado para se apresentar? ESTE QUE VOS ESCREVE!!! Pensei seriamente em colocar um personagem e dizer que meu nome era Cláudio, Clóvis, Alfredo, Miguel, que eu era poeta e artista plástico da aldeia "Yasha Ham", mas não tive coragem... me apresentei... "Lucas Lins... estudante e consultor de projetos culturais"... quem veio conversar comigo depois??? Ela mesmo, Mariza Amor... como é que eu ia rir?? Depois dessas, levantei umas cinco vezes, liguei para pessoas, que, por algum motivo não podiam atender os telefonemas, simulei conversas, simulei escutar piadas... tudo isso para rir e respirar aliviado... Quando eu voltei para a tal reunião (enquanto na minha cabeça a questão "que faço eu aqui neste universo paralelo até agora??") ouvi a gota d'água: "uma pena termos apenas 3 horas de encontro semanal".

Nem quis mais ouvir nada... tratei foi de pegar meus caminhos de aruanda... eu cheguei 15h20 e deveria esperar até dar 18h??? Nunca! Eu morreria até lá, ou no mínimo ia sair com a boa toda ferida... Saí de lá, enfim... depois eutomei uma cervejinha para relaxar, era miuta informação...

Já a segunda... bom, essa é um caso diferente... não é uma história cômica ou tragicômica, mas foi uma coisa que nunca fiz: ir a um show de pagode, mas daqueles roots... A experiência valeu, embora eu não sei se eu repetiria.

Lá fui eu para o Lançamento do DVD da banda FANTASMÃO!!! Lá no Wet'n'Wild - o primeiro parque aquático em ruínas que funciona também como casa de show... o palco fica na piscina e tudo... quem já foi depois que o lugar foi além da decadência sabe do que eu estou falando.

A namorada de um amigo meu (também amiga minha) está na área de assessoria de comunicação e o Fantasmão é um ilustre cliente, e durante o lançamento do DVD do show AO VIVO, recebi um convite para o tal lugar, camarote da imprensa (nossa ilustre agência de notícias estava lá marcando presença), ficava bem ao lado do palco e tudo!!

O show, na verdade era uma festa, o "I Encontro das Tribos", e além de Fantasmão, tínhamos algumas bandas locais, "O Círculo" (pop), "Adão Negro" (reggae), "Diamba" (reggae aussi) e... Racionais MC's, além de, evidentemente os anfitriões da festa: O FANTASMÃO!!!

O legal foi que percebi o quão "apaulistada" está ficando a Bahia... estava um calor considerável, mas havia um sem-número de pessoas com gorros de lã, camisas do coringão e um sotaque de "mano", "firrrmeza"? Coisas que só se vê aqui... porque se o sotaque de paulista(no) já nos soa esquisito, imagine o sotaque baiano apaulistado? Sofrível! Fora que além disso, parecia um clipe de Nelly, 50cent, Snoop Dog ou coisa parecida... bling-bling, camisão de futebol americano, boné de jogador de baseball, sneakers e, claro, uma calça folgadona... por alguns segundos eu pensei que estivesse no Brooklin e não na Avenida Paralela... Até o pagode tá mudando de nome!!!

O Círculo estava meio deslocado no tempo, no espaço e no equipamento/circuito cultural... essas coisas de banda iniciante que ainda não bombou fora do circuito cult rio vermelho (ou seja, a Boomerangue, porque até o Nhô Caldos já não mora mais por lá!)... ganharam um cachê e tocaram para meia dúzia de pessoas (das quais duas estavam na frente do palco e o restante se encontrava no camarote) e foram pra casa. Foi o melhor show da noite.

Antes do começo do show do Adão Negro, inexplicavelmente, os 12 mil pagantes resolveram entrar e entupir o lugar, era um mar de gente, um paraíso para agorofóbicos!

Ao final do show do "Adão..." ficamos sabendo que "Diamba" não cantaria, mas fora substituído por... SINE CALMÓN... que beleza... e um detalhe, a trilha sonora entre os shows era uma maravilhosa vinheta da PIATÃ FM... EMPURRA, EMPURRA, EMPURRA, PIATÃ!!!

O mais legal foi que descobri que o Fantasmão não toca samba ou pagode... faz um som muito parecido com o pagode, o chamado "groove arrastado", além de tocar "kuduro", aquele ritmo de angola que a Nara andou comentando no blog dela. Contamos com a ilustre presença de Regina Casé dançando Kuduro com Eddie... e tudo diante do dono destes olhos...

O show do Fantasmão, no entanto, não é de todo ruim, a percussão é excelente, como é costume hodierno, usam sintetizadores do leste europeu e samplers de música angolana. É bacana. As pessoas deliram, é uma maluquice só... quem guenta? O Big Ghost seria ultra-pop-cool se gravasse com a M.I.A., Mallu Magalhães, Tom Waits ou N.E.R.D...

Acabado o show deles, depois de uma performance de Regina Casé, eis que entra em cena os caras do Racionais MC's, com o alto astral de suas músicas... parecia uma cerimônia religiosa... e das brabas! haha. Ainda no início do show, propus pegarmos todos os caminhos de aruanda enquanto estava tudo calmo... e realmente estava: toda a área que não fosse a do palco estava vazia, parecia que não estava acontecendo nada, o mesmo valeu para os portões, estacionamentos e até a rua.

Saímos de lá e fomos comer alguma coisa... pelo horário avançado, já fomos atendidos como VIP - Very Insuportable People -, uma vez que o restaurante (fast food insiste em se chamar de restaurante, que cara-de-pau!!!) estava fechando...

Depois disso, fui pra casa com meu brinde (um dvd do fantasmão), caí na ducha fria e detchei.

É... agora é esperar o Muquiverão!!!


Abraços.

Lucas Lins, mas pode me chamar de Lucas Canastrice, porque um dia eu conheci a Canastrice e me casei com ela...

Em tempos de diversidade cultural...

sexta-feira, outubro 10, 2008

salvador | baiano nagô press

Clique na imagem abaixo e descubra que nesses tempos de diversidade cultural...
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... tudo é considerado como arte e cultura...























...não acham???


Se você for "arteiro(a)" demais, olha só onde você pode parar...

Não é invenção minha... está no site!!! Confira você mesmo:

http://www.bahia.com.br/localidade_servicos_categoria.asp?idc=11&pag=23&idl=4536




tsc tsc


¬¬

The Hype Machine...

sexta-feira, setembro 19, 2008


Tá, vivemos no império do efêmero (né, Tio Lipovetsky??)... eu mesmo, confesso que tenho uma banda favorita a cada semana, um filme favorito por mês... o mesmo vale para os livros, comidas (tem a temporada da comida japa, da mexicana, da baiana, da natureba-cool, da natureba-roots, da chinesa, da tailandesa...), bares, manias... tudo é bastante passageiro, é um arerê, uma afobação... tudo em excesso, um pouco narcotizante... um acúmulo de informação e o excessivo acúmulo de aportes culturais diversos (a palavara "aporte", por sinal está na moda!!!) acaba nos cegando...
O desejo, agora, não é mais ter mais do que os outros, mas, efetivamente, ter acesso ao produto e descartá-lo com substancial antecedência - o famoso "enquanto você ia plantar o milho eu já comia o bolo de fubá". É preciso, mais do que nunca, estar "na frente das tendências", esqueça isso de seguir tendências de comportamento: ou você lança uma tendência ou fica de olho na próxima tendência e começa a seguí-la imediatamente!!! Nunca a idéia de ser vanguardista foi uma ditadura (outra ditadura contemporânea que nos assola... além da ditadura das responsabilidades, da vida saudável....), mas esses nossos tempos nos cobram isso.
A diferença dos aportes culturais e a música (poderia incluir também o cinema em proporções inferiores) é que o acesso ao conteúdo é bastante diverso e simples: dispomos de softwares de compartilhamento, hosts, sites especializados (gratuitos ou não), inclusive o mais popular de todos, o iTunes, comunidades nos muitos "orkuts", além dos discos físicos, da famigerada pirataria e dos sebos de vinil. É aí que mora o perigo: na explosão de informações, que chegam com maior velocidade e em nível exponencial.
O problema (se é que é um problema) é que o consumo do produto não só é mais rápido, mas a forma de consumir também se intensifica, então a efemridade não significa aqui, nesse caso, um consumo superficial ou que aterrorize os praticantes da pedagocia do consumo cultural libertador e iluminador que provoque uma revolução. Não estou incluído fora dessa: já acumulo um acervo de mp3 que já passou dos 16 mil arquivos e sei que estou longe de ser o mais compulsivo. A maior parte é de músicas "diferentes", vanguardistas, étnicas, contemporâneas, experimentais, atuais ou antigas. Por mais que o acervo musical seja organizado, ter 16 mil arquivos (talvez tenha umas 18 mil músicas no acervo, porque alguns arquivos são material de vinil convertido em mp3) significa nenhuma música. As músicas simplesmente se perdem e, mesmo ouvindo no shuffle, muita coisa fica escondida. E sei que tem gente que tem mais de 200 mil arquivos na discoteca e mais uns 50 mil na videoteca... e pra quê isso? Acho que como tudo fica velho mais rápido, o gosto está em descobrir o novo enquanto ele novo for. Eu me lembro com clareza que a graça em brincar com LEGO era montar, desmontar e descobrir as possibilidades com os tijolinhos... depois que a casa, castelo, carro, nave, pirâmide ou dinossauro estava inteiro ele passava uns dois, três dias montado e depois virava uma pilha de tijolos coloridos. Claro que isso está elevado ao cubo! É preciso ser Hype... vi uma entrevista de uma designer certa feita na qual ela dizia que "quando uma roupa chega no mercadão popular, sabemos que a moda pegou... e que já está ficando brega..." PODE??
O caso é que, mesmo longe de qualquer hype, eu me divirto muito cavucando músicas novas (desde o antigo serviço IUMA - alguém lembra? -, passando pelo portal da trama e de gravadoras independentes, sebos de vinil....) e encontrei uma ferramenta de busca que é bem legal e bastante útil, ainda mais se você gosta de "achar o Brasil" (é achar mesmo!!) e ouvir aquela banda alemã com influências do Krautrock, Electro-Punk e Bossa Nova, antes de seus amigos (principalmente os cults ou os cult-nerds), eis sua magnífica oportunidade:

EIS AQUI O The Hype Machine (ou simplesmente The HypeM). Basta digitar http://hypem.com e você vai se entorpecer com música nova!!!

Se você quiser, também tem um tutorial que é CHUCHU BELEZA no Indiecent Music. Crique aqui

Por hora é só.

Sim, eu sou um junkie de música e troco informações sobre música como se trocavam figurinhas nas antigas... fazer o quê?

Não acredito na responsabiliadde social

sexta-feira, setembro 12, 2008

Falei há alguns posts que considero essa onda de "ades" uma onda de fraudes - responsabiliade social, é um claro exemplo disso. Já ouvi em alguns lugares bem distintos entre si (da academia a fila da padaria e as incontáveis assembléias de boteco) que "está na moda ser responsável".




Isso não só para as empresas. Eu, você, todos precisamos ser responsáveis. Humpf. Sim, sei....

A ditadura agora é outra: é preciso ser responsável. Aliás, agora é um dever ser responsável com tudo, cultura, meio ambiente, proteger as crianças, votar sabiamente e evitar as armadilhas dos "políticos corruptos" e, claro, "fiscalizar a ética" (essa última já soa até engraçado! É sabido que a tal ética é uma forma de
julgar os comportamentos e não os próprios comportamentos, ça va?! Não é um sentimento nem uma virtude: é um julgamento que classifica algo como correto ou incorreto, normal ou desviado, ok?! Então, classe, nada de dizer por aí que fulano é "anti-ético" ou que "falta ética nesse país"... não existe um "anti-julgamento", se bem que eu não duvido é de mais nada.... vou morar na Ilha de Itaparica e virar pescador, ganho mais!).

Mais do que nunca ir ao teatro, cinema (principalmente se for para prestigiar a produção audiovisual nacional), valorizar as culturas populares, as diversidades de credo, raça, etinia, valores é algo requisitado. Vejo com muita preocupação e resistência essa onda politicamente correta... Não se trata de descrédito, intolerância ou facismo. Primeiro porque essas supostas responsabilidades que devem ser assimiladas como solução dos problemas do mundo - da fome, pobreza, epidemias, poluição....... - são ainda um reflexo de uma mentalidade tecnocrata, colonizadora, altamente vertical e que dissimula o questinamento do status quo sustentada em uma "pedagogia das responsabilidades para a libertação".

Há um sem número de "eco-indústrias", há uma linha de "eco-design", é algo
in comprar móveis de madeira de demolição, madeira reflorestada, sapatos de couro ecológico, calças de algodão orgânico... mesmo que o impacto gerado por eco produto seja muito maior do que um produto "poluidor". As turnês são ecológicas. Al Gore (ou "A mosca.... morta!") ganha um oscar como consolação por não ter sido eleito presidente dos Estados Unidos consultando o oráculo da ciência para profetizar o fim do mundo. O futuro deixou de ser "Os Jetsons" e passou a flertar, mais uma vez, com "Blade Runner" e "Mad Max", numa perspectiva pessimista, e "Os Flintstones", numa perspectiva otimista. Claro, com tanta coisa orgânica, eco, máquinas vivas e carros híbridos (metade combustível, metade força humana nos pés), em breve estaremos iguais a família de Fred e Wilma.

O pior de tudo é que essas responsabilidades mascaram os problemas, os causadores dos problemas. Aí a coisa complica... o buraco é mais embaixo, veja só: os países mais desenvolvidos, e, portanto, mais poluidores (direta e indiretamente) são aqueles que estão capitaneando a retomada da proteção à mãe-natureza. Tem gente bacana? Sim, mas creiam, não representam mais do que 10%. Os últimos 100 anos testemunham um desdobramento de revoluções industriais que promoveram movimentos migratórios cruéis, duas guerras, duas epidemias de gripe (que mataram mais do que as guerras), ditaduras, guerras civis, poluição, os índices de qualidade de vida atingirem um nível de disparidade absurdo, concentração de riquezas e bens (inclusive os naturais), e para além da concentração assistimos a processos de usurpação de riquezas.

O que mais vem no pacote? Incríveis doses de hipocrisia. E vemos o Radiohead afirmar que as turnês ecológicas são inviáveis por causa dos....... fãs? Vemos um evento de proporções globais (afinal, para um aquecimento global, o evento tem que ser global também, se não fica por baixo) que deveria alertar o mundo contra o bicho papão do aquecimento global consumir absurdas quantidades de energia e causar um impacto semelhante ao de... hmm.. nada?! Acho bacana e válido que artistas e grandes empresas financiem o que está na moda... não é o negócio deles, mas ajuda o negócio deles a ser mais lucrativo. Não acho de todo mal que se financie a atual moda verde e responsável. O problema é que as coisas, como sempre, perdem muito as medidas e começa uma caça às bruxas. E o pior é que fingimos caçar e fingimos não sermos a caça. É patético!

O próprio respeito à diversidade, da cantada em verso e prosa Declaração da UNESCO (na qual o nosso Ministério da Cultura teve participação fundamental), que é uma coisa sensacional, é entendido por muitos pelo avessas. Algo como a diversidade não é apenas imposto por uma lei, por um código de condutas aceitáveis ou por uma obrigação de aceitar o outro. O Sodré, diretor da Fundação Biblioteca Nacional, disse uma certa feita que o respeito à divesidade (e algo que eu creio se extender às outras responsabilidades propostas nesse infante milênio) é condicionado por um quadro que é mais afetivo e sensível do que formado por uma racionalidade dada. Ainda na mesma fala (lá na Caixa Cultural), ele esclareceu o que é "diferenciar" e "fazer a diferenciação"; no primeiro caso, é feita uma distinção e se cria uma relação de identidade absoluta e alteridade absoluta, ou seja, o que Eu sou e o que Outro é, mas partindo de um olhar externo, é uma comparação superficial. Já "fazer a diferenciação" impolica em observar o Outro conferindo a ele uma identidade, uma identidade que possui diferenças e similitudes com a identidade do Eu. Obviamente, para fazer a diferenciação é preciso conhecer e para além disso compreender o Outro, sem super valorizá-lo ou subvalorizá-lo. Em última instância, é preciso gostar do Outro pelo fato dele possuir uma identidade diferente do Eu. É exatamente no oposto do comportamento de aceitar o Outro e considerá-lo um segmento fundamental de composição das identidades do Eu que se encontra a gênese do preconceito e das discriminações; quando o conjunto mais superficial de informações sobre as referências e identificações são suficientes para estabelecer uma comparação, sem que exista qualquer laço afetivo ou aprofundamento nas informações. Em geral, quem se compara também se considera superior, afinal, ele não precisa conhecer o Outro para
diferenciar. O Outro fica condenado em um caminho deslizante ou então o oposto: um fixação radical. E um detalhe, ou o sujeito que diferencia tem uma relação paternal com o Outro ou uma relação de repulsa.

Nota do blogueiro: Falei aqui em identidade e nem estabelci o conceito que estou pensando aqui. Bom, considero aqui identidade os conjuntos de identificações que os sujeitos assimilam e se valem na busca de alguma fixidez, uma vez que as identidades (ou conjuntos de identificações) são deslizantes e fluídas - nós somos muitos, desempenhamos múltiplos papéis e somos multireferenciais, embora em cada situação ou contexto um tipo ou um determinado conjunto de referências tende a prevalecer.


Vamos voltar para as responsabilidades?

A responsabilidade que se deseja atingir (sem conseguir) é algo que advém da esfera do sensivel, pela partilha intersubjetiva de valores em determinadas comunidades que variam no tempo e no espaço e que se modificam. Os valores que dão origem ao julgamento ético surgem nesse bojo e não no caminho inverso. A aceitação passa pelo sensível, uma vez aceito, determinado "conselho" deixa de ser uma obrigação moral e ética (recomendada pelos papas) e se converte em algo internalizado e natural, e ainda assim não está livre de transgressão.

Se eu acho a responsabilidade social bacana? Acho, lógico! Mas se ela não partir de um pensamento que veja no outro um indivíduo singular que detém uma cota imensurável de dignidade e que a relação, mesmo diante de hierarquias deve obedecer ao respeito dessa singularidade e ao processo de diferenciação, superando paternalismos e tecnocracias, continuaremos com um mecanismo falso, ações de realações públicas travestidas de responsabilidade social e "preocupadas com qualidade de vida". Ora, se não se considera o bem maior na vida de um indivíduo (sua dignidade), não há como falar em responsabilidade social ou qualidade de vida...

Acho que devemos preservar o planeta? Claro!! Mas desde que quem compre ilegalmente mógno da Amazônia pra fabricar instrumento musical (extendo aos artistas que compram os instrumentos) parem de promover uma cruzada pelo "pulmão do mundo" (que por sinal não é... o pulmão é Oceano Pacífico e as algas... o que a Amazônia preserva é uma IMENSA biodiversidade e contribui na manutenção da temperatura).

Mas essa é a extensão do colonizador: ele apronta e ainda sobra para o colonizado. O Radiohead faz um show, cobra (ou lucra) mais porque é "ecologicamente correto", mas se não deu certo a culpa é de quem foi para o show? Complicado... complicado...

Lá vem as organizações internacionais pautar as discussões locais e tomar a frente, como detentores do saber absoluto. Cuidado! Não se trata de um plano de dominação ou invasão, mas de reafirmação de superioridade e inferioridade. Não sou xenófobo, acho fundamental criar boas relações bi-laterais e multi-laterais em todas as áreas, inclusive porque o olhar estrangeiro pode flagrar coisas que o cotidiano esconde e contribuir substancialmente na solução, no entanto, quem deve pautar as necessidades é o país, a comunidade. Essas diretrizes mediadas pela comunicação de massa global desconsideram, em geral, quaisquer contexto espaço-temporal, realidades, identidades e singularidades. Daí uma efetividade, eficácia e eficiência pouco impactantes.


Voluntariado? Esse eu nem vou falar muito, mas eu só sei que muita gente lucra na filantropia e utiliza a mão-de-obra voluntária de modo perverso... me inventaram um tal de "mobilize sua comunidade", que resguardadas as devidas proporções me irrita bastante. Ainda mais quando eu acompanho os processos, mesmo que de fora.

Um dia ainda vamos compreender que a revolução começa dentro das pessoas (é por isso mesmo que ela não será televisionada via satélite nem veiculada na internet!). Acredito muito na soberania que vai da família até a nação. Tem um ditado em Barra do Gil (lá da minha infância) que diz que "da porta pra dentro povo de fora pisa devagar e só come o oferecido".


Acho que irei neutralizar as emissões de carbono das minhas missivas.


Até breve. À bientôt.

Ih, que fora...

quinta-feira, setembro 04, 2008


Todos conhecem e se relacionam muito bem com as situações mais constrangedoras, e por mais que saibamos que o constrangimento quase sempre é uma coisa mútua e relativamente normal - “ih, dei(deram) um fora... relaxe e esqueça...” -, se recuperar e continuar agindo de maneira normal é algo que demanda maturidade ou total falta dela talvez. Em geral pequenos ou grandes cuidados evitam enormes situações e bolas de neve de proporções homéricas. Aquela pergunte indiscreta, aquele comentário inoportuno, a colocação descabida ou aquele flagra fatal... Como eu disse, quase sempre são coisas bastante bobas: perguntar pelo(a) namorado(a) ou esposo(a) de alguém e descobrir que o relacionamento acabou (e de uma forma bem complicada e cheia de confusão), fazer algum comentário de uma figura bastante exótica e pitoresca e ouvir milésimos de segundos depois a frase “ela é minha mãe”, “ele é meu irmão”, “é o meu melhor amigo”, “ela é seu encontro às escuras”... Não vamos nos esquecer de falar mal de alguém (quase sempre na tentativa de ridicularizar ou fazer uma piada infame, necessariamente sem o intuito de ridicularizar). Estes próximos exemplos serão práticos e reais... isto é, aconteceram comigo... um dos candidatos a rei dos foras haha. Lembro de um, na minha sexta série: tive uma professora chamada Maria da Guia, apesar de morar no interior da Bahia, 'Da Guia, como era mais conhecida, era famosa entre os alunos pela sua postura rígida em sala – postura que lhe rendeu o carinhoso apelido de “Maria do Cão” (nota do blogueiro: crianças são criaturas cruéis demais, não!?) – e também pelo seu sotaque paraibano bastante forte – o que também lhe rendia imitações por parte dos alunos. Ah, as aulas de português com 'Da Guia... era um tal de “cúpia”, pra cá, “cúpia” pra lá... e outras coisas que eu já não me lembro. O fato é que uma vez tivemos aula de português em uma sala de outro chalé – sim, minha escola não tinha prédios, eram grandes chalés dividos em 5 ou 6 salas –, o chalé do segundo grau. Esse era, na época, top de linha, tinha ar condicionado nas salas (e olha que a cidade onde eu morei fazia um calor terrível!!!), as carteiras eram maiores e mais, digamos, anatômicas... era bem bacana. Beleza, acabou a aula, fui na cantina (ou na guerra, como eu pensava na época... ¬¬) e vi a filha de 'Da Guia, alguns anos mais velha do que eu. Palhaço do jeito que eu era (era?), eis que volto correndo pra sala e entro quase que de olhos fechados e grito: (com sotaque fingido de paraibano) “Vi a filha DÍ 'Da Guia na canTIna PIDINDU um ÍSPRÍITTTI”. Pura palhaçada... ninguém fala “ispriti”, já ouvi até “ispláti”, mas ispriti nunca... e mesmo que tenha gente que fale desse jeito, a menina era aluna do ensino médio... Eis que assim que termino de falar eu escuto “tu viste quem?”... Lembro apenas de encolher (literalmente... eu me agachei e saí andando murcho da sala balbuciando algumas palavras “très” sem graça hahaha.) E o pior é que estávamos ainda no meio do ano... Como enfrentar a vergonha? Cara-de-pau... O outro exemplo é mais recente, aliás, aconteceu ontem e é um outro pesadelo: durante a chamada eis que ouço a professora falando o nome de um aluno... “Lion” (Láion, mesmo). Na lata eu disse: massa, então quer dizer que temos um lion entre nós?” A resposta não poderia ser pior... meu colega apontou o dedo para a frente e disse, ele está aí do seu lado... puuuuuuuuxa, a vontade era de cuspir e sair nadando!... ou de me afogar, mesmo... Depois se esclareceu que o nome era outro (Laynon, se não estou errado). Ainda coroei (super sem graça!!!) dizendo que “não faria piadas infames, afinal você já deve estar cansado delas, né?”.... que bom que a aula acabou... mas o semestre não... brrrrrrrr... Agora, falando a partir do lugar do outro, digo que as coisas não são menos constrangedoras. Porque o clima cai na hora e não tem como evitar, nem dizer nada para amenizar. O jeito é esperar passar. Você está numa festa, por exemplo, vai no banheiro e quando abre a porta dá de cara com um casal bem numa situação de intimidade e depois descobre que são os pais de seu amigo... e aí? E o pior, ele está na fila esperando a vez dele. Pôôôôô... fazer o quê? E às vezes, a situação só piora: além de tudo você é um convidado e vai passar 10 dias na casa... Terrível! Terrível! O pior é que, em geral, esses foras são coisas comuns, mas nós somos tão travados que tudo vira motivo para um debate que sempre tende a chegar em “como a nossa mentalidade é pequeno burguesa e somos hipócritas...”. Já vi até um debate sobre ética e moral por causa de um fora! Imagina só? Não sei se o certo (ou mais fácil) é seguir os conselhos de Marta Suplicy, mas o fato é que estressar por conta dessas bobagens e desencontros rotineiros faz mal para o coração... o jeito é rir e se preparar para outra... porque ela certamente virá: impávida que nem Mohammed Ali...

Até breve. Até o próximo fora.

Início do semestre na faculdade...

quarta-feira, setembro 03, 2008

Olá, meus caros leitores.... saudades.

Cá estou eu, postando ainda na ressaca dos pesadelos do (re)início das aulas... é... os vetaranos de qualquer universidade são iguais a visita e peixe: quando demoram para sair, incomodam! E neste caso específico, o incômodo é para o próprio aluno jurássico. Sair do fluxo é uma droga... é uma viagem interdimensional na academia.

O primeiro dia de aula (brrrrr) e suas surrealidades, a primeira semana... é como se o jurássico voltasse ao estágio de calouro, mas com um agravante, ou pior dois: o primeiro é, obviamente, o fato de não ser calouro, e a segunda, é se sentir um fantasma do passado enviado por engano para o presente. Você não conhece os calouros (aliás, nem sabe quem é quem!) e seus amigos jás estão formados ou em processo de formar e quase não aparecem no campus.

Além de mudanças estruturais que também assustam: as paredes estão reformadas (e você, por algum motivo não percebeu as obras sendo feitas), mobiliário novo, professores novos - e os seus professores, aqueles que você conhece e que te conhecem por nome, estão afastados para doutorado, pós-doutorado ou simplesmente de "licença prêmia" e ficam vários professores temporários - , são pequenos exemplos da mudança da fauna e a flora locais.

Logo no fatídico primeiro dia, enfrentei alguns dos mais comuns (ao menos para uma razoável fatia da população): acordei tarde, perdi o horário e o ônibus, acabei pegando um cheio... chegando na faculdade, não sabia qual era a minha sala e me vi procurando uma sala no prédio que eu deveria como a palma da mão. Quando finalmente eu achei minha sala (quase duas horas atrasado!!), me vi dentro de outro pesadelo do primeiro dia: as dinâmicas de início das aulas.... e o pior: era daquelas "daqui a sete anos eu me vejo em..."... pôôô!!!! E nada de acordar... nem portava um cianeto para acabar logo com tudo ou ao menos um dramin para dormir durante toda a aula... e o semestre estava apenas começando!

Na sala, eivdentemente, eu connhecia poucas pessoas, mas sem a mínima intimidade com uma viv'alma sequer...

Agora, já (ou ainda), lá pela 4ª semana de aula, com a poeira começando a baixar, começou uma segunda luta: a conquista de orientador para o TCC (etapa fundamental na alforria e na libertação do espírito!!!).

Passadas estas provas de fogo, começa a segunda leva de chateações: aquelas famigeradas perguntas: "você forma quando mesmo?", "você........... por aqui............. ainda........?", "achei que você já estivesse formado....", "não forma mais não, é?", "desistiu de estudar?". E a regra das boas condutas e as leis infelizmente não te deixam acabar com isso pela raíz, né? haha

As perguntas podem ser encaradas por alguns ângulos: no lado azul da força, eis que estão aqueles marjos que navegam no mesmo mar que você e são também veteranos-jurássicos e ficam felizes por encontrar uma cara conhecida naquele rio de pessoas desconhecidas e cada vez mais exóticas (e que te levam ao terceiro pesadelo que é se olhar como calouro e avaliar seu comportamento e o nível de ridículo que você atingia com determinados atos.... embora, eu deva admitir que as coisas avançaram no número de pessoas, na diversidade de atos e no aumento vertiginoso do ridículo que vive a geração pós-los hermanos...). No fundo, expressa um alívio e uma esperança de "não se formar sozinho".

No entanto, nem sempre a maioria das pessoas pertence ao lago azul da força. Há quem pergunte para alfinetar, mesmo. Uma alfinetada infantil, que deve sempre ser devolvida com cordialidade, cinismo e ironia... com uma pitada de agressividade... se alguém te oferece uma saia justa ou calça furada, não se acanhe, mas não deixe de retribuir imediatamente a saia justa... em geral a verdade é melhor resposta, afinal, a verdade dói! E nada de justificar, responda e ponto.

Há ainda a terceira possibilidade... mas em geral, o julgamento deve ser bem cuidadoso e não é uma regra: tem quem pergunte para humilhar, mesmo. Tipo aquela pessoa que tirou 10 em matemática, viu que outro tirou sete e vai lá perguntar a nota... enfim... ainda não me bati com este espécime, mas que los hay los hay! É mais ou menos o padrão de perguntar a algum desempregado "qual o seu próximo passo, tem algum em mente?". Tem gente sádica... reza braba, reza braba, "pé-de-pato, mangalô-trêis-vêis"

O legal é poder dar risada das coisas, porque se tudo passa (já diz Nelson ned), passará também a faculdade e fircarão algumas lembranças, algumas mascaradas pelo tempo, não tem jeito! Mas, "aforamente falando", entre mortos e feridos salvaram-se todos.

Estude que é bom. Chá de Gingko ajuda.