sábado, dezembro 05, 2009

Foste tu em princípio um nome
Depois verbo: palavras e voz
Em seguida um rosto
Por fim, corpo
Dois corpos.

Eu passei umas tardes em itapuã

quarta-feira, setembro 23, 2009

Depois de um século e meio sem postar, eis que o vosso humilde missivista retorna tal qual o filho pródigo.

Este ano que vivemos tem sido sui generis. Isso no bom e no mal sentido, mas como diz o sábio eremita de Botafogo (sim, tio, é de você que estou falando), a realidade é mesmo esse "colapso de pobabilidades e possibilidades" e a graça é buscar formas de resolver e lidar com os desafios e as surpresas, sejam elas boas ou ruins.

Há mais ou menos uma semana eu terminei um trabalho e para minha surpresa, dois amigos meus que moram em Angola apareceram por aqui por Salvador. Pronto: foi o suficiente para eu tirar uns dias de folga, aproveitar pra estudar um pouco e, acima de tudo, relaxar, dormir, ouvir e cantar sambas antigos até a madrugada, rir. Coisas que eu estimo muito e nos últimos tempos me foi privado por conta das circunstâncias.

O local escolhido não poderia ser mais oportuno: Itapuã. Para quem não conhece, Itapuã é um bairro famoso, cantado por Caetano, Vinicius, Dorival, começou como uma colônia de pescadores, já foi um antigo complexo de rios e lagoas (aliás, salvador era um grande complexo de rios e lagoas), é bastante afastado do centro da cidade e só foi urbanizada em 1980. Era um bairro de veraneio, imaginem. É tão distante do centro que algumas pessoas até hoje dizem que "vão na cidade" quando precisam sair de lá.

Já morei em Itapuã e devo confessar que mesmo gostando de lá, algumas situações, como se diz aqui na bahia, eram verdadeiras consumições! Era uma atrapalhação sair e chegar! Horas, horas... pegar um taxi era impensável!

Exatamente por causa disso, Itapuã é um universo paralelo. O tempo corre de um jeito diferente (mais lerdo, eu diria), é como se fosse uma ilha, mesmo com todos os problemas de uma cidade. Lá tem tudo: mercados, bancos, lojas de todas as familias, gêneros, filos e espécies, restaurantes de todos os gostos e bolsos, praia, acarajé, samba, pagode, reggae, axé, rock, arrocha... Destaque para as coxinhas: coxinhas com massa de batata do "Kibe do Carmel" e do "Rei da Coxinha", esse último oferece ainda coxinhas de aipim com carne do sol e coxinhas exóticas de provolone com calabresa (tem uma franquia em Itinga também, lá na praça dos carangueijos - aliás, foi lá que provei essa iguaria incrível!).

Lá tem também um depósito que entrega cerveja, refrigerante, água, gelo, carvão e... cigarro! Imaginem? Que beleza! Acaba com aquele climão na festa quando algum desses itens acaba e aquele grupinho (ou aquele individuo) tem que sair para comprar mais. Para os que dispõem de um carro é ruim ma non troppo, mas e os que "andam de a pé"? Esse depósito é uma excelente sacada... qualquer dia desses passa no "Pequenas Empresas Grandes Negócios".

Outra coisa bacana que me ocorreu foi que puxaram conversa comigo (dessas do nada, em bar, sacam?), coisa que nunca mais me aconteceu. Conversas bobas, geralmente falando de infortúnios tragicômicos de si ou de outrem, mas foi bacana. Estava eu na vendinha da rua comprando mais umas cervejas, quando me perguntam: "Você não concorda comigo, meu jovem? Faria o quê no meu lugar? Eu vi uma senhora de 80 anos com um rapaz assim da sua idadem novinho... perguntei como vai sua vó e o cara me respondeu: 'é minha esposa'. Ahh, você queria o quê?" E daí a conversa rendeu, cada um relatando as suas experiências e rindo dessas bobagens. Me apressei com as cervejas (que troquei porque elas começaram a esquentar e na casa que eu estava o nosso freezer era um simpático iglu de isopor).

Quem mora lá e explora esse estilo de vida com certeza vive mais, ou vive com uma qualidade de vida melhor. Não sei se consigo me acostumar, gosto de ambientes mais rápidos e um tanto caóticos, mas é uma boa conseguir me refugiar sem precisar viajar ou sair em retiro espiritual. Agora, quem mora lá dificilmente sai do bairro (a não ser para trabalhar) e quando sai vai para perto (Lauro de Freitas, Itinga, São Cristóvão, Piatã, Praia do Flamengo, Stella Maris, Patamares - todos muito próximos). São 200 mil habitantes. É uma cidade.

Passar umas tardes e noites em Itapuã foi um presente inesperado, mas foi exatamente a lerdeza (não aquela das piadas de baiano, por favor, mas a tranquilidade de um lugar antigo e que ainda conserva algumas coisas de interior e de vila de pescador). Me fez bem.

Cheguei na terça-feira, de mala e tudo. A casa ainda não tinha energia elétrica, ficamos todos a luz de velas e de lanternas de canivete suíço (made in bahia, i guess ha-ha!). Mas como estava todo mundo naquela maresia, estava bom. A luz chegou só na sexta-feira. A farra envolvia apenas cinco pessoas (pensando bem, eram cinco pessoas com cinquenta dentro delas ha-ha), mas rendeu bastante. Haja samba antigo, James Brown e Fella Kuti. Até Elizeth Cardoso (a divina, como diriam os cariocas) com o "Barracão no morro" e "Renascer das Cinzas" a gente ouviu - incrível o que um ipod, uma caxinha de som e pilhas (muitas delas) podem fazer.

Posso dizer que tentei mandar todo o stress para o espaço. Por alguns instantes tudo estava perfeito: eu cantei, sambei e ri. E foi bom. Entrei um caco, mas como diria o caro martinho, "sambar de azul e branco é o nosso papel".
Vamos renascer das cinzas
Plantar de novo o arvoredo
Bom calor nas mãos unidas
Na cabeça um grande enredo
Ala dos Compositores
Mandando o samba no terreiro
Cabrochas sambando
Cuica roncando
Viola e pandeiro
No meio da quadra
Pela madrugada
Um senhor partideiro
Sambar na Avenida de azul e branco
É o nosso papel
Mostrando pro povo
Que o berço do samba é em Vila Isabel

Porque eu gosto (tanto) dos taxistas...

segunda-feira, maio 25, 2009

...porque eles nos são pérolas como essa:

"...e você sabe o que eu descobri? Que spaghetti era macarrão!!!" Impagável!

Se bem que toda a simpatia e bom-pracismo que os taxistas baianos têm, os cariocas não tem, ou melhor, tem até você tentar ensinar qual o endereço...

O garoto do adeus

quinta-feira, maio 07, 2009


Estou treinando para ser frasista. Quem sabe um dia? Estudando e comendo bastante arroz com feijão, eu chego lá!






Às vezes me pego pensando se quem me abandou ainda se lembra de mim, se lembra do som de minha voz... às vezes fecho os olhos e estou com o olho no caminho, estou olhando o mar em um dia de verão chuvoso, estou a espera de alguém que não vem mais. Vivo também o oposto, a sitaução de alguém que vai e não volta, deixa alguém pelo caminho. Não tenho medo de me despedir, mas dói o mesmo tanto toda vez. Nem sempre ficar é melhor, nem sempre partir é melhor. Nem sempre se sabe dos preços de um e de outro, nem sempre se controla quem vai e quem fica. Existe também um rio que me separa de todas essas coisas... tudo ficou perdido em uma mar de lembranças. Tudo está onde deveria estar.

"Eu sou o garoto do adeus!"

A primeira vez que disse isso em sã consciência eu tive, ao me ouvir dizendo essas palavras, uma sensação que não sei dizer ao certo se foi boa ou ruim - talvez realmente existam coisas que não sejam nem boas nem ruins, que apenas são e nada além disso (alerta: nada de problemas da metafísica!). O fato é que me lembrei de quantas vezes eu já disse e ouvi adeus por uma infinidade de razões. Isso sempre volta de alguma forma em tudo que eu faço, seja nos textos, nas conversas e até mesmo nos trabalhos. Aqui no blog há uma série de pequenos indícios dessa sensação. Não pela saudade de quem ou o que se foi, mas pelo ato de ir embora.

Claro que na hora não pensei direito no que havia dito, mas na hora de dormir fiquei pensando, o dia amanheceu, tomei banho, café e isso ainda na minha cabeça. Primeiro fiquei pensando se sumir não seria um ato covarde (com ou sem despedidas), depois se não era por incapacidade de perdoar. Eu não estava em casa. Me coloquei na parede, desafiando a memória em busca de nomes, de rostos, de fatos, de raivas, de brigas, de momentos felizes, de momentos tristes. Assim eu levei por mais duas semanas, até o dia de voltar para casa.

Nos dias que eu estava fora eu vivi situações muito bacanas, estava em uma cidade linda, conheci pessoas legais, vi um google earth hiper-real (é uma coisa de louco mesmo, George!), mas principalmente, por me reaproximar de um tio meu que não via há quase 13 anos (vi ano passado, mas foi rapidinho, então não conta!) e fui reconstituíndo uma parte de minha vida por outros olhos. Não foi uma coisa epifanica, não é para tanto!, mas foi importante para que eu entendesse esse meu desapego com determinadas coisas e como tem correntezas que me levam, mas que algumas vezes eu me jogo no mar. Eu voltei diferente e todo mundo percebeu. Eu percebi.

Ficar e partir dependem do ponto de vista. São sempre dois os portos, as estações, os aeroportos, a estrada leva a algum lugar. Eu, por algum motivo, gosto simplesmente de seguir em frente, os portos de chegada são apenas para me descanso. Gosto de pensar que ainda não fiz minha viagem e que talvez nunca a faça, mas, ao mesmo tempo, que ela pode acontecer a qualquer momento... (nota do blogueiro: cabeça complicada e cheia de digressões, tenham paciência).


É como se eu morresse, como se todos também tivessem morrido e dizer essa palavra tão definitiva me fizesse acordar em uma nova vida. Algumas vidas são melhores que as outras, mas com exceção das saudades e de algumas marcas, pouco ou nada fica delas. Algumas duram mais, outras duram muito pouco. Muitas vezes é tudo tão involuntário que só percebo que tudo mudou muito tempo depois.

A primeira vez que eu "morri" foi aos cinco anos, quando me mudei de Salvador para Jequié. A mudança foi estranha, depois de me mudar três vezes em apenas 3 anos, finalmente iria para um lugar que eu moraria por 12 anos, me mudaria outras 3 vezes. O dia de arrumar as malas, ainda aqui em Salvador, teve sua cota de surrealidade, mas foi a chegada que me marcou muito. Lembro de três coisas da viagem: de um iogurte, de uma senhora idosa que conversou alguma coisa comigo (eu sempre fui conversador) e da quantidade enorme de morros que cercava a cidade.

Fazia calor. Chegamos no lugar que seria nossa casa por alguns meses: era uma casa pequena em um terreno enorme, com apenas um quarto, uma sala/cozinha e um banheiro. O piso era de cimento queimado de variadas cores, mas predominava o vermelho.

Ao abrir a porta a visão era perturbadora: poucos cômodos, todos pequenos, muitos móveis, todos grandes. Muita bagunça. Meu irmão recém-nascido chorava. Meu pai não estava em casa. Minha mãe ficou sentada processando aquelas informações. Vovó puxou uma faxina... lembro de imaginar que ao final da faxina tudo estaria arrumado, bonito... lêdo engano. Talvez minha primeira grande decepção. A casa era feia. No quintal, um grande tanque, uma gigantesca aboboreira e uma pimenteira - dedo-de-moça.

A paisagem era seca, eu guardava com saudade as lembranças de meus colegas da escola (que me fizeram uma série de desenhos, cartinhas e coisas que não sei bem dizer o que eram, mas tinha tinta, linhas, cola...). A saudade aumentou quando eu entrei na nova escola. Lembro bem do dia que fui na escola a primeira vez. Entrei na escola do meio para o fim do ano e pulei da "prontidão" (ainda chama assim?) para a alfabetização. Lembro de ter visto algumas crianças correndo, já sem farda (era período da tarde e lá só tinha aula no turno da manhã). Hoje, eu não sei mais quem elas são, mas pro alguns anos eu ainda lembrava, sei que foram pessoas que eu convivi depois, não eram da minha sala, mas eram de algum modo próximos. A chegada na escola foi algo terrível: meio do ano, cidade nova, sem parentes, primos, e um detalhe: todo mundo era rico, achava ou queria ser! Ficar deslocado era algo bem previsível.

Nem preciso dizer que não fiz muitos amigos... lógico que eu sempre fui chatinho (continuo sendo, acho! haha). Os três primeiros dias de aula deram o tom dos 12 anos seguintes - foram doze anos de purgatório, hormônios da adolescência, um divórcio malamanhado e situações de Lars Von Trier a Buñuel. Entrei pela porta dos fundos e saí pela janela e depois pulei o muro.

No primeiro ano eu sentia muita saudade de meus amigos daqui. Com o tempo a saudade deu lugar a outra coisa: eu me imaginava encontrando com eles ou me imagina ainda em Salvador, como se tudo não passasse de um horrível pesadelo... aliás algumas das poucas lembranças são piores do que muitos pesadelos. O tempo passou e assim como a saudade (e a falta que eu sentia dos primos, da casa antiga, do passeio no shopping, da praia) passou, esse desejo de "não estar lá" também se foi. Primeiro ficou um vazio, depois eu me encontrei com coisas que fizeram da minha vida mais interessante: HQs, desenhos animados, legos, playmobil e os livros.

Pouco depois me mudei de casa e, sem perceber, sumi da vida de meus primeiros vizinhos, mesmo morando no mesmo bairro, sem contar que eu sempre gostei de andar, mas simplesmente sumi. Não lembro mais dos nomes nem de como eram as pessoas, o som da voz, o que faziam. Mas esqueci isso pouco tempo depois de ter sumido. Tenho alguns flashes, mas tudo parece ser ora sonho, ora pesadelo e não como algo real.

Nesse período eu mudei muito pouco, se bem que podemos até ter a consciência da mudança, mas determinadas coisas são desveladas com o tempo, do nada fica tudo claro, óbvio, simples. Foram basicamente quatro, todas silenciosas, todas dolorosas, todas igualmente importantes com seus erros (que foram muitos) e seus acertos.

Essas "mortes" acompanharam minhas mudanças de casa, foram pouco radicais, mas em cada uma delas a única coisa que crescia era a vontade de viajar, conhecer lugares pessoas. A exceção foi última, que foi quando eu percebi meu desapego com algumas coisas e comecei a perder algumas amarras, me percebi "morrendo". Em uma das muitas madrugadas de insônia eu estava ouvindo música e me preparando para vir embora quando eu me dei conta que eu jamais veria a minha casa outra vez, meu quarto nada mais seria uma lembrança, e que tudo que eu vivi ali de bom e de ruim em breve pouco importariam, mas principalmente, eu iria embora.

No dia seguinte, o último dia, houve uma despedida, encontrei por acaso com alguns colegas da escola e começamos a beber em um lugar bem trash e depois fomos para outro mais trash ainda. Eu bebi demais, bebi até dormir... acordei na hora de voltar pra casa.

As malas estavam prontas, olhei a casa, tomei um banho... de algum modo eu desejei estar em todos os cômodos (essa já era maior! Cabia os móveis!), quis gravar cada momento, o sabor das acerolas, o cheiro das hortelãs, o cantinho da palmeira, as buganvílias, o cheiro de flor de maracujá... Eu sabia que os anos que viriam seriam duros, e principalmente os primeiros, era uma vida nova e até então desconhecida. Separei meus discos, separei minhas revistas, conferi as roupas. Lembrei quantas vezes eu desejei que aquele dia chegasse. O dia chegou, coloquei as coisas no carro e saí de lá como eu cheguei, em silêncio, curioso e olhando para os morros.

Passei no vestibular e ganhei... um ano de férias! Nesse período eu fui conhecer a cidade: fui a alguns teatros, conheci as feiras livres (comprei, comi, bebi, o escambau!), conheci o subúrbio ferroviário, fui no aeroporto (ainda não tinha ido depois da reforma), conheci o bairro Santo Antônio, conheci as viela de Itapuã. Começava ali um período difícil, mas ao mesmo tempo muito feliz, de grandes descobertas e... grandes despedidas seguidos de grandes esquecimentos.

Eu morri, eles também morreram. Já não importa mais. E o agora, será que vai importar? E o que virá depois? Nada importa. Talvez por isso tudo seja sempre tão especial... ver que tudo é especial dá trabalho porque complicamos tudo. Uma vez disse aqui que eu não queria o simples. Hoje eu matei aquele que escreveu aquilo: quero o simples. Não quero ter razão, quero resolver as coisas... As pedras sempre vem, mas tem sempre alguém para me ajudar a não cair ou a levantar, nem que seja eu mesmo!

Por um tempo eu imaginei que essa sina da despedida, dos desencontros, das partidas e do abandono fosse triste. Hoje eu já não sei. Ou será que eu sei?

Eu sou o garoto do adeus: eu sempre sumo, muitas vezes sem me despedir, eu me esqueço de tudo e ando. Deixo pelo caminho com o mesmo cuidado ou total ausência dele as raivas, os dissabores e as boas lembranças. Jogo em um rio de forte correnteza os rostos e os donos de seus rostos. Eu também sou como essa água. Eu disse adeus a minha família, a amigos, a sonhos, a casas, a coisas, disse adeus a mim mesmo. Eu também ouvi essa palavra ou fui abruptamente separado inúmeras vezes. Ainda passeio pelo mesmo lugar todos os dias 27 e 28 de dezembro esperando alguém que não virá, ainda espero uma visita que não vem.

Nunca aos domingos!!!!

quarta-feira, março 25, 2009


No dia 19 de março de 2006 eu decidi, mais uma vez, criar um blog. Era mais um entre centenas de blogs que eu havia criado e depois abandonado (e que estão perdidos em algum lugar da nuvem da internet!). Dessa vez o que motivou a feitura de um cantinho no ciberespaço foi um conselho de alguém muito próximo. Que conselho foi esse? Bom, me disseram que eu falava demais (ha-ha! Mas é verdade: eu falo demais, mesmo!). Na hora, retruquei meio ouriçado e disse "que eu tinha muito a dizer". "Então escreva, ora..."

O dia 19 de março de 2006 foi um tedioso domingo (aliás, como são todos os domingos), eu morava na mitológica e longínqua terra de Itapuã, portanto, toda e qualquer tentativa de sair no domingo era sempre um movimento delicado e complicado... Tudo era motivo para esquentar a cabeça, era sempre um aborrecimento: horário, ônibus, o que fazer, onde ir.... lembrando que eu teria uma ingrata manhã de segunda em poucas horas! Então, era normal passar os domingos em casa pela manhã, ir ao cinema no meio da tarde, baixar e escutar música, assistir as reprises dos seriados... eventualmente passava um filme bacana na faixa das 10 da noite.

Exatamente por isso, eu não tinha o costume de ver meus amigos aos domingos, de sair pro reggae... só que que, de certa forma, eu me habituei com essa rotina.
No fatídico dia 19 não posso dizer que eu estava no tédio absoluto: como estava só em casa, passei o dia ouvindo música - especificamente o "OK Computer", do Radiohead, "Transa", do Caetano e "Racional", do Tim Maia - comprei umas cervejas e fiz uma comida legal, tava bem empolgado. No entanto, chegou uma hora que deu vontade de conversar com alguém, trocar idéias com pessoas, beber as cervejas... E nessas horas todo mundo some (ha-ha): ninguém no messenger, nem uma notícia interessante, na TV só reprise, ninguém em casa para falar por telefone... foi aí que me lembrei do tal conselho e resolvi escrever e colar coisas quaisquer que eu gostasse! Eu comecei 7 da noite e varei a madrugada! O tédio havia acabado...


É isso aí.... já se vão quatro anos, com relativa assiduidade do missivista-blogueiro que vos escreve, de muitos desabafos, piadas, reflexões, músicas... Que maluquice! Não parece! Os anos passaram correndo, contudo não passaram ao largo. Acabei de me dar conta que do meu primeiro post até agora tanta coisa aconteceu, eu viajei, conheci lugares, conheci pessoas, iniciei e encerrei etapas, círculos, fiz trabalhos, aprendi, vivi, evidentemente, inúmeras situações surreais, aventuras e desventuras dos mais diversos tipos e calibres... e uma sensação muito boa é saber que está documentado aqui ou, no mínimo, que tudo foi testemunhado pelo que está postado aqui! Não costumo ler as coisas que eu escrevo, a não ser para revisar, mas hoje eu reli todos os textos (e realmente alguns são meio longos... haha!) e fui longe...

Como todos aqueles que sempre desejaram ter um blog pra chamar de seu, até este aqui foram várias tentativas, vários blogs... Mas aí, a gente enjoa, cansa, fica com preguiça e acaba deixando de mão! Depois disso, vão todos para a nuvem da internet e só podem ser recuperados se estiverem no cache de algum motor de busca, do contrário, não voltam mais... os que não são deletados ficam pegando poeira virtual, com o post mais atualizado falando da primeira eleição do Lula ou da "grande novidade" que é o audiogalaxy (um antigo programa/ comunidade virtual P2P que reinou entre 2000 e 2001, quem lembra vai entender a piada).

Antes de construir o por inzêmprio eu tive uma infinidade de blogs - coletivos ou individuais - e todos acabavam indo pelo mesmo caminho... shift + delete! Mas eis que este aqui eu consegui trazer até agora. Não tenho uma intenção com ele que não seja limpar minha cabeça e dividir com quem quer que seja, minhas experiências, sejam amigos ou desconhecidos.

Há quatro anos, sempre que possível, eu venho aqui conversar não-sei-com-quem, limpar a cabeça, dizer algo mesmo que ninguém leia (e me deixa surpreso saber que tem quem leia, que mande e-mail, que comente, sejam amigos ou desconhecidos!). Acreditem, é uma coisa muito bacana! Está tudo aqui. O blog é o meu companheiro fiel das noites de insônia, dos dias estressantes, dos dias de alegria e vitórias, dos aborrecimentos. E sabe-se-lá-quem é meu leitor, mas, sendo bem sincero, isso não me importa muito, mas ainda assim eu fico feliz em saber que tem gente que vem aqui e lê o que eu escrevo!

Antes de me despedir, coloco aqui alguns vídeos muito bons que encontrei no youtube!

Frankito Lopes:


Carlos Alexandre


Vicente Celestino


Fernando Mendes


Agora vou me chegando e vou pegar os caminhos de Aruanda...

Colunistas Convidados

sexta-feira, janeiro 16, 2009


Olá, meus caros leitores invisíveis. Hoje o blog tem a satisfação de receber uma crítica enviada pelo meu amigo Vinho, crítico amador como este que vos escreve com escassa regularidade. Espero que gostem.

Rewind:Karen Carpenter


13/01/09
Foram necessários 16 anos de dura insistência dos fãs para que o álbum solo da Karen Carpenter (1996) fosse finalmente lançado (na íntegra) pela A&M Records. Anteriormente, 4 faixas (re-editadas) deste disco acabaram entrando no set list do disco 'Lovelines' (1989) dos Carpenters e mesmo recebendo comentários amistosos no encarte do próprio Richard, nem ele, nem a gravadora se encorajava a lançá - lo.

Por qual motivo?

Diz a lenda que em 1979, enquanto Richard Carpenter se tratava numa clínica psiquiátrica em Kansas devido ao uso contínuo de soníferos (!), Karen decidiu viajar para Nova York, dando início às gravações do seu disco solo, juntamente com o produtor Phil Ramone e Rod Temperton (Na época, muito elogiado por seu trabalho com o Michael Jackson em "Off The Wall"). A idéia era fugir ao máximo do formato padrão já estabelecido pelas gravações anteriores feitas por seu irmão, então é perceptível que os temas das letras são mais maduras, mais femininos, e finalmente, Karen pôde assumir o controle total do rumo do seu disco, experimentando estilos musicais não usados em um disco dos Carpenters.Os arranjos são mais jazzísticos, com bastante cordas e metais, inclusive a banda do cantor Billy Joel participou ativamente desta produção, e o Peter Cetera (ex- Chicago) emprestou a sua voz na faixa 'Making Love In The Afternoon'. Karen teve a oportunidade de usar a sua voz com um registro maior, abusando de notas mais altas e mais longas nas faixas, e sozinha, usando diferentes tons.Impressionante solo de Fender Rhodes em 'Lovelines', e uma sessão de metais pra ninguém botar defeito em 'If I Had You'.Inclusive, a mais excitante e grande ponto álbum do disco.Rod Temperton fez um arranjo vocal extraordinário, com o qual, Karen usa todo o seu domínio com precisão.

Tinha tudo pra dar certo, até que o Richard escutou o disco com o Herp Albert (produtor executivo da gravadora) e não gostaram da nova guinada na carreira e da proposta apresentada pelo disco. Apesar da super produção e de músicos e compositores renomados, temiam que o disco não agradasse e a imagem da Karen fosse arranhada. Com isto, o projeto acabou sendo engavetado, e os irmãos, reunidos outra vez, lançaram o último ( e bem sucedido) como dupla, "Made In America" (1981).

O álbum solo da Karen Carpenter até hoje divide opiniões. Eu, particularmente, quando o escutei, fiquei encantado, acima de tudo, pela nova faceta mostrada neste disco. A cada dia que escuto, coisas novas descubro. É claro que há faixas que não me agradam, mas pelo conjunto da obra, acerta em cheio!

Infelizmente, a A&M/Universal decidiu retirá - lo de catálogo, talvez por estratégia, quanto mais difícil de encontrar, mais valorizado o produto fica. O disco, quando foi lançado em Outubro de 1996, teve o mínimo de divulgação possível, talvez prevendo as duras críticas que receberia, e de fato recebeu...

Quem teve a oportunidade de escutar o álbum póstumo "Voice of The Heart" (recomendo) dos Carpenters, pôde ouvir a canção 'Make Believe It's Your First Time" produzida pelo Richard Carpenter, com a participação do "Ok Chorale" fazendo os vocais...No álbum solo, você pode conferir uma versão mais intimista produzida pelo Phil Ramone (e com um registro vocal maior) da Karen e ter a sua própria opinião, e entender as "diferenças" entre as visões de uma mesma música por produtores diferentes.

Aqui, o link para conhecer o álbum da Karen, e baixá - lo na íntegra!

http://rapidshare.com/files/61876925/DB1103-KCSolo.rar

confira a casa dele: www.fotolog.com/meucarovinho

O que eu ando ouvindo

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Depois do Vampire Weekend e seu afro-reggae-dub-ska-punk/electro-rock, eis que os ouvidos dos seres que ouvem músicas com mais de três gêneros (as famigeradas músicas híbridas) têm mais três amigos: Mystery Jets, Foals e os brazucas Os Azuis... deleitem-se. O interessante é observar que o que há de mais moderno hoje foi o que houve de mais obsoleto durante a década de 90 (a tal década que realmente foi futurista)... Mais do que nunca o tosco e o armengado tão hypadíssimos!!! Então, lá vai! e eu fui...

YOUNG LOVE

http://www.myspace.com/mysteryjets

CASSIUS


http://www.myspace.com/foals

NÃO ADIANTA NEGAR

http://www.myspace.com/osazuis

Compareça: I Lavagem Cultural da Biblioteca Pública do Estado da Bahia

sábado, novembro 01, 2008

Participe você também!

A Biblioteca Pública do Estado da Bahia, a primeira biblioteca pública da América Latina, inicia as comemorações de seu bicentenário realizando uma programação especial a partir desse mês com a I Lavagem da Biblioteca Pública - Um banho de conhecimento. A programação do mês da cultura e da consciência negra inclui a exposição Novembro Negro, o lançamento de uma nova identidade visual e o início de uma nova abordagem pública que está centrada na integração da rotina da comunidade baiana e soteropolitana, bem como no acolhimento aos usuários (escritores, poetas, atores, cordelistas, repentistas, e mais diversos leitores e suas respectivas necessidades).

O evento contará com as tradicionais baianas e tudo aquilo que caracteriza uma tradicional lavagem, além de grupos artísticos locais e a presença do Ylê Aiê. Aproveite e comemore o dia da cultura no mais antigo equipamento cultural público da cidade, é um direito e um privilégio! Vamos abraçar a Biblioteca e curtir good vibrations da baianidade nagô.

Fica a dica!


O quê: I Lavagem da Biblioteca Pública
Quando: 05 de novembro (Dia da Cultura)
Onde: Praça da Piedade (concentração) e Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Barris)
Custo: R$0,00
Contato: bpebbibliotecaviva@fpc.ba.gov.br

Em tempos de diversidade cultural... II

terça-feira, outubro 21, 2008

Olá meus caros, a agência de notícias Baiano Nagô Press traz mais uma aventura (ou talvez, quem sabe, a sua mais nova desventura) de nosso querido missivista provinciano...


Na verdade seria uma série de desventuras...

Bom, a primeira aconteceu há aproximadamente uma semana. Na verdade, para narrar o acontecido, é preciso que eu volte um pouco no tempo (sim, tudo começou há um tempo atrás, na Ilha do Sol), cerca de 5 anos.

Na minha 4ª semana de aula eu comecei a estagiar em uma ONG aqui de Salvador chamada Expogeo, mais conhecida pelos seu curso de inglês e pelos congressos de meio ambiente que realiza (e que eu tive a oportunidade de trabalhar, por sinal), acompanhei uma pessoa de lá para um lançamento de uma coletânea (uma espécie de antologia poética de autores baianos, a maioria iniciante, desconhecido, ou poeta nas horas vagas), coisa que por sinal sempre acontece e, na maioria das vezes, transcorre (dentro do possível) nos limites da normalidade... i

Infelizmente, esse nao era o caso... e o pior dessas situações é que não dá para rir (eu fui na casinha umas duas vezes, abri a torneira e ri um pouco, mas não era o suficiente!!), e essa impossibilidade (acrescida pela incapacidade de se libertar da situação) nos causa uma aflição sem tamanho aumentando ainda mais as proporções do problema e a nossa sensiblidade diante do ridículo, da galhofa e da patifaria. Não sei quanto aos outros livros e seus respectivos lançamentos, mas esse me torturou por quase 2 horas, primeiro porque eu saí da faculdade e fui direto para o estágio (meu almoço? Uma água de coco, uma maçã, uma banana e o coco).

Quando deu meu horário, recebo o convite da atual diretora (ou presidente) para um "evento" com (tcharam!!!) boca livre... com a fome que eu tava, a proximidade do lugar e ainda era um lançamento de livro, estava tudo caminhando muito bem... ah, se eu soubesse... lá eu vi de tudo, desde rasgação de ceda, poetas recitando enquanto múmias dançavam flamenco, um poeta inflamado bradando que "POESIA! POESIA! POESIA! E NÃO MARESIA! MARESIA! MARESIA! QUE SERIA? QUE SERIA? QUE SERIA? EU VOU COMER POESIA! VOU VIVER POESIA"... bom, daí para as palavras de ordem, eu, que quase dormi escutando a rasgação de seda, tive a primeira amostra do quão longa e torturante seria a tal festinha estranha de gente esquisita...

O fato é que, acabado o recital (ou seja lá o que era aquilo), eu estava mais ou menos refeito e viria a minha recompensa: o bufê!!! Que foi uma lástima... paõzinho dÉlicia, refrigerante frevo e uns canapés bem sem graça... e não pense que era em qualquer lugar daqui não, era em um espaço nobre da cidade e os tais poetas pertencem ao segmento mais abastado da nossa pequena província baiana... Sei que saí de lá na revolta, e no dia em particular eu tava duro que tava uma beleza, então fui revoltado pra casa: não podia rir da situação, não curti a situação e nem comi, pronto! Uma total "perca" de tempo, como diz os povo esperto...

O fato é que fiz uma cruz, e lá não mais pisei, bem como passei a ser criterioso com os eventos que eu me meto e nos bufês que vou serrar (não sei se ainda está assim, mas se você está pelo centro da cidade e bateu aquela fome no juízo bem no finalzinho da tarde, dê um pulo na Caixa Cultural porque sempre tem um coquetel bacana, tem o ICBA/Goethe Institut e até mesmo, a reitoria da UFBA).
Passaram os anos e eis que lá vou eu acompanhar dois amigos que iam resolver um pepino lá com um certo editor de livros baianos, esclarecer alguns pontos em um livro que em breve será lançado. Fui sem suspeitar para onde iria (garanto!). Ao chegar lá, me lembrei do que aconteceu.
A coisa ia cair na surrealidade (dessa vez eu pelo menos teria testemunhas!!! Isso já é bom!).

A gente já chega com uma pessoa parada com um quadro nas mãos, por um tempo... já olhei e quis rir. Ouvi um "podem entrar, aqui todos são bem-vindos, a poesia chama...". Pronto e a viagem começou... Lá estava eu entre as múmias, um pesadelo vivo...

O pior aconteceu quando as pessoas foram se apresentar: um mulher que estava sentada próxima a mim foi a primeira: era a primeira reunião que ela participava e ela se dizia "emocionada e grata com a energia de amor que a guiou, que por muito ela resistiu, que mesmo naquele dia ela relutou bastante, mas estava ali para sentir e compartilhar sentimentos". Quando inquerida sobre o nome dela, eis que ela investida de sabedoria e compaixão nos brindou com a pérola de uma vida: "Eu tenho três nomes... o primeiro é Mariza Von Berg (troquei o nome para preservar), mas eu também tenho outros dois nomes... isso porque um dia da minha vida, andando pela rua, eis que eu conheci o Amor, e eu gostei tanto dele, me tocou tanto, que eu resolvi me casar com o amor, e estou casada até hoje, e por isso eu assino 'Mariza Amor'

nota do blogueiro: a essa altura eu já tinha mordido a língua e já estava mordendo os lábios, não dava para rir, saiam alguns "he-he" que eu não conseguia conter, a respiração ficou difícil e até suar eu suei!

Continuando: "Mas eu ainda tenho outro nome, eu também, andando pela vida - e depois de meu casamento com o amor - eu encontrei Felicidade... e gostei tanto que me casei com Felicidade também"

nota do blogueiro 2: tudo bem, a uma altura dessas eu já estava sentindo gosto de sangue na boca porque me feri de tanto me morder para não rir, eu já nem me mexia mais para evitar uma tragédia... meu linxamento, porque ela tava lá amando o amor e sendo feliz com a felicidade, mas ERA SÉRIO... teve gente que achou aquilo lindo, se emocionou, achou criativo até o e-mail "marizamor@gmail.com" como se fosse algo do outro mundo... então, rir, siginificava pedir para apanhar!!


Continuando 2: Assim que a tal figura com sérios transtornos de personalidade terminou sua fala (que durou pouco mais de 5 minutos, mas que me pareceram uma eternidade), quem foi convidado para se apresentar? ESTE QUE VOS ESCREVE!!! Pensei seriamente em colocar um personagem e dizer que meu nome era Cláudio, Clóvis, Alfredo, Miguel, que eu era poeta e artista plástico da aldeia "Yasha Ham", mas não tive coragem... me apresentei... "Lucas Lins... estudante e consultor de projetos culturais"... quem veio conversar comigo depois??? Ela mesmo, Mariza Amor... como é que eu ia rir?? Depois dessas, levantei umas cinco vezes, liguei para pessoas, que, por algum motivo não podiam atender os telefonemas, simulei conversas, simulei escutar piadas... tudo isso para rir e respirar aliviado... Quando eu voltei para a tal reunião (enquanto na minha cabeça a questão "que faço eu aqui neste universo paralelo até agora??") ouvi a gota d'água: "uma pena termos apenas 3 horas de encontro semanal".

Nem quis mais ouvir nada... tratei foi de pegar meus caminhos de aruanda... eu cheguei 15h20 e deveria esperar até dar 18h??? Nunca! Eu morreria até lá, ou no mínimo ia sair com a boa toda ferida... Saí de lá, enfim... depois eutomei uma cervejinha para relaxar, era miuta informação...

Já a segunda... bom, essa é um caso diferente... não é uma história cômica ou tragicômica, mas foi uma coisa que nunca fiz: ir a um show de pagode, mas daqueles roots... A experiência valeu, embora eu não sei se eu repetiria.

Lá fui eu para o Lançamento do DVD da banda FANTASMÃO!!! Lá no Wet'n'Wild - o primeiro parque aquático em ruínas que funciona também como casa de show... o palco fica na piscina e tudo... quem já foi depois que o lugar foi além da decadência sabe do que eu estou falando.

A namorada de um amigo meu (também amiga minha) está na área de assessoria de comunicação e o Fantasmão é um ilustre cliente, e durante o lançamento do DVD do show AO VIVO, recebi um convite para o tal lugar, camarote da imprensa (nossa ilustre agência de notícias estava lá marcando presença), ficava bem ao lado do palco e tudo!!

O show, na verdade era uma festa, o "I Encontro das Tribos", e além de Fantasmão, tínhamos algumas bandas locais, "O Círculo" (pop), "Adão Negro" (reggae), "Diamba" (reggae aussi) e... Racionais MC's, além de, evidentemente os anfitriões da festa: O FANTASMÃO!!!

O legal foi que percebi o quão "apaulistada" está ficando a Bahia... estava um calor considerável, mas havia um sem-número de pessoas com gorros de lã, camisas do coringão e um sotaque de "mano", "firrrmeza"? Coisas que só se vê aqui... porque se o sotaque de paulista(no) já nos soa esquisito, imagine o sotaque baiano apaulistado? Sofrível! Fora que além disso, parecia um clipe de Nelly, 50cent, Snoop Dog ou coisa parecida... bling-bling, camisão de futebol americano, boné de jogador de baseball, sneakers e, claro, uma calça folgadona... por alguns segundos eu pensei que estivesse no Brooklin e não na Avenida Paralela... Até o pagode tá mudando de nome!!!

O Círculo estava meio deslocado no tempo, no espaço e no equipamento/circuito cultural... essas coisas de banda iniciante que ainda não bombou fora do circuito cult rio vermelho (ou seja, a Boomerangue, porque até o Nhô Caldos já não mora mais por lá!)... ganharam um cachê e tocaram para meia dúzia de pessoas (das quais duas estavam na frente do palco e o restante se encontrava no camarote) e foram pra casa. Foi o melhor show da noite.

Antes do começo do show do Adão Negro, inexplicavelmente, os 12 mil pagantes resolveram entrar e entupir o lugar, era um mar de gente, um paraíso para agorofóbicos!

Ao final do show do "Adão..." ficamos sabendo que "Diamba" não cantaria, mas fora substituído por... SINE CALMÓN... que beleza... e um detalhe, a trilha sonora entre os shows era uma maravilhosa vinheta da PIATÃ FM... EMPURRA, EMPURRA, EMPURRA, PIATÃ!!!

O mais legal foi que descobri que o Fantasmão não toca samba ou pagode... faz um som muito parecido com o pagode, o chamado "groove arrastado", além de tocar "kuduro", aquele ritmo de angola que a Nara andou comentando no blog dela. Contamos com a ilustre presença de Regina Casé dançando Kuduro com Eddie... e tudo diante do dono destes olhos...

O show do Fantasmão, no entanto, não é de todo ruim, a percussão é excelente, como é costume hodierno, usam sintetizadores do leste europeu e samplers de música angolana. É bacana. As pessoas deliram, é uma maluquice só... quem guenta? O Big Ghost seria ultra-pop-cool se gravasse com a M.I.A., Mallu Magalhães, Tom Waits ou N.E.R.D...

Acabado o show deles, depois de uma performance de Regina Casé, eis que entra em cena os caras do Racionais MC's, com o alto astral de suas músicas... parecia uma cerimônia religiosa... e das brabas! haha. Ainda no início do show, propus pegarmos todos os caminhos de aruanda enquanto estava tudo calmo... e realmente estava: toda a área que não fosse a do palco estava vazia, parecia que não estava acontecendo nada, o mesmo valeu para os portões, estacionamentos e até a rua.

Saímos de lá e fomos comer alguma coisa... pelo horário avançado, já fomos atendidos como VIP - Very Insuportable People -, uma vez que o restaurante (fast food insiste em se chamar de restaurante, que cara-de-pau!!!) estava fechando...

Depois disso, fui pra casa com meu brinde (um dvd do fantasmão), caí na ducha fria e detchei.

É... agora é esperar o Muquiverão!!!


Abraços.

Lucas Lins, mas pode me chamar de Lucas Canastrice, porque um dia eu conheci a Canastrice e me casei com ela...

Em tempos de diversidade cultural...

sexta-feira, outubro 10, 2008

salvador | baiano nagô press

Clique na imagem abaixo e descubra que nesses tempos de diversidade cultural...
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... tudo é considerado como arte e cultura...























...não acham???


Se você for "arteiro(a)" demais, olha só onde você pode parar...

Não é invenção minha... está no site!!! Confira você mesmo:

http://www.bahia.com.br/localidade_servicos_categoria.asp?idc=11&pag=23&idl=4536




tsc tsc


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