Mais informações sobre o Cuil.com - O Google que se aprume!

terça-feira, julho 29, 2008

Direto do Site de Geek
29/07/2008 07:07 - 452 exibições

Novo site de busca pretende competir com Google

O novo sistema de buscas na internet, chamado Cuil (lê-se cool, como no inglês), foi lançado hoje e pretende entrar na disputa de melhor buscador, concorrendo com, obviamente, o Google. Uma das razões para acreditarem no sucesso do serviço é a presença de ex-engenheiros desta no quadro de funcionários, diz o Slashdot.

A ferramenta, disponível no endereço www.cuil.com, informa na página inicial que já indexou o impressionante número de 121 bilhões de páginas. Os produtores do Cuil afirmam que a ferramenta é capaz de rastrear uma parte maior da web, e em menos tempo, devido ao novo algoritmo de indexação. Tom Costello, co-fundador do serviço, afirma que sua tecnologia revolucionária permitiu colocar praticamente toda a Internet nas pontas dos dedos dos usuários, segundo informa o The Inquirer.

A página inicial é plasticamente muito bonita e tem design enxuto, a exemplo do concorrente, exceto pelo fundo negro, que concede um ar obscuro ao site - mas que permite economizar energia. Já há alguns anos há um outro buscador baseado no Google que usa uma página negra com esse propósito, o Blackle (blackle.com). Ao que parece, o Cuil também segue esse preceito. Entretanto, enquanto o Blacke é apenas um "Google com skin", o Cuil é baseado em tecnologia totalmente nova.

Ao efetuar uma busca simples, os resultados são dispostos de forma ordenada em colunas. O visual é bastante agradável, fugindo da monocromia habitual. Também é exibido um quadro lateral, com informações relacionadas, como no caso os serviços de busca de imagens, mapas ou documentos já conhecidos. As buscas devem retornar também categorias, segundo o TechCrunch. Em um teste feito pela equipe da Magnet, em uma busca com a palavra "guitar", os resultados "puxaram" as categorias "electric guitar", "amplified instruments" e "guitar magazines".

Contudo, uma busca mais específica, como nomes de pessoas, ainda não é capaz de retornar resultados, ao contrário do que acontece no Google. Outro problema, detectado pela Magnet, é que as buscas não são tão boas com palavras em português - os resultados são ligeiramente inconsistentes e as categorias extremamente disparatadas. A disponibilidade do site também estava bastante prejudicada: em certos momentos, foi impossível submeter uma busca sem receber a mensagem de "servidor ocupado". A opinião geral é a de que algum tempo será necessário para que o serviço amadureça, portanto comparar as duas ferramentas agora não seria muito apropriado.


fonte: http://www.geek.com.br/modules/noticias/ver.php?id=37665&sec=6

Rapidinhas

segunda-feira, julho 28, 2008



Olá... Séculos sem postar... poucas novas da província? Talvez não... o caso é que quando as novas não passam adiante elas acabam antes mesmo de sequer começar... outras acabam se perdendo no mar da nossa memória, essas só voltam ao acaso! Tenho alguns posts pela metade e outros por fazer (coloquei como um lembrete), mas hoje estou aqui anunciando que Por-Inzêmprio agora tem colaboradores novos e que vão oxigenar um pouco este espaço de balbúrdia e irreverência!!!





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Brief Notes | Rapidinhas | Xekerê
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Fui para uma festa este final de semana, e nem mesmo lá eu deixei de ampliar a minha coleção de inzêmprios... Precisando de gelo, um dos garçons disse que bastava a compra de 4 pacotes, dois de gelo fritado e dois de gelo normal... depois de muito se bater biela para entender (inlcusive se existe realmente um tipo de gelo esterilizado no processo de fritura... sei lá, este mundo cada vez mais orgânico e tecnológico, cheio de diversidades e sustentabilidades, vai que um gelo frito seja mais ecológio, econômico e socialmente mais responsável??) o que era este famigerado gelo frito, eis que, como pela providência espiritual onisciente de Sai Baba, alguém traduziu o óbvio: se tratava de gelo filtrado. A lógica, creio eu, é a mesma do preparo de feijoada com bacon perfumado (defumado).

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E por falar nas "ades" (não, pequena libélula, não é o suco saudável com soja - essa foi em homenagem ao Senhor Kesuke Miyagi), já perceberam que estes novos tempos de indefinição (a entre-safra de ideologias ou da negação delas), de fronteiras, questionamentos, crises e limites, rompimento e (re)(des)(cons)tru(ção) do contemporâneo (e da idéia de contemporâneo e de moderno), não é o sufixo "pós" que nos dá uma baliza mínima na compreensão do contexto no qual estamos inseridos ("pós-feminismo", "pós-moderno", "pós-industrial", "pós-punk", "pós-blablabla", "pós-yadayadayada"), mas o sufixo "ades"... não sabe como? Vão alguns inzêmprios: contemporaneidades, diversidades, sustentabilidades, conectividade, interatividade, responsabilidades (no caso da famigerada Responsabilidade Social)... e tem outras ades mundo afora... é só ouvir com atenção, e com a mente em paz e espírito contrito, com fé nos deuses hindus e no avatar Sai Baba para quê você não comece a se irritar. Principalmente porquê todas as vezes que (ao menos) eu escuto algum desses "ades" eu só conseguigo entender "fraudes"... tsc tsc

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Dicas internéticas: Conheçam ontem o buscador "Cuil" (blado, blado, blado, ponto-ponto, com, bê-érre). Ele diz indexar cerca de 120 bilhões de páginas e trabalha com duas coisas bacanas, a primeira é "busca inteligente" (busca pelo significado da sentença e não por palavras-chave, semelhante aqueles atendimentos insuportáveis das telefônicas... "desculpe, não entendi. Vamos recomeçar? Estamos de volta ao menu principal... UGHH!!!!). A outra coisa bacana é a busca segura. Este detalhe é importante porquê diz respeito a privacidade do usuário e da filtragem (ou seria uma "fritada?) dos conteúdos. Ainda não sei se presta, mas até agora achei um monte de coisa... tem uns lixos também, mas é bem mais limpo e mais rápido do quê o "gúgôl"... confiram e depois entreguem nas mãos de Jah.

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Dicas musicais: Alguém já ouviu falar em PUNK-CIGANO?? Procure já algo do Gogol Bordello!! A banda é multi-étnica e eles tocam música cigana em leitura rock'n'roll, fazem rock'n'roll no mundo cigano e dão sempre a impressão de que a vida é uma celebração. Ouvi várias músicas e não ouvi nem uma baladinha ou música lenta... só mesmo o porradão! Universo Klezmer e mambembe, letras que puxam a sardinha da vida libertária e uma leve brincadeira com os estereótipos impostos ao oriente europeu pelo ocidente quadrado e tirado a certinho. Recomendo três faixas que grudam nos ouvidos que nem chiclete de três "ontonte": My Strange Uncles From Abroad, Think Locally. Fuck Globally e "Wonderlus King. E tem mais: eles vem para o Tim Festival, que beleza!!! Nessa onda moderna e de antropofagia, apropriação e mistura, eis que temos um produto divertido e que qualquer um pode curtir, dançar... está longe do cansaço (eles não são nem um pouco sexies, parecem piratas, bucaneiros, mas exalam felicidade e ausência total de afetações e frescuras do mundo pop atual!!). Virei fã... vou ao show deles, nem que seja no espírito cigano, pegando carona na boléia de um caminhão, indo clandestino num navio, ou até de carroça!! E só mais uma curiosidade: eles já cantaram com Madonna naquele show que durou 24 horas (e ninguém assistiu, por sinal!) ao redor do mundo... eles fizeram uma versão de "La Isla Bonita" versão cigana e punk. nem preciso dizer que é a única versão da música que não agride aos ouvidos.


OLHA A CAPA DE "SUPER TARANTA"!!!






o myspace deles é /gogolbordelo e o site é o gogolbordello.com


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Informações adicionais (é o meu "o que ocorrer"!)... alguns links quebraram, estou resolvendo hoje (alguém sabe de um bom servidor free??w). A prioridade é por ordem inversa de publicação.

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No mais, desejo as mais sinceras boas vindas aos meus amigos que vão deixar este lugar mais bacana e mais agradável! E confiram um episódio da Pantera mais bacana de todas as critaturas vivas e animadas...


O que nós temos de Kublai Khan?

sábado, junho 21, 2008

Apesar do título, não vou discorrer sobra a obra de Calvino, mas algumas coisas dela vão me servir.

Sim, é nas madrugadas que as palavras vêm com maior freqüência e maior força... talvez seja o efeito do conflito sono X sonho X vigília... a eterna luta na guerra da insônia!

Hoje (ainda estou no dia 20, só é 21 depois que eu dormir!), tive a oportunidade de avançar em um trabalho que desde o início deste ano eu tenho burilado e flertado bastante: o trabalho em comunidade. Acho que tudo que eu já fiz (leia-se o Circuito Baiano de Samba de Roda e o Projeto Cordel do Pega Prá Capar) é bastante ligado à questão das ações na/da base, mas hoje eu pude conhecer uma experiência de uma associação comunitária daqui da cidade em um bairro violento e cujas situações de risco e vulnerabilidade social são bastante preocupantes. Este trabalho foi o desdobramento de uma consultoria que eu dei para uma instituição de ensino superior e para um trabalho de assistência que dei a duas pesquisas, dois trabalhos de mestrado, a primeira em 2004, da UFBA, e a segunda da NYU em parceria com o ISC/UFBA. Nos dois casos se voltou o olhar para as comunidades, os problemas de exclusão e omissão do Estado foram abordados de modo bastante diferente: um cuidava da questão da violência como um problema de saúde pública e o outro da exclusão do mundo letrado e do acesso restrito à informação mediada em equipamentos culturais, principalmente a Biblioteca Pública. Nos dois casos, a inclusão cultural foi apontada como importante vetor de melhoria na qualidade de vida e como forma de redução das situações de risco (não como uma ação isolada). A biblioteca, entretanto é apontada como menina dos olhos, objeto de desejo. Motivos são muitos... as bibliotecas, e alguns bibliotecários, ainda acham que a Biblioteca de Babel existe e sua sede é uma torre de marfim. Outros, os não-profissionais, uma parcela significativa da população que inclui os setores medianos da sociedade e alguns nichos da academia, consideram um equipamento ultrapassado e que devem se configurar em "Centros Culturais", seguindo o modelo francês. A biblioteca é um espaço público de cultura que conserva maior fato de publicização que os demais equipamentos, contudo. O acervo é (ou deveria ser) livre, a mediaçãoo se dá apenas no momento de pesquisa e nas técnicas de recuperação e disseminação. Enquanto no teatro e no cinema, a fruição depende de recursos externos ao interlocutor (os públicos, em última instância), e no caso da biblioteca, o objeto mediático é o livro, e sua fruição depende do leitor. Não pretendo tratar da qualificação da leitura ou da interpretação do texto, mas sim do acesso. O livro é um objeto íntimo, é táctil, visual. A biblioteca é o espaço onde se pode literalmente mergulhar e buscar as nossas "vindicações". Esse fetiche com a bibliteca gera, obviamente, distorções absurdas, um culto excessivo ao equipamento e sua(s) obra(s) e o distanciamento do público. Por outro lado, as disputas intelectuais, acadêmicas e políticas sobre o que é cultura (do ponto de vista de uma política cultural governamental), geralmente promovem um cisma entre leitura, livro e biblioteca, e as demais manifestações e equipamentos que lhes dão suporte. Principalmente em Estados cujos órgãos administrativos ainda estão se definindo no campo da cultura e das artes. Luís Milanesi, amado por uns e odiado por outros, trouxe em seu livro "A Casa da Invenção", grande ensaio em formato de manual prático que combina ficção e teoria/técnica na gestão pública da cultura, a idéia que as bibliotecas são objeto de desejo, mas um desejo que acaba se sublimando em outro desejo: na criação de um centro cultural. Ora, sabe-se que os grandes "centros culturais", como é o caso da Alemanha, são as Bibliotecas Públicas (que são diferentes das Bibliotecas Universitárias, Bibliteocas Especializadas, Bibliotecas Escolares...). Mas ainda resiste a idéia de que Biblioteca Pública é um repositório de livros e que um centro cultural é dinâmico e (supostamente mais) vivo. Falácias, falácias... mas deixe, meu filho, são bobagens...
Sabemos que as bibliotecas eram símbolos de poder e status, haja vista que apenas duas fatias pequenas da sociedade as possuiam: o clero e a aristocracia. O domínio da leitura e da escrita eram restritos e vistos como "luxos desnecessários", mulheres não estudavam, por exemplo. O fato é que as biblitoecas eram bens privados, e a partir da Revolução Francesa, com o ideal de universalização da alfabetização, é que surge uma noção de equipamento público de mediação da informação e cultura. Então, na qualidade de equipamento público, além do acervo literário, o espaço abrigaria outras atividades relevantes e que deveriam contribuir e complementar o aprendizado e o lazer. Isso se acentuou bastante após a II Guerra. Claro, não vamos esquecer que o fato de existir um equipamento de acesso público não promove o acesso instantaneamente, e principalmente porque a cultura letrada (e o capital simbólico evocado pela cultura) é excludente. Logo, a leitura era lazer para intelectuais (enfim, pessoas ricas, a elite, a nata!) e chatisse para as famigeradas "massas". A biblioteca é um equipamento distante da realidade da maioria das pessoas, mas continua sendo um objeto de desejo, um direito. Este raciocínio se ampliou para a questão dos centros culturais, ainda mais se a localidade possuirm escasso número de espaços destinados à produção artístico-cultural. É muita "cultura" e pouco "lazer". É um direito, mas é ditante que parece que nem todos têm esse direito!
Desde 2004, quanto tomei contato com o mapeamento de biblitecas públicas e bibliotecas comunitárias (e, logo em seguida, com o de teatros), percebi que, na omissão do Poder Público e na eterna quimera do direito ao acesso às bibliotecas, um sem-número de pessoas fizeram a hora e não esperaram acontecer: criaram, com recursos próprios e articulados em um modelo de gestão baseado numa rede social, colaborativa, as suas próprias biliotecas. São espaços improvisados, nem sempre confortáveis, com acervos limitados, poucos equipamentos de apoio e dificuldades na prestação de serviços. Porém, conseguiram o que poucas Bibliotecas Públicas conseguiram: o apoio de uma comunidade, visibilidade e freqüência. Além de se configurar em aporte para outras ações (culturais ou não). É um espaço de discussão, de realização de eventos, de debates sobre tolerância religiosa ou de ordem da orientação sexual, identidade e gênero. Coisa que nem os amigos da Biblioteca Nacional conseguiu com uma adesão tão grande.
Passei o dia lá... um dia pra lá de agradável, por sinal. Clima bacana, pessoas muito gentis, muita disposição para o trabalho, paciência e muitos sonhos... ao mesmo tempo tudo muito simples. Li um breve histórico, conversei com algumas pessoas do bairro, adiantei muitas coisas e saí de lá com vontade de concluir o trabalho e realizar outros tantos!
No caminho de volta eu fiquei matutanto sobre o dia e me lembre de Calvino, nas cidades invisíveis... mesmo o maior imperador da História (Kublai Khan) não podia conhecer as cidades que dominava, e nem mesmo Marco Polo pode se reportar com sucesso. Só visitando e conhecendo a única coisa que pode diferenciar uma cidade da outra: as pessoas. E para além disso, as cidades são muitas cidades, o discurso é dissonante e cheio de disparidades, mas nos acostumamos a vê-las com olhos preguiçosos. O país também são muitos países, mas não apenas diante das diferenças de sotaques, de PIB ou produção agrícola, mas que existem Brasis que a TV não exibe, talvez até mesmo por desconhecimento, tratado como exótico, diferente... aquele país da "gente que faz", quando tanto coisa está envolvida. Existem Estados paralelos, mas não apenas porque existe um crime organizado, mas porque as comunidades se organizam (a maioria das vezes SEM o auxílio do crime) e ocupam os espaços vazios que o Poder Público ignora ou desconhece. Este Brasil vive e acontece em silêncio, porque só é lembrado em momentos de polarização (ora, "Os meninos do tráfico", ora, "minha periferia", da Regina Casé). Ele não te pede autorização para existir, e existe mesmo que você o negue, porque ignorá-lo é, de alguma forma, tentar uma anulação de sua existência. Essas pessoas consiguiram em pouco tempo muitas coisas que instituições grandes e o Poder Público não conseguiu. E quanto às bibliotecas, eles superarm o fetiche da leitura e da biblioteca e partem com os pés no chão. Eles têm suas próprias bibliotecas, seus museus, se articulam, realizam eventos e trazem benefícios para os moradores com recursos pífios! R$1.000,00 para uma associação dessas faz toda a diferença, enquanto para os cofres públicos não passa de centavos. Em poucos anos, a associação que visitei auxiliou alunos secundaristas, universitários, inscritos em concurso, se profissionalizou (dentro do possível), teceu redes de parceria... e o melhor: sem aquele ranso das instituições oficiais da cultura, praticantes da pedagogia da libertação que subjulga o Outro... os exemplos "Quanto Vale ou é por quilo" e aqueles jovens ativistas expostos em "Tropa de Elite" são bem ilustrativos, embora tendenciosos. Mas existe, sim, uma indústria perversa de "projetos" (coloquei entre aspas para sinalizar um tom irônico) culturais e sociais... enquanto os realizadores deles andam de carros importados, a comunidade vive à míngua com migalhas.
Espero poder contribuir com eles, mas eles me deram a maior contribuição: confirmaram algumas idéias minhas e reforçaram meus ideais.

Bom São João (porque alguém deseja isso, mesmo? "Feliz Natal" eu até me esforço pra entender.... deveriam dizer: "Um engov antes, outro depois" ou "não abuse das drogas" ou "cuidado com as espadas" ou sei lá... cansei!)

Ser ou não ser saudosista?

segunda-feira, junho 02, 2008

A gente sabe que está mais velho quando vê os seriados que passavam na nossa infância na faixa "Nick@Nite" ou, no já extinto, bloco de clássicos do Boomerang... ná tinha pensado nisso? Apois, pense agora!!!

Acho este termo complicadíssimo, devo dizer antes de discorrer sobre o assunto. Tudo que envolve a memória sempre é complicado! Eu mesmo não gosto de falar disso, mas... (aquele "mas" característico do nosso querido Golias - que descanse em paz!) ultimamente algumas coisa me chamaram a atenção para as coisas passadas.... entre novos reencontros, reuniões não (tão) planejadas, voltas, mas basicamente, o que andou mexendo com meu lado nostálgico foi o "São YouTube".
Pude rever todas aquelas tosqueiras maravilhosas da minha infância: aberturas dos desenhos e seriados, alguns episódios completos, clipes... nossa, eu jamais imaginei que fosse ver.

Nota do blogueiro: Eu fui uma criança extremamente solitária, embora na época, assim como hoje, eu não me importasse muito com isso, até gostava. Acho que muitas crianças da minha época aprenderam a curtir sozinhas, haja vista que brinquedos como LEGO, PLAYMOBIL e similares fizeram tanto sucesso... além desses brinquedos, a TV, os livros, os gibis e revistas como a antiga HERÓI e ANIMAX, tornavam meus dias bastante ocupados... além disso, não tenho registro em agendas, e na época de minha infância e adolescência ainda não havia descobrido o prazer da blogoterapia... uma pena!

Depois de horas revendo os vídeos, procurando informações e matando antigas cuirosidades, fiquei pensando, acho que todos pensam assim por um segundo que seja, e com aquele desejo bobo de reviver aqueles dias, ou apenas um daqueles dias (de preferência os mais tranqüilos, não? haha)... Não cheguei a me constranger com as lembranças... para algumas eu fiquei um pouco indiferente e para outras eu fui bem longe.

Na viagem de volta, de pensamento em pensamento, logo veio a minha mente duas passagens, uma do Livro do Desassossego e a outra de Alvaro de Campos, do poema "Aniversário"... outras passagens me vieram à mente, principalmente alguns poemas do Jorge Luis Borges - por inzêmprio, um poema lindíssimo chamado "nostalgia do presente" passagens de contos como "os tigres azuis" ou trechos de "A casa dos Budas Ditosos" (não, não me refiro a descrição das peripécias sexuais da narradora, perverts!, e sim de quando ela versa sobre a nostalgia e a saudade). Todos tratam, mesmo que na tangente, da memória e da sensação de perda diante da passagem do tempo. De qualquer forma, esses dois do Pessoa já me servem com bastante folga. Vamos, então:

Lembro-me de quando era criança e via,
como hoje não posso ver,
a manhã raiar sobre a cidade.
Ela não raiava para mim,
mas para a vida.
Porque então eu, (não sendo consciente)
eu era a vida.
E via a manhã e tinha alegria.
Hoje venho a manhã, tenho alegria,
e fico triste.
Eu vejo como via,
mas por trás dos olhos, vejo-me vendo,
E só com isso, se obscurece o sol,
O verde das árvores é velho,
E as flores murcham antes de aparecidas

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha,
Estava certa como uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperança

Embora o ponto de partida seja o mesmo, e o tema seja tratado com igual delicadeza e igual crueldade (não pretendo fazer uma análise poética ou estética... nem se empolguem! - e alguém se empolga com o que eu escrevo? hahaha Se sim, me avisem!), os ângulos são bem distintos.
No primeiro, olhando a cidade amanhecer, seja no youtube, no orkut ou lendo o que restou de lembrança nas caixas, cadernos, camisetas assinadas (alguém ainda assina camisa no final das aulas?) de imediato se percebe que aquela primeira sensação está perdida. Repetições são impossíveis.
O trecho extraído do "Livro do Desassossego" ilustra a minha sensação diante dos desenhos e seriados que eu assistia na minha infância: uma comida requentada, levemente ou quase estragada. Ou talvez como se fosse profanado um templo sagrado...
Entender que tudo sempre foi fosco e os olhos simplesmente tinham o poder de dar vida e cor as coisas é algo desconfortável, no mínimo. Por isso, não gosto muito de ir na onda do saudosismo... o passado não é necessariamente melhor ou pior.
No entanto, rever e de algum modo emular as sensações da infância é, sim, muito bom, revigorante em alguns casos, mas depende muito de como for feito. O problema está quando elas são colocadas em um patamar superior, quando são por nós sacralizadas e ficam tão inatingíveis, que passam a ser uma ameaça, fica doloroso lembrar.
Borges disse uma vez que o importante não é ler, mas reler. Um de seus personagens disse na vida ter lido apenas 4 ou 5 livro (vou olhar depois para me certificar, mas se estiver errado, e alguém souber, pode me corrigir!), estes foram justamente os que ele lia e relia. E, se a principal leitura que fazemos é a do livro de nossa vida, o ofício exige cautela e calma. Primeiro porque esse costume bobo de achar que o passado sempre foi melhor, mascarar as lembranças, fantasiar que tudo foi bom... hmmm, isso é um caminho perigoso, e a nossa amiga narradora do livro "A casa dos Budas ditosos" (do mestre João Ublado Ribeiro, ilustre cidadão da Ilha de Itaparica) já nos explicou isso com muitos detalhes.
O verde velho das folhas sempre esteve lá, e as flores sempre estiveram murchas... o problema é admitir que os nossos olhos também envelheceram e estão vendo mais cinza do que deveria...
É justamente neste ponto que os dois textos se encontram: na quebra com o sagrado da infância no poema "Aniversário", que aqui estou livremente utilizando como complemento. Da infância sobraram as esperanças que nunca se realizaram, e tampouco se realizarão, e o tempo, visto como o Rio Aqueronte ou o Styx, traz as eternas separações. Ser criança é ter a certeza de que todos estão vivos. A palavra morte raramente faz parte do vocabulário infantil, fora dos desenhos de luta, a idéia da morte é algo abstrato e pouco compreensível. Essa segurança que sentimos na infância é posta em xeque. Olhando para trás, se percebe as farsas. "Quais eram as minhas esperanças?", diz Caetano Veloso na letra da música "O Nome da Cidade".
O passado foi tão difícil quanto é o presente, dificuldades diferentes, mas tão complicadas quanto... em bom cristianismo: a "cruz só aumenta e fica pesada", "Deus só dá a Cruz pela força de quem a carrega" ou ainda "Deus dá o cobertor de acordo com o frio".
A minha grande saudade da infância eram meus sonhos e minhas esperanças, não fui (muito) inconseqüente, e por mais que eu queira negar, fui, sim, muito ingênuo (acho que isso deve ser bom, apesar dos problemas que me trouxe) e daltônico às avessas haha.
O caso é que estes dois textos, embora tão cruéis (já que é cruel crescer... o nascimento, o parto, é doloroso, e talvez seja uma das grandes metáforas da vida), são bem reconfortantes... primeiro porque tentam universalizar um sentimento e uma frustração, a ponto de naturalizá-la, e depois porque eles, de certa forma, neutralizam essa sensação de que falta um pedaço. Faltará sempre um pedaço. E isso é bom.
Outra conseüência bacana dessa experiência é perceber que algumas coisas mudam profundamente e outras, não. Depois de me colocar no divã com Seu Pessoa, Seu Borges e Dona Casa dos Budas Ditosos, posso mais uma vez voltar ao YouTube...
O tempo segue sendo essa vedete... hehehe... todo mundo fala! Termino hoje com uma música do David Bowie que se encaixa aqui também... (pensei em colocar "o tempo não pára", na versão original ou na versão inclassificável do Ney Matogrosso, mas como escrevi este texto ouvindo "Hunky Dory", "Space Oddity" e "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars", David Bowie foi quase uma imposição. haha). A música se chama "Changes"... conhece? Está em uma das propagandas de Vh1...

Prometo que os próximos textos serão mais engraçados... tenho saído pouco e perdi meu "bloc" (o blog físico que anda comigo onde eu for!)... encerrei o assunto memória, por hora, pelo menos...


CHANGES
(crique aqui e faça o "daúnloudil")

Low down
Ooo

Still don't know what I was waiting for
And my time was running wild
A million dead-end streets and
Every time I thought I'd got it made
It seemed the taste was not so sweet
So I turned myself to face me
But I've never caught a glimpse
Of how the others must see the faker
I'm much too fast to take that test

Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Don't wanna be a richer man
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Just gonna have to be a different man
Time may change me
But I can't trace time

Ooo yeah
I watch the ripples change their size
But never leave the stream
Of warm impermanence and
So the days float through my eyes
But still the days seem the same
And these children that you spit on
As they try to change their worlds
Are immune to your consultations
They're quite aware of what they're going through

Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Don't tell them to grow up and out of it
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Where's your shame
You've left us up to our necks in it
Time may change me
But you can't trace time

Strange fascination, fascinating me
Ah Changes are taking the pace I'm going through

Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Oh, look out you rock 'n rollers
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Pretty soon now you're gonna get older
Time may change me
But I can't trace time
I said that time may change me
But I can't trace time

Reconduções e entrelaces teórico-filosóficos nos limites e fronteiras dos rumos possíveis do rompimento do cânone e do olhar transdiciplinar plural

quinta-feira, maio 22, 2008

Se este missivista (de 23 outonos recentemente completados) tem uma saudável obseção, ela atende pelo nome de "elocubração acadêmica" - um carinhoso apelido para aquelas frases de efeito, aforismos, máximas, mínimas... enfim, aquelas frases que a gente acha absolutamente bonitas e que se colocam um (ou talvez inúmeros) nível acima de nossa... ahm... ahm... hummm... inteligência.
Ainda quando calouro na famigerada Universidade Federal da Bahia na imaculada Faculdade de Comunicação, eis que, na empolgação caloura, freqüentei o máximo de palestras, fóruns, simpósios, encontros e mesas redondas que se possa imaginar... no início eu entendia pouca coisa, mas julgava não entender porque eu ainda estava verde, não conhecia os termos nem o jeito de me comportar, imaginava dominar algumas coisas, mas ficava na minha... claro, fui um calouro bastante convencional (desses que entram na universidade com eras glaciais de experiência acadêmica e cheios de questionamento e "posturas" quanto aquelas famosas "questões e problemáticas" e os famosos "muros" da academia - sim, hoje estou exorcisando o calouro que existe em mim!).
O mais legal foi que, ainda calouro, comecei a desconfiar das farsas e fraudes (não me refiro aqui aos plágios, por favor!!!) daqueles belíssimos discursos proferidos com tanto afinco e altivez, além das perguntas, tréplicas, debates eufóricos, apaixonados...
A primeira coisa que eu entendi foi que eu gosto do ambiente da universidade... afinal, uma maçã não cai muito longe da macieira: filho de pais professores e pesquisadores (de áreas do conhecimento não muito afins), nascido e criado na segurança dos "portões, muros e questões problemáticas da academia", entrei em uma escola que me apaixonou... então curtir essas coisas estava no pacote! Logo dei um jeito (ou pelo menos o meu jeito) de desenvolver pesquisas, apresentar comunicações, escrever artigos, até criei um blog e... ops, digressões, digressões...
Bom, voltando: entrei na universidade e confirmei que gosto dessa coisa acadêmica (por menos ortodoxo que eu seja e por mais próprio que seja o meu jeito de gostar)... esses eventos passaram a ser jeitos de aprender algumas coisas, alguns me ensinaram apenas palavras bonitas e como aliterações e paráfrases podem ajudar ou até mesmo transformar radicalmente um artigo, uma fala, uma conferência.
Agora, se uma coisa está ou não sendo dita, aí são outros quinhentos!!!
A primeira vez que eu presenciei uma elocubração foi quando após 25 minutos de uma conferência lida por um renomado pesquisador da UFBA ele disse que "tudo não passava de um dilema ético-político no âmago da intelectualidade. Muito obrigado". Desde então eu desconfio muito do uso de determinados lexemas ao invés de outros e da fé cênica empregada quando do seu uso. Como falei antes, no início eu me achava burrinho por não entender nem 10% das coisas que eu ouvia nas palestras e conferências (bom, burrinho eu ainda sou!!!) e pior: me achava o único burro, porque as pessoas anotavam muitas coisas em seus bloquinhos e cadernos, enquanto nos meus eu colocava apenas um ou outro livro, um e-mail do pesquisador, uma passgame bacana, uma elocubração de destaque (lógico!). Mas, de fato, eu me dedicava a rabiscar com cuidado e apreço todas as folhas timbradas... fora que as pessoas traziam no rosto aquela expressão de "tô entendo tudo" e nos coffee breaks (acho "coffee break", por sinal, um nome cafona para intervalo.... uma breguice pura!!! As pessoas esfomeadas cerceando o comportamento alheio... humpf! Antes de comer, faça pose de educado, pegue um pãozinho délicia - tradição da Bahia é chamar pãozinho de "pãozinho dÉÉlicia" - e depois, quando nínguem mais estiver, pegue vários, guarde na bolsa/mochila/sacola do congresso e coma discretamente durante as palestras... "bobagem, meu filho, bobagem...") converse bastante, contraponha os argumentos apresentados, questione a fala daquele especialista franco-alemão que estudou numa universidade inglesa e tem 45 livros publicados, diga que achou a fala dele superficial ou que ele simplesmente não "coordena bem as idéias" ou que ele é "epistemologicamente incorreto"... sim, todos os exemplos são coisas que eu já ouvi por aí... seja lá o que cada uma dessas coisas signifique... como eu disse, não entendo muito bem dessas coisas.. eu sou um amante da academia, mas não sou intelectual e inteligente... é quase como o mundo dos cansados: vou mas não entendo aquele dialeto exótico que eles falam.
Mas nem sempre escapamos das elocubrações... elas podem emergir até mesmo em uma inocente aula... e se o tema da aula ou da disciplina for remotamente ligado a filosofia, sociologia ou alguma teoria pós-contemporânea, cuidado... você pode ouvir coisas como "...o mundo poderia e deveria ser uma única estrutura, nós poderíamos ser uma única carne, víva e pulsante..." ou perguntas como "e como resolver tamanho dilema ético-filosófico quando a possível forma de elucidar essa questão é um possível oxímoro, professor?"... é por isso que eu cramo!

"sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro [...] mas eu prefiro abrir as janelas para que entrem todos os insetos"

E os títulos??? Ah, esses merecem um post a parte!!! Peguem os programas de congressos, encontros, e eventos semelhantes... "simpósio", tem nome de evento naturalmente intelectual do que "simpósio de ciências humanas e ciências sociais aplicadas: o olhar multidisciplinar para a discussão das reintrâncias metodológicas na análise antropológica da obra literária contemporânea em um contexto global"... talvez isso seja despeito, sou péssimo de títulos... os meus artigos sempre tem títulos diretos e objetivos (pelo menos os mais antigos... heheheh... os mais recentes tem esses enfeites)... i.e: quando fui falar dos públicos de um teatro daqui de Salvador, eu escrevi "Públicos do Teatro Sesi Rio Vermelho", mas na verdade eu deveria colocar algo mais chamativo... colocar uma "conseqüência", uma "abordagem", algo que desse destaque. Bom, com relação aos títulos, devo dar um desconto, porque quem diz que um livro não se julga pela capa, além de um grande mentiroso, é um bobo hipócrita! Os títulos dos "simpósios" e dos artigos e comunicações devem chamar atenção, imaginem que alguns congressos chegam a ter 10 ou 20 apresentações simultânes, todas interessantíssimas, relevantes, por pesquisadores com lattes de respeito, especialistas naquilo que está na ponta, todos estão na sua bibliografia da iniciação científica, monografia, dissertação ou tese... o que fazer? O diferencial é sempre o título, afinal, as aparências nem sempre enganam... e se é bom, que pareça ser bom, ora essa! Tá, os títulos se salvam, mas e as passagens cretinas das falas? Aquelas que tem um objetivo meramente cosmético? Ou pior seria esse código de comportamento ("não tô entendendo nada, mas sou excelente ator, minha cara diz que tô sacando tudo!")... Bom, nem tanto nem tão pouco, meus jovens... Não confundir a cara dos intelectuais silenciosos com a cara de interessado! Elas são sensivelmente distintas. Humildade é bom, mas na academia, uma das maiores fogueiras da vaidade da História da humanidade, este termo não deveria existir... hehehe É um menu de opções variadas, e na dúvida, o jeito é escolher o mais bonitinho, mesmo. Claro que isso acabou invertendo as coisas: vira um campeonato e vence aquele que for mais complicado, ainda que tudo aquilo que foi dito não signifique absolutamente nada! Tem frases de efeito e fé cênica? Então passa... Alguém precisa gritar que o rei está nu!!!!



MURIEL, O REI ESTÁ NU!!... E ESTÁ REALIZANDO UMA PALESTRA!!!
ARRRRRGHHHH!!!!!!!!!

Dica valiosa: vamos usar o portal da capes e o scielo!

sábado, abril 12, 2008


Bom, que nós dispomos de grandes mecanismos de acesso facilitado e público de informação não é novidade para ninguém. Não me refiro apenas aos search engines (google, yahoo, etc...), mas de portais de informação como o Scielo, Portal de Periódicos Capes (o maior banco de dados de periódicos do país e um dos maiores do mundo), Google Scholar, além dos bancos de teses e dissertações das universidades e dos programas de pós-graduação, periódicos que funcionam no sistema SEER (que chegou até nós graças ao IBICT - Instituto Brasileiro de Ciência Tecnologia e Inovação), temos um sem-número de sites pessoais ou de organizações que se dedicam a publicar (no sentido mais lato da palavra) acervos (raros ou não) para qualquer usuário interessado (experimente colocar no google "acervo + download + domínio público").
Não me refiro aqui aos sites que se dedicam a publicar obras ou acervos que ainda estão sob domínio privado e protegidos por alguma lei de direito autoral, mas do conhecimento produzido por universidades e institutos de pesquisa, periódicos eletrônicos e, principalmente, de acervos (quer seja de literatura, música, audiovisual ou demais linguagens) de interesse público que já se encontram em domínio público. Como sabemos, não basta estar em domínio público para efetivamente ser público, isto é, tornado público de fato. A iniciativa destes portais é a de sistematizar o acesso desses dados Os pesquisadores já conhecem o Scielo e já ouviram falar no "Portal da Capes" (como é mais conhecido). A diferença do primeiro para o segundo é enorme, embora ambos trabalhem com princípios e objetivos comuns. O Portal da Capes é mais complexo e muito difícil de usar, mas não é impossível, podemos acessar fora das universidades, inclusive (basta ter um ID ou e-mail "@universidade qualquer"), este serviço dispõe de ferramentas mais avançadas: enquanto o scielo começou como uma base de dados da área de saúde (a área de saúde é uma grande concentradora de recursos e esforços na área acadêmica e reponsável por grandes avanços nas demais áeas do conhecimento, inclusive muitos costumam "adequar" suas pesquisas para encaixar neste campo, afinal os recursos são substancialmente maiores... as ferramenteas são utilizadas inclusive pela área de ciências humanas, e um bom exemplo disso é a consolidação do SPSS) , mas hoje é uma das bases de dados de maior importância o cenário acadêmico nacional e internacional. Assim como o portal da capes e google scholar, se facilita o acesso de publicações indexadas e disponíveis na web. Então se encontra muita coisa, mas muita coisa mesmo... o que derruba por terra a conversa de muito orientador que diz que determinada bibliografia só existe em italiano, francês ou espanhol. Se acha de tudo! Sabe aquele assunto que vc jutra que é uma idéia sua? Lá já tem 50 artigos só dele! É muito bom... Usando o "Portal da Capes" em consultando a "Plataforma Lattes", além de achar a informação desejada, é possível saber a trajetória do autor!
Então nós, humildes juniores na arte da pesquisa estamos salvos? Necessariamente não. Estas ferramentas de acesso facilitado a informação indexada não é devidamente utilizada (ressalto que em números universais, a taxa de utilização é altíssima, a ponto do google scholar ser um critério para qualificar as publicações e meio de facilitar a infometria), porque, apesar de todos os universitários precisarem desenvolver pelo menos uma pesquisa durante seu curso, o famigerado TCC (ou Trabalho de COnclusão de Curso), encontramos dois grandes problemas: não se sabe utilizar os search engines como se imagina (por mais facilitados que eles sejam) e não existe o costume de freqüentar o maior equioamento de referência no ofício da pesquisa - a biblioteca.
A bibliteca universitária é o repositório de um conhecimento produzido e dispõem, ao menos em nível ideal, de profissionais e de uma infra-estrutura que facilita o acesso à informação e ao acervo (inclusive dispondo de inúmeros softwares). O problema é que as bibliotecas universitárias, assim como as bibliotecas públicas, sofrem de um mal crônico: valorizamos as bibliotecas como símbolo máximo do conhecimento, como repositório e fortaleza do conhecimento produzido, como espaço de combate ao analfabetismo, mas... as bibliotecas, por conta de sua estrutura histórica, inversão de valores, atuação dos profissionais e a influência dos setores médios da nossa sociedade, faz com que os espaços se tornem santuários, fazem dos livros obras sacras e imprimem a simples ação de buscar um livro e realizar uma leitura qualquer, em seguida, algo complexo e difícil. As bibliotecas são queridas e amadas, são arquétipos da liberdade e da vitória dobre o analfabetismo e do fim da cegueira. Mas, se este ideal iluminista é lindo no papel, é ordnidário no cotidiano. As Biblioteca Públicas são equipamentos relativamente recentes, sobretudo quanto a função definida a partir de um manifesto da UNESCO punlicado em 1995, que descreve a estrutra de funcionamento e os objetivos de uma BP, que se alinha inclusive a nossa idéia de "centro cultural", espaço polivalente, que tem condição de abrigar diversas linguagens artísticas, linguagens culturais distintas (teatro, cinema, artes plásticas) e ainda dispõe de um acervo literário. Nós vivemos no seguinte contexto: as bibliotecas (assim como os teatros, museus, galerias) são locais inatingíveis, e de utilização restrita. No cotidiano da urbe, os teatros, museus e bibliotecas são do domínio de intelectuais e das classes altas. Daí o costume de ir assistir uma peça qualquer usando "roupa de sair" e ir a bilbioteca com aquele ar de ir a igreja. Nos dois casos o silêncio é uma lei, ficar calado é uma ordem. O teatro ainda permite o riso e o choro, mas somente no momento oportuno. Fora que a história de "teatro é cultura" e "ler é cultura" também acaba por afastar as pessoas... esqueceram de explicar que ler é diversão, é lazer, é alegria... que ir ao teatro é lazer, e não apenas quando a peça é uma comédia, e que não há nada errado com a comédia! "Ler é bom", dizemos. Mas, Paulo Coelho não pode! Além disso, as pessoas assimilaram uma idéia torta de cultura, que a UNESCO, Ministério da Cultura, a atual Secretaria da Cultura (e suas autarquias Funceb e Fundação Pedro Calmón) tentam combater. Não é fácil. Cultura não é apenas o erudito... mas é comum assimilar "cultura" ao erudito "cultivado". E numa sociedade pós-rural (eu disse pós?) e pós-ditatotial (eu disse pós???), as coisas se complicm ainda mais... principalmente que o ditatorial é pós-colonialismo.... e um colonialismo exploratório! Tudo conspira contra estes equipamentos... Ora bandeiras da liberdade, ora símbolos máxmos da castração... ordem e silêncio! Os bons profissionais, das áreas do teatro, biblioteca, museus e galerias (embora aqui meu foco seja a biblioteca e a informação) para além da propaganda e das velhas palavras de ordem, estão invertendo o fluxo do público: não se supõe (ao menos totalmente) o que os públicos buscam, mas se busca compreender o que estes púbblicos procuram e quais as soluções que eles encontram para a ausência destes equipamentos culturais. Em Salvador, por inzêmprio, há pelo menos 12 bibliotecas comunitárias mapeadas e estudadas, consideradas pela pesquisadora Ivana Lins, em seu trabalho de mestrado, como "espaços alternativos de leitura" - não se constituem como bibliotecas, embora funcionem como espelhos. Estes espaços, além dos inúmeros grupos comunitários de teatros, teatros improvisados, gurpos de teatro de rua (este missivista trabalha com dois grupos de teatro, resslato que são grupos periféricos e conhece pelo menos 50 grupos, sendo que Salvador dispõe de, no máximo, 40 teatros, e destes, apenas 20 estão em plenas condições de funcionamento e apenas 10 possuem programação constante), promovem, nas periferias e bairros afastados do corredor cultural da cidade, o acesso a bens e serviços culturais. Lembrando que o volume demográfico das periferias é sempre superior ao do centro. Deste modo, as biblitecas públicas seguem em silêncio, assim como teatros e museus. Elas são bens imensuráveis para todos, dominadas pelas classes médias, porém, utilizadas por poucos. São templos sagrados... o problema é que nem todos são religiosos.
Como isso afeta a (baixa) uilização das bases de dados pna pesquisa? O acesso a universidade aumentou vertiginosamente, porém, sabemos que a maioria das escolas não dispõe de biblioteca, e quando dispõem, não possuem um profissional capacitado na gestão. Muitas possuem biblitecas fechadas, algumas são espaço de castigo, inclusive. Portanto, a maioria dos universitários sequer entrou em uma biblioteca escolar, e olha que se formos falar em bibliotecas públcias o número é ainda mais alarmante! Então sem saber usar uma biblioteca (sobretudo com as funções avançadas de recuperação de informação conseqüentes da catalogação eletrônica), como saber utilizar bases de dados como o portal de documentos da capes e o scielo? Continua uma coisa meio maçônica, quando é algo tão trivial quanto comprar tomate em feira livre. E até nesta situação tem quem vire pavão pra dizer que sabe usar e, efetivamente usa, estas bases e quem fique constrangido de não saber usar e...
... aqueles que nunca ouviram falar!
Vira e mexe recebo por e-mail uma mensagem dizendo que o governo vai fechar o Portal da Capes por falta de utilização... sob este prisma as bibliotecas também deveriam ser fechadas! Ambos vão continuar funcionando. Mas dependemos dos profissionais pra quebrar esta imagem cristalizada que envolve o acesso à informação. Além do portal da capes há inúmeros portais de e-books, bases de literatura, mangás (?), HQs(!!!!!)... e todos são parcialmente utlizados... em parte pela baixa instrumentailização e pela falta de informação prévia dos instrumentalizados... a web 2.0 tá aí! Mas se não resolvermos os problemas da 1.0 vamos chegar na 10.9 com os mesmos problemas elementais e os erros crassos!
Confiram os sites do IBICT, Portal de Periódicos Capes, Sieclo e no site da bibliotece de sua IES (faculdade, centro universitária ou universidade), as bases de dados, procure um bibliotecário, se ele for bom, saberá te informar e te ajudar!


Não sou uma traça de livro... ou sou?
Sou um vírus que vaga pela internet, isso sim!
Até breve!

Studio !K7 Records #2

quinta-feira, abril 10, 2008

Continuando a sessão especial sobre a gravadora Studio !k7 Records, hoje eu vos apresento a Koop! Divirta-se, minha querida patuléia leitora!



Koop é o nome da dupla sueca de jazz eletrônico (também conhecido como "nu jazz" ou "new jazz") formada por Magnus Zingmark e Oscar Simonsson . A banda (que inclui ainda a vocalistaYukimi Naganocombina) trabalha com os elementos básicos do jazz combinados com recursos da música eletrônica (a faixa "Soul for Sahib", do album "Waltz for Koop" é um bom exemplo disso), percussão (alguns que beiram em incursões tribais), sintetizadores, samples, ritmos latinos e ainda flerta com a bossa nova (nas faixas "Summer Sun", do album "Waltz For Koop", e "The Moonbounce", do disco "Islands for Koop", encontramos referências ao estilo de Tom Jobim e Sérgio Mendes).
Além dos três discos lançados pela gravadora Studio !K7, a dupla já participou de vários projetos, contribuindo com remixes de gravações de outros artistas, destacando-se, dentre eles, a faixa "Here's That Rainy Day", de Astrud Gilberto, lançada na compilação "Verve Remixed". O som é bastante agradável e vem na medida certa, nada de exageros experimentais, destaque para a faixa "In a Heart Beat", do album "Waltz for Koop" e "Drum Rythm", do album "Islands for Koop".


Confira aqui Waltz for Koop (rapidshare)











Confira aqui Islands for Koop (rapidshare) - TÁ NO AR E NOVO!











Discografia:
1997 - Sons of Koop
2002 - Waltz for Koop
2003 - Waltz for Koop - Alternative Takes
2006 - Koop Islands
Mais informação? Conheça o site oficial da banda www.k-o-o-p.com e proveite para conhecer também o perfil da banda no site myspace aqui

Os próximos da lista já fizeram até show no Brasil: Hot Chip e Erlend Øye (de quem eu falo tanto!). Aguardem o post, ó mortais!

Especialistas dos EUA encontram mais antiga gravação de voz

28/03/2008 - 17h05
Por Will Dunham

WASHINGTON (Reuters) - Historiadores dos registros sonoros norte-americano localizaram e conseguiram executar a gravação de uma canção folclórica realizada por um inventor francês em 1860 --a mais antiga gravação de som conhecida, realizada 17 anos antes de Thomas Edison inventar o fonógrafo.

"É mágica", disse David Giovannoni, um dos historiadores, na quinta-feira. "Como ouvir um fantasma cantando."

Com duração de 10 segundos, a gravação mostra uma pessoa cantando "au clair de la lune, Pierrot repondit" ("à luz da Lua, Pierrô respondeu"), parte de uma canção francesa, de acordo com o First Sounds, um grupo de historiadores do registro sonoro, engenheiros de gravação, arquivistas de áudio e outros profissionais dedicados a preservar as mais antigas gravações sonoras humanas.

A gravação foi realizada em 9 de abril de 1860 pelo inventor parisiense Edouard-Leon Scott de Martinville, em um aparelho que ele chamou de "fonautógrafo", que gravava ondas sonoras em uma folha de papel escurecida pela fumaça de uma lâmpada a óleo, disse Giovannoni.

O pesquisador disse ter sido informado em 1º de março sobre a existência do registro, em um arquivo de Paris, e viajou à capital francesa uma semana mais tarde. Especialistas que trabalham com o grupo First Sounds então transformaram as ondas registradas no papel em sinais sonoros.

"Isso é importante em tantos níveis diferentes," disse Giovannoni em entrevista telefônica. "Não reduz de maneira alguma as realizações de Thomas Edison. Ele continua a receber crédito como a primeira pessoa a ter registrado sons por meios mecânicos."

"Mas a verdade é que ele foi a primeira pessoa a registrar som e conseguir reproduzi-lo. Havia muita gente trabalhando em projetos semelhantes ao de Scott, entre as quais Alexander Graham Bell, que realizou experiência com representações visuais do som antes que Edison inventasse um método de reproduzir os sons registrados", disse Giovannoni.

A gravação será apresentada na sexta-feira em uma conferência da Association for Recorded Sound Collections, na Stanford University, Califórnia, disse Giovannoni. A gravação pode ser ouvida em www.firstsounds.org/press/032708/index.php.

fonte: uol música

Poesia para descontrair

domingo, abril 06, 2008

A sonhar eu venci mundos
Minha vida um sonho foi.
Cerra teus olhos profundos
Para a verdade que dói.
A Ilusão é mãe da vida:
Fui doido, e tudo por Deus.
Só a loucura incompreendida
Vai avante para os céus.

fernando pessoa

Nos embalos do dia internacional do teatro

terça-feira, abril 01, 2008

No dia internacional do teatro e do circo, além da infinidade de espetáculos realizados em todo país para celebrar o dia, contamos com uma infinidade de manifestações quanto às questões públicas da cultura, e principalmente uma grande manifestação que partiu da área do teatro contra o maior mecanismo de financiamento cultural do país: a famigerada lei rouanet.
O mecanismo acumula queixas, questionamentos e reclamações quanto a sua eficiência, eficácia e efetividade desde sua promulgação e de suas primeiras ações. No ambiente acadêmico encontramos - não apenas no campo cultural (ou da econômia e políticas da cultura), mas também no das artes (teatro, principalmente), gestão, comunicação, saúde (?), biblioteconomia e ciência da informação, só para citar os que eu conheço, tem muitos outros, pode ter certeza... e se você tiver curiosidade coloca no "google scholar" ou no portal de periódicos da capes - um volume extenso de pesquisas sobre a principal forma de financiamento público da cultura no país. Sabemos que o setor cultural possui um potencial econômico significativamente elevado, potencial de movimentação financeira, geração de empregos (direta e indireta) transferência de capital e fácil associação com outros setores econômicos. Uma programação cultural qualquer, por inzêmprio um show de samba-de-roda, atrai uma determinado quantidade de pessoas (a audiência do tal evento!), portanto, junto com eles vêm aqueles prestadores de serviço que todos conhecemos: o vendedor de cachorro-quente, churrasquinho, uma barraca de capeta (hahaha), uma outra de bebida, vendedor de balão, bicho de pelúcia, vendedor de cerveja etc, etc... estamos cansados de ver isso no carnaval, né? Mas notem que eu me referi a um evento cultural de samba-de-roda, uma manifestação que, supostamente, não é tão grande (resguardem as devidas proporções, por favor!) quanto o sambinha do recôncavo, de caboclo ou da zona rural. Nesse caso específico, trata-se de um evento em um bairro, movimenta-se a economia do bairro. Esquecendo os empregos indiretos (a maioria dos empregos gerados pela cultura, por sinal... sim, e quando eu falo de indiretos eles podem ser formais ou informais...), temos os empregos diretos que compõem a extensa cadeia produtiva da cultura: os técnicos de som e iluminação, eletricistas, produtores, artistas, roadies, assessores de comunicação e imprensa, fotógrafos, operadores de câmera, demais staff members que eu costumo chamar de "pessoas que definitivamente lutam a batalha da cultura: montam e desmontam o palco, carregam os equipamentos de som, os equipamentos de luz (e acreditem, eles não são NEM UM POUCO LEVES!). Isso só para citar um evento pequeno! Então temos uma cadeia pra lá de complexa... como diria Caetano, "o segredo nem eu mesmo sei". Mas porque eu falei tudo isso mesmo? Para ilustrar o segmento da economia cujo principal suporte é lei rouanet (grosso modo, é mecanismo de renúncia fiscal para patrocinadores culturais). A grande queixa se dá sobre a efetiva participação e mediação da lei e do Estado diante das produções e projetos financiados por meio da lei. Outro ponto que sempre polêmico são os critérios adotados pelo ministério para aprovar ou rejeitar um projeto... temos aquelas famosas discussões.... como o "milagre é muito recente", não tenho tempo de organizar as idéia e participar de modo mais consistente da discussão (hoje, pelo menos), coloco os textos que estão no centro das atenções... mas vou me pronunciar depois que eu ler tudo com calma, you don't have to worry about that!

No último dia 27 vimos uma grande manifestação da área teatral, atacando a dita lei. Como conseqüência temos um artigo do queridíssimo Juca Ferreira (o nosso Dalai Lama!!! Sem piadas, tô falando sério!) e de Celso Frateschi publicado com nomes diferentes: o primeiro foi publicado no JB online (já coloquei aqui no blog, inclusive!) e na Folha de São Paulo. Como resposta, ou melhor, como continuação do debate, temos dois artigos publicados na revista eletrônica Cultura e Mercado abaixo.

Discuta, opine, participe, sugira, participe também da ação! Não recrame por recramar, não foi por isso que seus pais te mandaram para os melhores colégios internos da Suíça, conservatórios parisienses e melhores universidades britânicas!


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Boa leitura!
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O Estado contra a Lei Rouanet
31/03/2008 Julinho da Adelaide Sobrinho

Semana passada vimos publicar o mesmo artigo com duas versões, dois títulos e um só conteúdo. O primeiro, no Jornal do Brasil, retumbava: “O teatro não é inviável economicamente”. Seu autor, Celso Frateschi, presidente da Funarte.

O outro traz a assinatura conjunta deste com o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, e é publicado na Folha de S.Paulo sob o título “Incentivo ao Teatro?”. O motivo é a comemoração do dia do teatro.

Com as mãos abanando diante do caos vivido pela produção teatral, vieram a público colocar a culpa pelos desmandos à Lei Rouanet, da falta de público à diminuição das temporadas. Só faltaram pedir o pescoço dos governantes, diante do descaso do mecanismo governamental em relação às necessidades das artes cênicas brasileiras.

Quase nos fizeram acreditar que o problema da lei é a própria lei, como se tivesse pernas próprias e não dependesse de governo para seguir o caminho correto, ou desejável. Cinco anos de poder foram necessários para descobrir verdadeiros exus: empresas e produtores culturais que lucram com a lei. A pena para a doença, matar o doente. Em português claro: acabar com a lei.

Mas como pode a Lei Rouanet ter esse poder todo se ela é tão-somente um mecanismo de estímulo ao investimento privado? Convenhamos que qualquer julgo além do seu campo de atuação constitui mera (ir)responsabilidade interpretativa de quem escreve, ou simplesmente assina, o petardo. O que espanta é o próprio poder público incitar uma visão equivocada da lei. Com que objetivo?

Vale lembrar que o teatro, assim como todas as outras artes, está órfão de políticas públicas. O MinC optou, já em 2003, por extinguir as secretarias chamadas finalísticas (música/artes cênicas, patrimônio/museus, livro e leitura), dando prioridade apenas para o audiovisual. No lugar, ampliou o escopo do Ministério e passou a dar prioridade para questões como Tv pública, propriedade intelectual, cultura digital, diversidade cultural. Apostou na transversalidade em detrimento da política setorial.

Amplamente aplaudida e reconhecida no Brasil e no mundo, as políticas propostas por Gilberto Gil carecem ainda de ações programáticas que as sustentem. Sem uma política transversal consistente (e que vá além do discurso) corremos o risco de perder o velho e não ganhar o novo.

Como pode o artigo do MinC vociferar: “não devemos propor o novo sem entender o velho”, se ele próprio não consegue dar conta do maior e mais eficaz sistema de financiamento à cultura que o Brasil já teve?

A Lei Rouanet tem problemas, todos sabemos. Já eram sérios e graves em 2002. Com a inabilidade deste ministério em resolvê-los, a Lei transformou-se numa bomba-relógio, pronta para estourar nas mãos do ministro Gilberto Gil. Como não está disposto a aceitar o fardo, o MinC quer colocar o problema da lei no colo do “mercado”, das empresas que se promovem e lucram com a lei. Como se o MinC não fosse o único órgão responsável por seu destino e gestão.

A Lei Rouanet é acusada de causar distorções no mercado cultural desde aquela campanha presidencial. Artistas carentes foram ao Canecão pedir socorro a Lula, pois a cultura estava sendo privatizada. Desde então o MinC realizou uma série de viagens com todo o seu gabinete para os quatro cantos, prometendo mudanças e ouvindo o que já sabíamos. Três anos depois, decretou mudanças cosméticas, sem efeitos práticos.

O que os fogos de artifício escondem é que a causa de tais distorções não está na lei, mas sim na falta de políticas mais amplas, tanto para as artes quanto para o mercado, que quer e precisa crescer e exige um conjunto de ações mais adequadas ao empreendedorismo e ao lucro (sim, avisa lá que somos capitalistas).

Mas estamos longe de alcançar uma realidade em que o Ministério da Cultura comemore o crescimento e o sucesso econômico de empresas culturais, dando-lhes o suporte necessário para empregar gente, recolher impostos e ajudar a financiar a rica diversidade cultural do Brasil.

Um mecanismo de financiamento privado não pode ter a responsabilidade de compensar a falta do Estado, mais ausente do que nunca. Em termos de financiamento público, a própria Lei já abarca mecanismos de compensação, como o Fundo Nacional de Cultura, que sempre foi acusado de ser uma caixa-preta. Hoje continua na mesma situação, com um volume insuficiente de editais, que continuam sem transparência, geridos e definidos por grupos que sustentam o poder e a ideologia do MinC.

Parece haver um entrave ideológico a ser superado pelo MinC. A Lei foi criada com base num princípio liberal, de que a sociedade (incluindo o mercado) teria condições, por si, de regular a lei. Mas como pode a sociedade saber o que é bom para a sociedade, se existe um grupo de pessoas privilegiadas com esse dom supremo?

Então o Governo faz de tudo para exercer comando sobre os projetos, interferindo diretamente na comissão que os aprova, gerando burocracias para segurar o que não lhe convém e facilitar o que considera alinhado com a “atual política”. E faz de maneira inábil, truculenta. Mostra-se cada vez mais perdido com a situação, chegando a implementar e mudar diretrizes e procedimentos como quem troca de roupa.

O Estado foi incapaz de incorporar a Lei Rouanet como política pública, deixando-o ao prazer do mercado. A primeira reunião que o MinC fez com as empresas patrocinadoras foi em 2007. Ainda assim para cobrar, não para orientar, dar diretrizes, ou declarar uma política clara para o investimento privado. Isso é um contra-senso, já que a aplicabilidade da lei está intimamente ligada à ação das empresas.

Este governo trata a lei como um filho bastardo, fruto das andanças do Estado com o mercado. Não o reconhece como um potente instrumento de financiamento à cultura. E por não o acolher, age contra ele. E por ele é consumido, pois não consegue formular alternativas para o aniquilar, substituir ou complementar.

Por outro lado, a lei foi apropriada pelo mercado. Empresas a utilizam como estratégia de comunicação. Isso não é uma distorção em si, e não é um mal em si. É apenas conseqüência do abandono do mecanismo como ingrediente de política cultural que dialoga com o capitalismo em que está (indesejavelmente) inserido.

Vendo-se incapaz de atuar na lei pela via do diálogo, o MinC passou a criar um arsenal de regras e burocracias, desenvolvidas com o objetivo único de tornar o instrumento moroso e ineficaz. A estratégia é esvaziar a lei, como fez Celso Frateschi em sua gestão municipal em relação à Lei Mendonça. Repete a dose à frente da Funarte, responsável por conceder parecer técnico à Lei.

Como resultado disso, criou-se um mercado paralelo de aprovação de leis dentro do próprio ministério, que atuava (ou atua?) no sentido de quebrar os bloqueios criados por este governo. A ação resultou no final de 2007 na prisão de uma quadrilha pela Polícia Federal. Um tiro no pé.

O mercado agora prepara ofensiva. Vários movimentos estão se formando pelo Brasil afora em defesa dos direitos culturais e liberdade de expressão, consagrados por nossa Carta Magna e pela própria Lei 8.313/91.



Aplacados pela censura e pela perseguição, os autores deste artigos protegem-se sob o codinome Julinho da Adelaida Sobrinho, um parente fictício de Julinho da Adelaide, heterônimo de Chico Buarque de Holanda, criado para fugir da censura dos tempos difíceis da ditadura, que insiste em nos rodear.

fonte: Cultura e Mercado

Incentivo ao debate
31/03/2008 Carlos Minuano

Principal mecanismo de financiamento à cultura no país, a Lei Rouanet, que já acumula desde sua promulgação em 1991, um extenso histórico de polêmicas e debates, volta ao centro de nova discussão – e o estopim desta vez veio do próprio Ministério da Cultura (MinC). Em um controverso artigo "Incentivo ao Teatro" publicado no jornal Folha de S. Paulo, o secretário-executivo do MinC, Juca Ferreira, e o presidente da Funarte, Celso Frateschi, questionam a eficiência da lei e destacam distorções em seu uso.

O texto aponta uma suposta redução da atividade teatral e em paralelo o crescimento nos lucros dos produtores, após quase vinte anos da lei. Outra crítica ataca ainda a suposta concentração das produções na região sudeste. A classe teatral e artística não demorou a reagir contra o artigo, também publicado pelo Jornal do Brasil – curiosamente assinado apenas por Frateschi.

Ao afirmar que o problema está na ganância dos produtores, o artigo coloca no mesmo nível produções milionárias e alternativas, observa Paulo Pélico, diretor-secretário da Apetesp (Associação dos Produtores Teatrais do Estado de S. Paulo). "A crise a que se referem é muito anterior à lei, vem desde a década de 80". Para Pélico, os motivos são vários, mas destaca a falência da educação no país. "Falta repertório para entender Shakespeare, Nelson Rodrigues, e tantos outros".

O fato é que já se tornou praxe atacar a Lei Roaunet, seja por parte do governo ou do mercado. Entretanto, apesar dos golpes chegarem dos dois lados, ambos continuam a se valer dela. Durante a campanha de Lula à presidência, em 2002, a lei foi acusada de provocar deficiências no mercado cultural. Apesar das viagens pelo país, dos debates e das promessas reafirmadas por seis anos, as esperadas mudanças no incentivo não aconteceram – com exceção de um decreto em 2006, que não avançou em questões fundamentais.

Pélico defende uma reformulação efetiva que recupere, sobretudo, as três dimensões da lei: o mecenato, para parcerias público-privadas, o Fundo Nacional de Cultural (FNC) para os projetos sem visibilidade comercial e o Fundo de Incentivo Cultural à Arte (Ficarte) para as grandes produções. "Quem sabe acabamos com discrepâncias como o Cirque du Soleil disputando recursos com os grupos independentes da praça Roosevelt".

No momento três projetos de lei sobre o tema encontram-se em trâmite, o PL que cria a Lei Geral do Teatro que pretende estender fomento municipal paulista em âmbito federal; o da Secretaria de Teatro, para criação de agência nacional do setor, equivalente a Ancine – que deve seguir para o senado ainda nesta semana e, por último, o PL da Lei Geral das Artes, de autoria do próprio Frateschi, suposta alternativa à Lei Rouanet.

Gestão problemática

Em 2006, a Policia Federal prendeu um grupo que cobrava propina no MinC para acelerar trâmite de projetos que pleiteavam incentivo da Lei Rouanet. Os problemas, no entanto, não cessaram com a prisão dos acusados. Pélico reclama que o funcionamento, tanto do MinC quanto da Funarte, permanece caótico. "Sei de casos em que projetos desapareceram seguidas vezes, incluindo cópia e cópia da cópia", conta. "É o ambiente perfeito para a corrupção".

Apesar do cinema ter permanecido às margens da polêmica – aliás, outro aspecto criticado no episódio – na opinião do diretor José Joffily ("Quem Matou Pixote?", "Dois Perdidos Numa Noite Suja") o problema não está no incentivo, mas na falta de uma legislação que consiga inibir o lobby dominante do setor. Segundo ele, se o estado tivesse força de legislar sobre emissoras concessionárias não haveria espaço para essas distorções apontadas pelo governo e por produtores.

"Não precisaríamos ser socorridos pelo estado por meio de incentivos se os canais de televisão tivessem que terceirizar conteúdo e produções, pois a demanda seria bem maior". O problema da distribuição dos produtos audiovisuais poderia ser também atendido por parceria com as emissoras, ressalta Joffily

fonte: Cultura e Mercado