sexta-feira, novembro 18, 2016

sim

Boca
Mão
Nariz
Mão
Pescoço
Voz
Olho
Boca
Nariz
Dedo
Não

A timidez.

Há uma passagem bíblica que diz que os tímidos não herdarão o reino dos céus... há, evidentemente, uma explicação teológica para isso, no entanto, como um tímido autêntico, posso assegurar que este tormento (um verdadeiro inferno) não está no porvir e nem é posterior ao juízo final: ele é atual, terreno, pertence a esta vida.

A origem das coisas

Não nasci tímido: fiz um curso intensivo já na primeira ou segunda infância e, ao longo dos anos, me graduei com honrarias. Com o tempo, me especializei na pior modalidade possível dessa arte: a timidez faladora. Conflito de uma vida: abandonar a timidez e a falação. Périplo. Mas tem fim... nem que seja o derradeiro fim que nos aguarda a todos nós.

O lado bom

O lado bom de ser tímido falastrão é que o que a maior parte das pessoas têm receio, eu lido numa boa: falar em público, desde que eu esteja preparado, é tranquilo. Por necessidade, aprendi o truque da "fé cênica"; respiro fundo e encaro o personagem. Claro que isso vale mais para situações específicas; palestras, cursos, aulas, reuniões importantes etc. Lidar com a timidez tem sido uma negociação constante - hoje, conto até ajuda profissional, ocasionalmente. Admito que venci parcialmente a timidez pela necessidade de viver - de trabalhar, pagar as contas etc.

Um simples "bom dia" já é um trauma sem tamanho. Uma conversa trivial com um estranho, então, um suplício: falta o ar, voz que fica travada, o corpo treme, aparece fraqueza de todos os lados. Ainda mais quando, depois de todo o esforço empreendido para encarar o leão de frente, o resultado não sai bem como o esperado. Piora ainda quando o resultado é desastroso. Reconheço que o desastre, muitas vezes, se limita a cabeça do tímido - nesse caso em particular, coisas simples podem detonar um hecatombe mental. Interpretações da realidade que jamais passariam na cabeça de um ser humano não-tímido são super, hiper significadas por um tímido: desde um franzido na testa, um jeito de olhar, um movimento nas mãos, um suspiro, um sorriso...

Anos de experiência me ensinaram que a timidez e ansiedade caminham juntas; o primo-irmão delas é o medo da rejeição. A saída mais conveniente, ou mesmo a única que se consegue conceber, diante do medo de ser rejeitado, é permanecer discreto, na concha, no quarto, no canto, em silêncio. Sobretudo, é permanecer à espera. De quê? De um chamado, de um convite, de um aceno. Uma espera eterna pra alguns.

Complicando a situação ainda mais, há também em alguns casos, pelo menos é o meu, um outro membro dessa família disfuncional: a curiosidade. Sim, para um tímido, o desconhecido é muito mais desconhecido do que para um não-tímido. Por isso, as coisas mais triviais incorporam um caráter de cruzada ou de jornada homérica. Fazer um novo amigo é uma aventura; flertar é um esporte radical. Falar em público seria algo como disputar e vencer um decatlo ou uma travessia do Oceano Atlântico a nado. Mas como conseguir fazer isso é aquela pergunta de um milhão de dólares.

Passei a vida escutando, quase como um mantra, que eu "deveria ser mais social" (sic) ou mesmo que meu isolamento poderia ser interpretado como arrogância. Incauto, desde cedo, eu segui esses conselhos e resolvi enfrentar a timidez falando - mas falando muito - apostando que isso daria um bom retorno. Ledo engano. Não se reverteu em novos amigos, muito pelo contrário: colhi inimizades e antipatias galore. Claro que ter morado numa terra árida (e para mim realmente árida), sem parentes conhecidos nem um "passado familiar" também ajudou a complicar o que já era complicado. Então tinha um quadro pouquíssimo favorável. Pronto: eis aí o duplo vínculo estabelecido. Muito bem estabelecido. E a pergunta que era de um milhão de dólares, agora é dois.

Claro que estou falando de coisas que aconteceram há 10, quinze, vinte anos (chamo carinhosamente de "the bully years"). Apesar de ter uma boa memória, acabei esquecendo de muita coisa (esquecimento conveniente), o pouco que sobrou eu guardo como um troféu (ou muitos) de resiliência e superação. Nos anos 1990, famílias e escolas não sabiam lidar com picardias infantis e nem com a perseguição sistemática e diuturna àqueles que divergiam do padrão, qual fosse. Foram anos bem chatos, mas que me ensinaram muito sobre tudo e sobre a a capacidade quase infinita que algumas pessoas têm para humilhar, agredir e assediar gratuitamente. Aprendi também que crianças, de modo geral, não costumam ter muito filtro, tem uma tendência quase natural ao exercício da crueldade. E parece que as crianças mais cruéis têm um radar para os tímidos (e diferentes), que passam a ser alvo fácil para o acosso. Então, o que era duplo vínculo, se torna um "triplo vínculo"! Virou um terreno fértil para variados traumas e situações que não convém descrever (elas estão caminhando à medida que a análise avança com minha psicóloga). Foi chato, mas passou. Me pós-graduou em timidez, mas passou.

Lá fui eu, investindo em inúmeras tentativas de superar a dificuldade da timidez foram muitas: desde fazer palhaçadas na tentativa de me apropriar das chacotas, até voluntariamente me expor ao ridículo, além de contar muitas, muitas histórias. Colecionando equívocos e vergonhas. Trabalhos em equipe eram um terror. Detestava. Como eu era semi-estudioso, geralmente em trabalhos de grupo, eu era disputado (oposto das aulas de educação física). E é óbvio que isso não ajudou. Até hoje não sei como não desenvolvi uma fobia social, porque o terreno também foi fértil para isso.

Claro que para compensar o inferno que era ser tímido (e fora dos padrões) eu fui descobrindo um mundo além daquele (a história de ficar na concha). Confesso que pensar num mundo além daquele que eu vivia era tarefa relativamente fácil: a cidade era árida, sem grandes aspirações, com pouca margem a ideias mais auspiciosas; tudo ali era limitado e limitante, por isso, o desejo de sair era um impulso tão forte e presente na minha rotina. Me descobri nerd (na época em que não era cool ser nerd), me apaixonei pela música, pela escrita, pelos mangás (que achei num livro de matemática antigo, no ano de 1993, apresentando explicações científicas sobre o tempo de leitura de cada página - não sei se isso se aplica ou se era conversa, mas o tal livro dizia que as páginas eram diagramadas para que se lesse tudo em no máximo 10 segundos). Fato é que eu descobri que minha companhia, tão indesejada para alguns, era ótima para mim mesmo. Descobri que eu gostava de cozinhar (as minhas primeiras incursões nesse universo foram um verdadeiro desastre, mas eu me diverti tanto!) e de escrever. Não resolvia o problema da timidez, mas pelo menos conseguia um conforto, um alento.

As soluções

A parte da falação eu resolvi parcialmente com este blog. Penso muita coisa. Escrevo o que posso aqui. Escrevo cartas para desconhecidos, que por qualquer acaso vêm parar aqui. Escrever demais é melhor do que falar demais. afinal, nem todos têm interesse, disposição, motivação (enfim, saco) para me escutar tagarelando sobre o que quer que seja.

No blog, tenho total liberdade: pode ser textão, textinho, uma imagem...

Por quase dez anos, com maior ou menor regularidade eu venho aqui desabafar, refletir, exercitar a escrita. Mas também venho me reler. Venho ter comigo um encontro... algo descrito naquele incrível conto de Jorge Luís Borges intitulado "O Outro". Me releio e me surpreendo comigo mesmo (para o bem e para o mal).

Depois do Facebook, e da vida corrida que eu levo, fiquei um pouco distante do blog, da leitura e da escrita. Mas, de uns meses para cá, por conta de várias razões, esses três elementos que sempre foram tão presentes na minha rotina voltaram de uma outra forma, mas que é igualmente intensa.

Prefiro escrever no blog. As vantagens do blog frente ao Facebook são muitas, mas, creio que a mais importante é que este é um espaço para o texto e que pede um certo silêncio na leitura e na escrita - não tem um monte de ícone piscando, janelas com chats aparecendo, nem múltiplas funções: é só alguém escrevendo de um lado e alguém lendo do outro. Isso também é bom, porque não preciso me direcionar a alguém especificamente.

De todo modo, não foi tão simples chegar até aqui; apertar o botão "publicar" era e ainda é doloroso. Ainda assim, não gosto de ficar muito tempo sem escrever. Chamo de escrita terapêutica.

Já quis ter um milhão de amigos para compensar a ausência deles na minha adolescência, mas hoje, os poucos mas bons me dão alegria, apoio e literalmente me sustentam. Nas guerras, conto com Deus e com os anjos que Ele colocou no meu caminho que são os amigos diletos. Casar também foi importante - é um outro tipo de amizade que também faz  muito bem.


Bom, por hora é isso. No próximo texto eu começo o meu:

O terror do tímido: O manual de sobrevivência ou o que não fazer nem sob tortura




O Google muda as políticas de cookies e eu perco em um dia todo meu histórico de visitantes... 10 mil passaram por aqui...

Fragmentos de um pensamento aleatório II

quinta-feira, novembro 17, 2016

Eu penso muito em voltar no tempo e refazer muitas coisas, em conversar comigo mesmo, me aconselhar, me proteger.

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Eu não acredito que a dor nos ensina.

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Era sozinho que eu vivia os momentos de liberdade, tranquilidade e leveza.
Era sozinho que eu testemunhava a beleza de um por-de-sol, de uma lua cheia.
Quando eu avistava a cidade do alto de um morro, ou mesmo quando ouvia uma música.
Ali eu sempre estive sozinho. Deveria ter sido mais sozinho e menos solitário.

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Quando criança, acordava muito cedo aos sábados e domingos e passeava pela casa em silêncio.

Fragmentos de pensamentos aleatórios I

Quando criança, acordava muito cedo aos sábados e domingos e passeava pela casa em silêncio. Essa era a minha vida: estar vivo no reino dos mortos ou ser um fantasma no mundo dos vivos. Tinha muita insônia; ela me trouxe o amor pela noite, pelos livros, pela gastronomia, pela música. Eu sempre me senti clandestino nas madrugadas, achava um comportamento subversivo (mesmo sem conhecer e nem saber o significado dessa palavra)


quinta-feira, setembro 29, 2016

It seems as though I've always been Somebody outside looking in...

quinta-feira, agosto 18, 2016

Tem coisas que só uma dor de cabeça, uma insônia e um dia stress são capazes de impulsionar: vou voltar a escrever.

Publicando eu faço um compromisso comigo mesmo. Aliás, sempre escrevi para mim...

Há tanta coisa escrita, tanto texto inacabado. Tanta coisa que eu preciso contar.

Reli o blog e foi como se conversasse comigo mesmo. Quase dez anos nos separam e eu sinto muito por não ter documentado os últimos acontecimentos.

Eu não tenho interesse qualquer além de escrever cartas para mim mesmo.

Talvez não escreva mais aqui, sou eu mesmo, mas sou outro (como naquele célebre conto de Borges).

Até breve.

quarta-feira, maio 05, 2010

Ah, querida eurídice, ouve meu canto
Mesmo que me mate a saudade
Há de ficar na eternidade meu canto
Mesmo que por de trás de cada sonoro sorriso
permaneça um silencioso pranto.

Por ti hei de enfrentar os sete ciclos do inferno
Cruzar com o barqueiro o intransponível Aqueronte
Fazer cair por terra o uviante tricéfalo
E no impulso de amante vencer a tudo em honra do seu nome

Ah, minha eurídice, ouve o canto de minha lira
Que já semeou ouro no olimpo e fez chorar os deuses.
E não te destraia com a dança das fúrias

Quão grande seja a dor que ora me atravessa
Maior será meu amor e minha força
Ah, minha eurídice, então, secai vossas lágrimas
e não temei o Hades.

A Profecia é uma só.
De todas as bençãos dos deuses,
preferiste e escolheste tu a mim
Eu sou seu Orfeu e estou em suas mãos.

Seja seu coração o meu túmulo, seja minha alma o seu jardim.

Excessos religiosos: inzêmprio de coisa nociva

terça-feira, fevereiro 02, 2010


Nos últimos 30 dias eu passei a acompanhar com atenção alguns eventos e situações que me deixaram bastante preocupado com o rumo que algumas coisas estão tomando. Na verdade, creio que essas preocupações todos nós sentimos em alguns ou em todos os momentos da nossa vida.







A bola da vez são os excessos religiosos. Ah, os excessos. Em bom baianês do interior do estado, a "tanficância"... Devo dizer, antes de qualquer coisa, que não sou iniciado em qualquer denominação religiosa, embora eu me considere bastante espiritualizado.

Acompanho consternado o que penso ser um discurso "fundamentalista cristão" (seja de matriz católica ou de matriz protestante/evangélica/(neo)pentecostal) difundido com grande força pelos veículos de comunicação de massa. Me refiro aqueles programas de variadas denominações religiosas que passam a partir das 21h em diversos canais ou até mesmo de canais exclusivamente dedicados às práticas religiosas. Nos últimos dias eu zapeei entre um canal e outro (podemos ter 300 canais na SKY, mas, efetivamente temos 2 canais úteis, 150 de vendas e 148 religiosos) e assisti a pregação de um padre e de dois bispos (cada um em seu templo e em seu canal). Qual não foi minha surpresa? Primeiro, as falas eram uníssonas! Ora, isso deveria ser uma benção (literalmente), já que faz cair por terra as disputas (ao menos as discursivas) entre as igrejas. Mas não foi bem isso que eu percebi e foi exatamente isso que me assutou.

As falas dos três sacerdotes denotam uma coisa incômoda: que ainda conservamos valores (diria eu) um tanto arcaicos e perdemos o foco do que realmente interessa e é relevante - a religação com o divino e com os os outros.

Política e religião são virtualmente indissociáveis, mas a igreja é uma entidade perigosamente política. Essa associação deveria ser a todo custo evitada ou banida.

Nas falas dos sacerdotes eu me assustei com a perversão de termos como liberdade, livre arbítrio, igualdade, amor, amor de Deus, justiça, retidão... Vi um Deus (que até onde minha inocência e arrogância me dizem) que é, supostamente, nosso Pai (cósmico, universal, criador, enfim, vocês decidem como chamar) e entidade feita de puro amor ser pintado como um general cruel, vingativo e cheio de rancor.

Não lembro bem se foi o padre, o bispo ou a bispa que diferenciaram o temer do escravo, do carrasco e do filho, sendo que o escravo teme a fúria do senhor e do carrasco, o carrasco teme porque há poder político e poder financeiro em jogo. Já o filho "teme porque ama". Até onde eu sei, amor (me corrijam se eu estiver equivocado!) é algo que não caminha junto do medo... respeito, cuidado, atenção e carinho, eu concordo... mas medo? Fica parecendo uma piada irônica e sem graça... "Olha, Deus te ama, é seu Pai Eterno, mas se você não fizer o que ele quer que você faça ele acaba com sua vida com requintes de crueldade". Amor é amor. Medo é medo. Não se misturam.

As falas construíam um verdadeiro manual de instruções sobre como "amar" esse Deus das Igrejas, como ir ao céu e como ser livre, argumentando que, por inzêmprio, ser livre é, na verdade, estar livre de (alguma coisa). "A importância do celibato", "a importância da retidão" (seja lá que maluquice seja isso!), "quem Deus condena e condenará", "quem é o justo", "sobre quem a fúria de Deus é alvo". Estar livre das drogas (lícitas ou não) é algo cantado em verso e prosa!! Estar livre de pecados... mas quais?

Até onde eu sei, Jesus bebia vinho (tornou água em vinho), gostava de celebrar a vida dividindo alimentos (multiplicou pão e peixe)... Logo, beber não é um problema. O excesso da bebida é complicado, reconheço, mas ainda assim, não vamos pensar que só peca aquele que fuma um baseadinho, cheira uma carreira de pó, toma um docinho ou bebe uma cervejinha.

nota do blogueiro: a pessoa que fuma pedra É PECADORA, é na verdade um zumbi que atende pelo nome científico de "Catiribum" - fumou, morreu e continua vagando pelo nosso mundo...

Voltando.

E essa coisa de pecado (sustentado por essa moral desnecessária) que diz que se peca "por atos, palavras, pensamento e omissão" (logo, estamos todos com nossa suntuosa mansão de vaidades no inferno, correto?) e segundo porque tem muita gente que nunca bebeu cerveja, cachaça, vinho, espumante, fumou cigarro ou consumiu as demais drogas, arrota que é santo(a), mas tem um coração podre, cheio de maldade, cobiça, ira... desses que seria detonado no Tribunal de Osiris de tão pesado! O que vale é o coração e o que sai dele pela boca, as obras ou seguir uma dada conduta?

E quanto ao amor ao próximo, a si mesmo, o perdão ao próximo e a si mesmo... a paz (que é feita para os atormentados) e o perdão (feito para os imperdoáveis) e a misericórdia? E o não julgar para não ser alvo de julgamento... esse último eu ouvi o disparate que "se pode julgar baseado na bíblia"!!! Mas que maluquice!!! Um livro escrito a não-sei-nem-quantas mãos, traduzido, retraduzidos, assimilado por diferentes culturas, que expressa valores muitas vezes conflitantes.... mas enfim, que seja pela Bíblia - lá está escrito que para Deus não há pecado maior ou menor... que consumir carne de porco é pecado, que consumir lagosta é pecado... assim como matar, adulterar, cobiçar, conspirar... se tudo é pecado, nada é, correto? O Borges disse uma vez que Deus medirá os homens com a Sua medida e eu concordo com isso.

Mas seguindo no discurso religioso fundamentalista.

Digo fundamentalista porque ele incita a intolerância justificando o discurso em uma Divindade e nas vontades dessa Divindade. E nessa busca interminável por retomar os valores que se perderam. Não há mais julgamento, há condanação sumária. As pessoas falam e agem por Deus: matam, humilham, agridem... enquanto entoam sonoros hinos de louvor.

Não é difícil encontrar explicações para as catástrofes embasadas nesse discurso (da vontade Divina e do Castigo Divino): atribuir as recentes tragédias do Haiti pela prática dos Voduns é a mais recente e pra mim foi a pior delas! Assim disseram os primeiros-ministros, assim disseram os "irmãos" batizados, assim reproduzem blogueiros, jornalistas religiosos, políticos... todos com as devidas citações bíblicas e aquele tom de "eles merecem tudo que com eles acontece".

Muito me aborreceu atribuir uma tragédia em um país que estava pra lá da miséria a um castigo divino (inclusive, uma tragédia que estava prevista na Bíblia!). E as pessoas falam disso em suas calorosas falas e entoam glórias e aleluias... não pode haver júbilo na dor alheia, na tragédia alheia.

E de tudo isso, o maior problema são os excessos, porque as pessoas têm o direito a suas fés, por mais cruéis que elas sejam e por mais nocivas. Mas isso é amplamente divulgado... há um suporte nos meios de comunicação de massa (impressos, televisivos, radifônicos) e também nos templos. Se foca na merreca da conduta e se esquece do fundamental: o coração, os atos e as obras. Esses podem ser escassos, afinal, pessoas de boa conduta não precisam de boas obras... ¬¬

Todo mundo quer condenar as sodomas e gomorras para libertar a si de uma condenção criada e imposta por eles mesmos. (E isso me enfurece!). Desse jeito, não basta ser correto, os outros devem antes de qualquer coisas estar errados (erradíssimos, por sinal!). Cadê o fio condutor da bíblia que é a transformação e evolução espiritual? O perdão maduro que permite que seja oferecida sem medo a face, que permite perdoar o algoz, já que ele nem sempre sabe o que faz? As verdadeiras sodomas e verdadeiras gomorras estão no caração dos injustos, assassinos, invejosos, mentirosos e que usam o nome de Deus em favor de seus propósitos pessoais e que vão no seu caminho ensinando o ódio e a indiferença travestido de amor e fé! O bezerro de ouro continua ali exposto e todos eles se curvam diante dele. Eu não me curvo.

Não sei qual será o resultado disso, mas tenho (em última instância) muito medo. Vivemos uma fase que pode ser anterior a um grande avanço ou a um grande retrocesso. De qual lado você está?

Na boa? Vamos amar. Vamos ser gentis conosco e com o nosso próximo. Fazer caridade se for algo que te faça sentir bem. Respeitar as pessoas do mundo, as coisas do mundo. Perdoar e nos permitir ser perdoados. É dificil, eu sei. Mas é algo tão simples! Vamos amar, Deus é amor, lembram?