Cansei de ser sexy!

segunda-feira, fevereiro 11, 2008



Já perceberam o quão "da moda" é a atitude de cansar? Temos o movimento dos cansados com a política, com a violência, com a corrupção (seja lá o que isso signifique) e o melhor de tudo: os que cansaram de ser sexy... Cansar é in... cansar é tudo! (UGHHH!!!! Meu estrômbado!! Meus "rinhos"!)


Pra quem nunca ouviu falar na banda de "A-la-la-la", vai um breve resumo: a banda faz um som pra lá de bacaninha, mas, assim como o Bonde do Rolê (que mistura pancadão com heavy metal), não passa de uma piada... uma piada das boas, piada sofisticada, inteligente, daquelas que você ouve e faz "hammm..." e depois ri comedido... não é esculacho! É uma piada com eles mesmos, com quem ouve, com quem gosta, com quem perde tempo falando bem ou mal... enfim, não importa. Além de combinar rock, eletro e sabe-se-mais-lá-o-quê, a galera pega pesado no visual.

O fato é que a dita cuja caiu nas graças de um sem-número de críticos brazucas e gringos,saiu em turnê com Gwen Steffani (eu acho... correct me if I'm wrog, you guys), viajou com o Klaxons (essa, sim, uma banda muito, mas muito legal!), mas apesar de tudo, ainda acho que é mais fumaça do que fogo. Aliás, acho até que eles se valem disso e fora que não tem nada mais forte pra uma banda indie do que deslizar de vez em quando para o mainstream. People like confusion...

O hype da banda de nu rave paulista (uma combinação de Blitz, com Frenéticas e rock new wave) seguiu tendência ou inventou moda? Reparem só: tá todo mundo se vestindo cansado de ser sexy, êta revival fashion dos anos 80 sem sentido algum... e "tome-le" entupir os nossos ouvidos de sintetizadores do leste europeu...

Mas a parte mais curiosa é que rolou uma onda fashion "de com fôça"!! Lá onde eu estudo muitas pessoas andam cansadas, logo de manhã: heavy makeup on, cabelo armado ou com cortes exóticos e combinações de roupa que bailam entre os geeks, os grunges de seattle, os punks de NY e os descolados no maior vibe "cool-cult-kitsch-pop/contra-pop-antifolk-afro-reggae-roots-fashion-poser-i'm better than you, bitch or whateva". O pobrema é que essa onda cansada cresceu!! Lembram de peninha? Tudo era uma brincadeira e foi crescendo, crescendo me absorvendo... Agora temos militantes na área audivisual, na área de teatro, nas pickups das festas, nas faculdades, nas casas, nos escritórios, nos programas de tv... depois do movimento emo, é a vez do movimento dos que desistiram da beleza, da frivolidade e do hedonismo (ou não? ha-há!).

Aqui em Salvador, terra da antropofagia o movimento se fundiu com o da cultura popular (uma cultura popular de elite, não vamos esquecer disso!). Bom, ficou uma indaga... não tá bunito não... aos meus olhos não é coisa de Deus, mas tem quem goste, ô se tem!!!! E o que eu vou fazer? Vou matá? Nãããooo, vou inducá, iscraricê, instruí...

Como reconhecer essas pessoas?

Primeiro é preciso saber onde elas andam para ou evitar, ou levar um prozac, vallium, rivotrill, gardenal, diazepan ou um porrete!! haha.

Cinemas de arte, shows de bandas indie, teatros (apenas se for peça indie ou algo experimental, gratuito, num lugar sem ar condicionado, onde todo mundo vê o espetáculo em pé, que dura 4 horas, sem intervalo e todos os atores são amadores), bares indie, desfiles de moda (este é um pouco mais restrito, então se você não for das modas, relaxe...) e claro, lojas de cd e bairros boêmios. Aqui em Salvador eles circulam pelo Rio Vermelho, Santo Antônio, Barra e Pelourinho. Alguns freqüentam restaurantes naturebas ou macrobióticos, japas, cantinas italianas (tem que ser italiana de verdade).

Alguns desenvolvem sotaques... alguns puxam para o paulista, outros para o gaúcho e outros para o de nordeste... sotaque de salvador só se for muito, mas muito forte! Mas a minoria pega a coisa baiana... no máximo alguns que usam palavras em iorubá, lembrem-se que a baianidade é algo que causa "gíngi"nos cansados... pessoas altamente urbanas, descoladas e vanguardistas: falar "ingual" a Ivete Sangalo é um pecado mortal!

Mas o reconhecimento imediato de um cansado é sua indumentária: calças skinny, camisas ora folgadonas ora justas, frases e tênis retrô ou vintage.

Bom, no casos dos hombres, eles costumam usar calça de flanela (de preferência uma que pareça ser bem suja e surrada, mesmo tendo custado R$ 989,00 na Osklen), uma camisa com uma foto da Galeria Pierre verger, um óculos de armação grossa, look descabelado, sandália de couro da Barroquinha (mas pode ser da Osklen também), bolsa de lona também da Geleria Pierre Verger ou do Teatro Vila Velha. Eles andam com iPods nos ouvidos ouvindo Klaxons, The Rapture e, lógico, Cansei de Ser Sexy.

Já as chicas usam calças ultra-skinny (alguns rapazaes tb, vale ressaltar) com camisas com frases inteligentes ou irônicas (e muitas, mas muitas cores cítricas...), os acessórios são os mesmos dos rapazes, com exceção da sandália, que deve ser de cor cítrica e de muitos balangadãs... Ah, e os bottoms, não vamos esquecer dos bottoms (que no meu tempo se chamavam "broches", mas tudo bem...). Alguns costumam cultuar ícones do samba: sofrem com uma nostalgia de uma época que sequer viveram. "Ah, porquê Nara Leão morreu?", escutam cartola, candeia... combinam também com a Banda Black Rio e seu emblemático album "Maria Fumaça" e mais recentemente andam cultuando Caetano Veloso (Cê foi uma mão na roda mesmo!!!). Se isso me incomoda? De forma alguma, mas eu me divirto olhando o mundo...

Uma incursão no universo dos cansados

O mais legal dos cansados é sua fina inteligência e seu ar underground e vanguardista (UGH!!). Como curtem cinema alemão, hindu, iraniano (esse é o campeão!!!), comédias francesas, e claro, filmes sobre pessoas desajustadas, de preferência do Gus Van Saint, Lars Von Trier, filmes com Heather Matarazzo (estrela de "Wellcome to the Dollhouse") e similares. Enfim, filmes quando se tem que "entender alguma coisa". Não vou dizer que não curto uns filmes de maluco porque eu gosto, então acabo freqüentando lugares cansados como os cinemas de arte... não tem nada melhor do que esperar o tempo da sessão começar bebendo uma agua gelada ou tomando um café e observar com calma os espécimes em seu habitat natural... é melhor do que ler qualquer revista velha de cinema!!! Os comentários não tem preço!! Eu nuca fui munido de bloco de notas (o meu "Bloc", o blog físico... hehehe), mas me prometi levar sempre e anotar sem muitos compromissos alguns trechos das palestras (ou seraim lectures) sobre cinema, política e economia nas narrativas audiovisuais... e melhor ainda são os diálogos após a sessão... Ano passado fui para a jornada de cinema (ou semináriode audiovisual... nunca lembro) assistir aos filmes "Yahansã" e "O Baixio das bestas", o primeiro é super bacana, mas o segundo... enfim, melhor do que os dois filmes foi a platéia... Karim Aïnouz (também diretor de "O Céu de Suely" e "Amarelo Manga") falava algo sobre o circuite de cinema que existia entre Pernambuco e Bahia e lembrou que "as pessoas do Sul" chamava este grupo de "Pe.Ba"... alguém do meu lado (ô sangue...), levantou e bradou "É PEBA, MAS É BOM!!!!!!!! UHUUUUU!!!", depois foi acompanhado por "VIVA O CINEMA BAIANO!! SALVE O CINEMA BRASILEIRO!!!!"... e ainda pra completar meu querido Karim gritou "EU FAÇO CINEMA PARA NÃO ME RASTEJAR!!!.. claro que o Teatro Castro Alves veio abaixo e o cara teve uma ovação (como eu queria que ovação significasse "jogar ovos sem parar" naquele momento) e os comentários depois do filme? "Feroz!", "Áspero", "Transcedental", "Violento, pujante!"... eu não consegui entender muita coisa do filme, mas atribuo isso a minha burrice e chatice... o que fazer com os cansados? Não sei, acho que cansei... ou melhor, eu não canso nunca.

O verão tá aí. Curta o verão. Curta metragem. Eu tô curtindo (e sem cansar!)

Insônia + inspiração = ?


Tô de volta!!!!!

Coisas que ouço por aí... Quero deixar bastante claro que o objetivo deste post não é diminuir, ofender ou humilhar, muito pelo contrário.

É curioso como a inspiração não tem hora para chegar. No caso da minha, ela acompanha o dono: é instável, incontrolável e, como bem diz a boa baianidade nagô, de veneta. Não, eu não acordei 3 horas da manhã para blogar... a vontade de escrever é muita, mas não chga a me controlar e torturar [tanto] assim. Já estou no computador desde cedo trabalhando, ouvindo música e lendo notícias. Hpje, mais precisamente a partir do final da noite, eu resolvi colocar tudo em dia (ou, como diriam alguns "colocar tudo em dias"): fechar planejamento de projeto, atualizar orçamento, revisar texto. E já que era pra acabar com as pendências acumuladas, por que não atualizar o brógui? Não tenho idéia de quem leia o que eu ando escrevendo "aforamente" os amigos que falam que costumam ler (e, eventualmente, cobram atualizações).


Mas eu vou falar sobre o quê? O calor da cidade? A brisa fresca do verão? Da praia de Amaralina? O camarote do ministro Gil? Dos prêmio Grammy? Dos cartões coorporativos? Do Rombo da Previdência? Da crise americana? Da greve dos roteiristas? Nada disso.

Ni que eu tô aqui no tecrado, vou tratar de um assunto que muito me atrai: flagrantes de diálogos nos lugares mais triviais. Por inzemprio, pode ser um sotaque, gírias, arcadismos, pequenos desvios da norma culta, conversas tortas (um dia eu ainda posto aqui com calma a definição de “conversas tortas”). Eu sou fã declarado dessas pequenas jóias que andam pela rua esperando pelo descobrimento e registro!! Meu ainda parco repertório foi à baila algumas vezes durante o carnaval quando, sem querer eu acabei protagonizando um show amador de stand up comedy lá pelas Guarajubas. Confira e se deleite (ou não, você é que sabe de sua vida!)

*****

"Tô com os orvalho framado, preciso fazer uma tonigrafia computadorizada..."

"...Corre e me dá a chave do cadeal... porque se eu perder o oins não tem coins pra mim..."

***** (essa eu aprendi em Guarajuba)
Homem 1: É colé ou colí?

Homem 2: Rapaz, eu acho que é Colí...

Homem 1: Ô galera da colíografia...

*****

Mulher 1: Vem cá, o certo é probrema ou pobrema?
Mulher 2: Os dois estão certos... probrema é próprio da pessoa, é de dentro pra fora, é da pessoa para o mundo. “PRÓbrema MEU, não se meta!”. E pobrema é dos outro. “O pobrema é seu... não me conte seus pobrema...”

*****

"Maria, Valeu! (nota de tradução: Maria, Valei-me!)"

"Isso aqui está um froco de violência e prostituição"

"Minha amiga agora ta ganhando bem: tá trabalhando numa ponta entrega"

"Cuz-cuz crã (Ku Klux Klan)"

"To ficando com meu sistema nelvoso!"

"Eu si retei com a situação e si mi piquei daquele lugar"

(essa próxima eu não tive o deleite de testemunhar, mas meu irmão me contou... aconteceu durante os trabalhos funerários de ACM)

"Ele não vai morrer nunca: é que nem Elvis Nelsis"

(Esta próxima aconteceu na fila da Caixa Econônica Federal, em Jequié)

Uma mulher contava em detalhes de como foi assaltada quando disparou sem dó: "é verdade, menina, fui testemunha ocular de tudo!" (MUITO BOM!!! Um desafio às da física inclusive... só a quântica explica... é contigo Stephen Hawking)

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Memoirs of a blogger-boy: Time 2 Get U nostalgic, babe!


Tá bom, eu admito: eu era uma criança chata (nasci cheio de sarcasmo e curiosidade... eu sou chato! O que posso fazer?Ainda mais que esse é o meu charming. As pessoas só gostam de mim por isso!). hehehe

Tive uma professora que costumava dizer que as nuvens eram enormes pedaços de gelo e que a chuva era o gelo derretendo... e que aquelas chuvas de granizo que acabam meio mundo ocorrem quando as nuvens estão muito perto do solo e não dá tempo para o gelo derreter... Acho que um desses gelos caiu na cabeça dela...

Depois da alfabetização (ou alguma das primeiras séries) eu passei a desgostar o dia do folclore, dia do índio e similares por causa de uma professora... Ela disse em aula que "todo dia era dia de índio" e que a gente ia se vestir de índio pra "lembrar que os índios existiam". Eu perguntei inocentemente: “porque índio se veste com roupa de papel?” A resposta foi, como era de se esperar super bruta – não sei se é um axioma, mas chega perto: professor(a) de criança é sempre um doce, são ladies educadas nos melhores colégios da Suíça, conservatórios franceses e universidades londrinas... tão delicadas como um javali. Bom, depois da resposta rola sempre a risada das crianças que espreitam pela miséria alheia como urubus à carniça. Eu ainda achei de completar meu raciocínio: “sim, pró, mas porque todo dia é dia de índio, mesmo? Ninguém nunca fala de índio... mas hoje tem que usar roupa de papel... porquê?” Mais delicadeza... Daí desenvolveu-se neste humilde missivista uma antipatia aos dias... o dia das mães e dos pais, aniversários e o 31 de dezembro foram preservados, mas todos os outros não desciam e era um verdadeiro suplício participar dos eventos escolares... o melhor da escola é que ela passa.. alias, até uva passa!

Essa, infelizmente eu não é uma lembrança, mas uma anotação que eu li em uma das agendas da minha mãe. Eu devia ter uns dois ou três anos e passei a tarde fazendo arte e viajando no meu fantástico mundo de Lucas – de certa forma, eu ainda faço isso e estou fazendo agora também! :) – quando minha mãe me falou que não estava nem um pingo satisfeita... eu inocentemente (ou não?) respondi na lata: “o que é um pingo?” E acabou a briga... hehehehe


Eu tenho sangue pra maluco... e quando eu falo de maluco eu me refiro aos que fugiram do Juliano Moreira ou ainda não foram... são os patológicos mesmo... não vou contar de todos que já me abordaram, só dos mais terríveis!

Uma certa feita, estava este missivista que com carinho e humildade vos escreve esporadicamente, andava pelo Corredor da Vitória, quando avistou longe um doido... “Esta maluco vai procurar história... tsc, tsc”... não deu outra... de todas as pessoas que vagavam pela Vitória, e saía gente pelo ladrão por causa do horário (por volta de seis horas), quem o maluco abordou? Passou por mim e não disse nada, apenas gritou no meu ouvido e continuou andando... e o pior é que não tinha um lugar sequer para enfiar a cabeça de vergonha... Da outra vez não houve abordagem direta mas foi, a nível de experiência pessoal enquanto vivência humana e conhecimento dos sujeitos sociais que controem a comunidade, igualmente interessante (isto é, tragicômico... ¬¬).

Fui ao Banco do Brasil de lá do Campus de Ondina, até aí normal. Maluco não costuma freqüentar banco, ou costuma? Na época o banco do ainda não era conveniado ao Governo do Estado, então era uma agência que estava sempre vazia... só enchia mesmo em época de bolsa, estágio, etc, e ainda assim eram funcionários, professores e alunos da UFBA, era bastante tranqüílo. Ni que eu estava lá entra um doido de primeira qualidade: roupa surrada, cabelo tão surrado quanto a roupa, cara de Seu Madruga, olheira e cheiros... já preparado para um possível ataque, me blindei: coloquei os óculos escuros, boné caindo na testa e aumentei o volume do som. Eis que vi um reboliço e parei pra ver (e melhor: ouvir). O doido gritava insandecido, “OU ME DÃO MEU DINHEIRO, OU VOU EMBORA DO PLANETA”. Ele não parava de repetir isso... o mais inusitado é que o sujeito tinha mesmo tutu no cofre do Banco do Brasil e teria de voltar na manhã seguinte... aí ele o tempo fechou “EU VOU EMBORA DESSE PLANETA!!!... E PORQUE É DOIS SOFÁS, E DEUS SÓ FAZ DUAS VEZES... EU VOU EMBORA DESSE PLANETA!!!... E PORQUE É DOIS SOFÁS, E DEUS SÓ FAZ DUAS VEZES...”... E saiu praguejando porta afora. Lembram que o BB levou um tempo que era “Banco da Maria”, “Banco de Marcos”... pois eu chamava de “Banco do Maluco”...

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Depois vem mais! A criatividade humana é infinita e eu tenho ouvidos afiados e uma boa memória...

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Arte baiana: um espetáculo para cadeiras e paredes

domingo, janeiro 06, 2008


Sim, este missivista da província está de volta... se até quem é morto aparece, porque os vivos também não podem?! Dirrube a praca de acidente de trabalho na sua empresa, patuléia! ZERO DIAS SEM ACIDENTE COM AFASTAMENTO!


Salvador é uma cidade interessante, torna-se ainda mais interessante durante a noite nos redutos de boêmios e artistas. Parece-me impressionante que em cada esquina que vai do Rio Vermelho ao Santo Antônio, todos (pelo menos a maioria) os artistas nas mais variadas espécies (atores, diretores de teatro, instrumentistas, cineastas, arte-educadores, vídeo-artistas, artistas plásticos, fotógrafos, publicitários, compositores, produtores) concebem idéias incríveis sobre temas quaisquer, entre uma bebida e outra, a luz do mais vago possível. Essas idéias têm níveis de complexidade alterados à medida que o teor alcoólico, ou nível de efeito de entorpecentes, aumenta e diminui. São filmes, espetáculos de teatro, exposições fotográficas, trabalho artístico em periferias, resgate da cultura popular (ou da famigerada cultura de raiz, UGH!), democratização da cultura (este então é um filão!). Trata-se, enfim de idéias revolucionárias que trarão, contudo, fama e fortuna para os realizadores e porventura trarão melhorias a vida de todos os envolvidos, saciando a “sede de cultura e arte que existe nessa cidade envolta às trevas que é Salvador” (acreditem, eu já ouvi isso! se não quiserem acreditar não acreditem, ué...)

Para aqueles que nunca experimentaram uma noitada em um reduto boêmio, recomendo em doses altas sem contra-indicações: é uma ótima terapia! No mínimo pode ser uma incursão etnográfica igualmente terapêutica...

Com o passar das horas, e a chegada do dia (seriam os artistas na verdade vampiros que vieram da Romênia pra Salvador?), estas idéias brilhantes voltam para o lugar de origem: as gavetas mentais. Ficam acumulando poeira por toda a vida. Algumas vezes elas são ressuscitadas, em outra mesa, em outro bar, talvez sim, talvez não ¬¬

Mas nem só de idéias que ficam em gavetas vive a noite baiana! Alguns artistas e/ou produtores conseguem converter estas idéias brilhantes em projetos de fino trato e extremo bom gosto, mas inevitavelmente, o destino destes projetos é uma gaveta, de outra natureza, já não é mais a mental, mas uma gaveta real, em um escritório ou em um quarto. Os motivos são inúmeros, mas o principal argumento é que não basta só uma boa idéia na cabeça, nem um bom projeto nas mãos, mas articulação política para obter financiamento.

Há ainda um terceiro tipo de criatura noturna, o nem sempre bem-vindo artista que tem uma idéia não tão brilhante, um projeto de gosto posto em xeque, e que realiza ações não tão fantásticas nem transformadoras. Ele não tem boas idéias, mas conhece os mecanismos de financiamento de projetos culturais (Leis de incentivo, editais, seleções públicas, prêmios) e patrocínio e é aquela pessoa que sabe fazer, obviamente é aquela pessoa que tem uma circulação em ambientes privilegiados ou muita, mas muita cara-de-pau. Em geral o argumento utilizado para criticar o trabalho deste último ser, o "homo espertus totalis", é a sempre duvidosa qualidade do trabalho. Seja lá o que for e quem qualifique o quê... afinal todos são críticos de arte, futebol e ciência política sem sequer ter estudado uma única linha a respeito e são exímios críticos.

No carnaval, por inzêmprio, fica claro (ou pelo menos para aqueles que trabalham na área ou têm alguma informação sobre as leis de incentivo) que alguns blocos foram financiados pela lei federal, o que é legalmente possível, mas eticamente questionável e inclusive coloca em xeque a função da lei e as prioridades (e olha que hoje essa lei é milhões de vezes mais acessível, mas que los hay los "homo espertus totalis"... ah, com certeza!). Os blocos vendem abadá e podem receber patrocínio direto, afinal o dinheiro público deve permancer público! Ou a inversão de valores pode? Os povo só quer saber dos cartões coorporativos... não tá bunito, não...

Na verdade o que eu costumo questionar vai um pouco além disso, porque querendo ou não, com ou sem interesse público, a cultura emprega bastante (e ainda está com uma capacidade subaproveitada), no entanto como é que se orientam os critérios de pagamento? Afinal, um show tem roadies, técnicos de som e luz, eletricistas, diretores de arte, de criação, produtores executivos e por fim os coordenadores. Qual o valor justo para pagar um profissional da cultura? Até que ponto o enriquecimento na área é perverso? Não penso apenas nos desvios de verba em projetos culturais, que todos nós sabemos que existe (como em qualquer outra área, je suis très désolé, muchachos). Me refiro ao serviço prestado, para quem é oferecido, se há necessidade, se há interesse (anterior ou posterior) público e, principalmente, se há competência por parte do realizador. Este pensamento leva a um diálogo (chato) entre as questões legais, morais e éticas (eterno...). Independente de uma prestação de contas errada (seeeei ¬¬) ou de um projeto cultural faraônico ou proporcionalmente faraônico, o que carece de um critério objetivo quanto ao pagamento dos envolvidos em acordo com o porte do projeto. E o que vemos é justamente uma disparidade imensa entre os eventos e projetos mega e os eventos mini, inclusive uma escala inversamente proporcional no pagamento de equipe. Como assim? Quanto maior o projeto menos se paga aos prestadores de serviços mais pesados (e muitas vezes fundamentais). Em projetos pequenos, como o orçamento deve ser otimizado, não dá pra um coordenador ganhar 10, 20 ou 50 vezes mais... enfim...

O absurdo relativismo e subjetivismo com o qual são lidados determinados projetos me ofendia muito, hoje eu relaxei e relativizo também... haha

Outro ponto que sempre escuto é as boas idéias não são venais e que mesmo não comprando sapato, não se pode andar sem poesia. Aí chegamos em um dilema tolo, ou melhor, um falso dilema... procuramos o vilão errado no lugar errado e evitamos qualquer possibilidade remota de um diálogo e partimos para a caça às bruxas... Bons produtores, qualidade artística versus bons negociantes. Situação cômoda da maior parte dos produtores (sejam eles do grupo dos excluídos ou não) ou aqueles os empregos de repartição pública (seja de natureza cultural ou não)... ficam nas repartições e pegam umas migalhas do governo em editais e seleções para fazer um filme para passar na sala de casa para os amigos ou enviar pelas listas de discussão a sua master piece...


Como se resolve o problema? Não sei, se eu soubesse já tinha resolvido e ficado rico com a solução. Hoje, com a coisa pública mais transparente e a prioridade para projetos culturais menores (que pagam mais em relação aos grandes), as coisas já estão melhores. No cenário local ainda encontramos aberrações (e vamos encontrar sempre...). O que acredito que pode contrbuir é a criação de um circuito organizado e sistematizado de produção e consumo de arte e cultura e a busca pela independência das leis de incentivo: cara e coroa

A mídia: o demônio encarnado; Os produtores: Van Hellsing ou Buffy?!

É curioso que neste processo de produção de arte e cultura, aém dos artistas e produtores, mais duas entidades desempenham um papel fundamental: os media e os públicos. "A mídia" opera sempre colocando os produtores como pessoas de índole duvidosa e que buscam vida fácil, seja em seus veículos de informação ou nos de entretenimento: haja vista o filme "The Producers" e, aqui no Brasil, a nossa querida novela "Celebridade". O produtor e "a mídia" travam batalhas homéricas, um sempre ataca o outro e sempre tenta proteger o (suposto) ser mais frágil: os públicos

O público: vilão ou vítima?

Sempre se recorre a ele; é a causa de tudo! Temido e amado, o público, ou melhor os públicos (seja na cultura, na política ou na comunicação) é o ser mais evocado e menos conhecido, salvo algumas raríssimas exceções. O público é sempre suposto, não se pode prever o público antes, não se pode saber com certeza se o livro x ou y será um sucesso de vendas, mas pode-se analisar o contexto no qual o livro é lançado, determinados quadros de recepção, valores, comunidades interpretativas etc. Contudo, o público-alvo nada mais é do que uma extensão do chamado leitor-modelo de uma obra ou do consumidor-modelo de um produto. Suposto, mas nunca previsto, classificado, mas nunca conhecido. Claro, as ferramentas de análise de públicos e mercados são bastante eficientes e apontam para alguns sintomas, sinais, mas não dão conta do público, uma vez que são movimentos pessoais dispersos enquadrados em uma unidade (i.e estão todos assistindo ao mesmo filme na mesma sala, com idades próximas e moram próximos). Daí no ponto de vista de alguns artistas e produtores chegamos ao ponto forte: é preciso educar o público para que ele tenha liberdade de escolha (que liberdade é essa eu não sei, mas tudo bem... eu sou meio burro!) e possa se livrar das menitras da mídia e das garras dos "homo espertus totalis" e possa consumir produtos culturais de qualidade. blé...


As (péssimas) escolhas do público

Claro que nem todo o público é vítima da "globo": alguns tem formação escolar completa, nível superior, mestrado, doutorado, pós-doc... moram em bairros centrais, possuem carro próprio e grana para consumir a vida cultural da cidade (eventos pagos e gratuitos), mas ainda esses fazem as mesmas escolhas (erradas) do público dito mais "frágil". Como isso se explica? Também não sei, se eu soubesse já tinha explicado e ficado rico! E aí voltamos para a...

A pedagogia da arte e cultura

A pedagogia da cultura me irrita muito! Primeiro porque os argumentos de determinados artistas diante da cultura de massa ou da cultura popular sempre saem do mesmo lugar e para ele retornam: o descaso com o público e o desrespeito com o público. Uma estratégia muito baixa para vilanizar os dois outros pilares do mercado cultural (público e os media) e assim isentar-se de efetivamente fazer um trabalho... ah, não vamos esquecer do governo que é sempre o culpado por todos os três... E lá vamos nós na ciranda da cultura... troca de farpas, vernissages, muitos abraços, beijos, bebidas e idéias, muitas idéias, muita cultura e muita elocubração!

Bom, acho que já falei demais por hoje... mas eu gosto deste assunto e não falei nada ainda... foram apenas pensamentos soltos que eu fui tentando colar...

No mais, prefiro deixar os pés no chão... as boas idéias, como já disse, são terapêuticas, sonhar é bom e não custa muito dinheiro!

Idéias não brotam nas árvores, nem se colhe banana plantando batata, já diz a sabedoria de Itaparica

Minha vida de trabalhador 1: O profissional multifacetado não é (tão) multifacetado assim

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Minha (ainda) parca experiência profissional foi muito divertida... apesar da pouca idade eu já trabalhei em ONG, empresa pequena, empresa grande, trabalhei sozinho, trabalhei com gente de tudo que é tipo: artista, capitalista, socialista, niilista, xiita, evangélico e candomblezeiro, gente honesta, picaretas, embromadores e loucos... O mais interessante é que em todos os casos o que eu mais vi foram pessoas com muita fé cênica, ou melhor, só fé cênica. Claro que eu também tive a (boa) sorte e encontrar pessoas que além a fé cênica tinham, efetivamente, alguma coisa a dizer, e o mais importante, alguma (ou muita) coisa relevante.
Em quase 4 anos de.... well er... hmmm... bom, 4 anos de carreira, mesmo... uma das coisas que eu achei mais engraçada foi que em muitos lugares por onde eu passei eu sempre ouvi conversas (e até participei de palestras e treinamentos) sobre a noção de inteligências múltiplas, inteligência emocional, profissional multicapacitado, multimídia, multiuso e por último, o fragmentado e o multifacetado. Tudo isso por quê estamos imersos em um suposto cenário global de aproximação e fragmentação dos sujeitos.

É tudo pós-moderno, pós-punk, pós-grunge, pós-indie e pós-cansei de ser sexy!

Posso estar enganado, é bem provável que eu esteja. Mas queiram me prestar a gentileza de seguir comigo este raciocínio. Vocês lembram quando as mães de vocês diziam para fazer uma coisa de cada vez? Ou quando o seu professor de física disse que dois corpos não ocupam o mesmo tempo e espaço em toooooodo o universo? O seu professor de física podia até não gostar muito de você, mas sua mãe devia gostar.. e quem ama não mente (blé?).

A desculpa de múltiplos apredndizados e múltiplas aptidões, derrubada de paredes em escritórios para "fazer com que as pessoas convivam, se ouçam e se vejam" (UGH!!!Meu estômago!!! Meus rins...) não passa de um modismo de uma corrente da administração (ou algum similar seu) que bebe na maravilhosa auto-ajuda, e pior, que justifica por exemplo a redução na contratação ou simplesmente no corte de funcionários. Fora que a onda do "faça-você-mesmo" é um saco... e ainda sustenta muito palestrante mundo afora.
É preciso ser multifacetado porque o mundo é fragmentado: as idéias, os fatos, a vida... e como não podemos dar conta de uma totalidade, ela é abordada em múltiplos ângulos. Bonito, não? NÃO! Tudo balela!

O fato é que o acúmulo de funções, além de ser cansativo, faz cair a produtividade... Mas a culpa não é de uma jornada de trabalho de 10 horas e com 4 funções, mas da fragmentação da comunicação, da cultura, do pensamento, da televisão, é da globo!

Eu sou careta! Fora com as multi/trans/inter/pluri/alfa&ômega... e vamos voltar a ser convencionais e meio fechados... porque é assim que nós somos... não me refiro às idéias, às posturas políticas e de como lidamos com valores partilhados socialmente, sobretudo quanto aos conceitos e pré-conceitos que todos temos. Acredito que as pessoas podem e devem fazer de tudo um pouco, até para entender o papel dos outros e localizar melhor seu espaço numa cadeia produtiva qualquer! Mas cada um de nós não desenvolve uma coisa melhor do que as outras (e do que as outras pessoas também) e, inclusive, vive disso!

Acredito até que as coisas andam fragmentadas e que a gente estuda vendo tv, ouvindo música, falando ao telefone... mas acredito também que estudar ouvindo música (bem como fazendo outra coisa qualquer) constitui uma experiência diferente de estudar apenas, mas são situações distintas.Todo o esforço feito pela mente é concentrar e focar para dar uma unidade ao fragmentado, impedindo que a musica e o estudo se anulem, tendo em vista realizar uma única atividade.

Portanto, o profissional multifacetado não passa de uma cruel extensão do exemplo supracitado: é um assessor de comunicação (ambientado noas novas tecnologias todas, sabe lidar com Corel, Photoshop, Page Maker, Excell), produtor executivo, recepcionista, bilheteiro e, conforme a necessidade, um técnico, motorista ou telefonista. Mas ele só pode ser uma coisa de cada vez, afinal ele é um só e um é um, dois é dois... um não pode ser dois (a não ser que Stephen Hawking me prove por a+b+delta). Tudo que este coitado tenta fazer é dar uma unidade lógica para o que faz, se não ele enlouquece.

Lembrem que tudo que fazemos remete ao ato de conferir unidade a situações dispersos.
Ler, por exemplo vem de "legere" (colher), alguns defendem que vem de "por junto". E é isso que fazemos quando lemos qualquer coisa: colocamos letras em ordem, colocamos palavras em ordem, identificamos idéias expressas e lhes conferimos significados.
Então porque as pessoas têm que ser multifacetadas? Bom, primeiro porque existe a nossa queria amiga, fogueira da vaidades... e dizer que é uma pessoa bombrill é algo que impõe respeito (para mim mesmo não impõe PN, mas nem todos são iguais a mim).

É bonitinho, mas é ordinário! Pule essa fogueira: seja um profissional arcaico!

Youtube Goodies: use com moderação...

segunda-feira, novembro 20, 2006

Alerta: cuidado com o que você vai ver...

Cinderela Baiana


Dunas do Abaeté: Carla Perez, a cientista política militante do PC do B, faz um emocionante discurso vestida de odalisca e coroa com a dança do Tchan... LINDO!!

sábado, novembro 18, 2006

em pontos de ônibus, filas de banco, andando pela rua, em lojas de departamento, há sempre diálogos muito interessantes... coloco alguns que eu coleciono ("traduzidos", inclusive)


- ni que a coisa aconteceu... [no que a coisa aconteceu...]

- você não tem cacique para falar isso comigo! [você não tem cacife para falar isso comigo!]

- não... não foi um acidente de grandes profissões, não... O motorista só feriu o superfilho esquerdo... [não... não foi um acidente de grandes proporções, não... O motorista só feriu o supercílio esquerdo... ]

- é isso aí e pronto final! [é isso aí e ponto final]

- no mímino no mímino... [no mínimo no mínimo...]

- Já comprou o aparelho de DDV? [Já comprou o aparelho de DVD?]

* DVD pode ser chamado também de "DDD"

- Ela cria os filhos cheia de filogamía! [sinceramente eu não sei o que "filogamia" quis dizer... imagino que seja filosofia, mas ainda assim não sei! Talvez seja "psicologia" ou "pedagogia"... ¬¬]


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depois eu posto mais!
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**** Há ainda aqueles pequenos desvios que chegam a irritar um pouco aos ouvidos de alguns mais exigentes (ou pela exigência dos que ouvem ou porquê são erros, de fato, crassos), como aquelas trocas sutis de vogais, inversão de sílabas ou tonicidades truncadas, enfim! Por inzêmprio, substituir direitor por diretor ou ainda a famigerada encicoplédia por enciclopédia... já a troca de consoantes não só não é muito irritante como sempre acaba soando engraçado. "Tenha cremência de mim", "craro que eu vou", "o menino tá tocando aquele tecrado insuportável o dia todo". Formas subliminares de dominação e poder?! Craro, Cróvis! Não que este seja meu norte, mas existe, sim, muito e não pouco... Se classifica quem são as pessoas (e se definem determinados papéis, determinadas formas de posicionamento) a partir da maneira que elas falam, inclusive afirmar que há um "português correto" e um, supostamente "incorreto"... eu só me divirto com as viagens...

Youtube goodies

Se você é um(a) verme de internet, ou simplemente faz parte daquela tribo dos que não tem o quê fazer e vão fuçar o que a rede oferece (blogs, flogs, vlogs, orkut, youtube etc), já deve ter ouvido falar em "Rivaldo, sai desse lago" e "Tônico com Guaraná": um é um vídeo hindu e outro, creio eu, ser árabe. Os clipes já são bem surreais, e mais surreal ainda foi a galera que legendou esses vídeos. coloco os links abaixo! Divirtam-se, meus caros leitores.


Rivaldo, sai desse lago



Tônico com Guaraná



Thriller (versão Bollywood)



O jardineiro é Jesus

por inzêmprio: notas de rodapé pra iscraricê!

Super Mário Bros é um jogo bem lisérgico: Mário e seu irmão Luiggi comem duas variedades de cogumelos e tomam uma estrelinha para ganhar força e velocidade... eles ainda são meio ripongos: acreditam no poder das flores para combater as forças opressoras! Fora que o mundo que eles vivem é bem psicodélico - as tartarugas voadoras que o digam ¬¬. Diga não as drogas, Mário!

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No último World Music Awards, Michael Jackson, conhecido também como Jack'o'Wacko, recebeu um daqueles prêmios de consolação por "contribuição excepcional à música" - um desses prêmios que se dá quando não há possibilidade de uma premiação real como "melhor cantor", "melhor album", enfim... aliás, há alguns anos ele vive ganhando prêmios dessa natureza, tá até meio acostumado, imagino - e iria fazer uma apresentação no dia da entrega. Especulava-se que o hit Thriller seria a grande atração da cerimônia e "a grande virada do King of Pop". Depois de uma hora e meia de atraso, para a surpresa de todos, ou quase todos - porque alguns, assim como este humilde jovem que aqui escreve essas tolas missivas eletrônicas, concordam que Jacko devia pedir licença pra cagar e sair de cena - um rapper adolescente apresentou Thriller e Jacko, por sua vez, apresentou... We are the world!!!... com coral e tudo! Um desastre total! Alguns fãs exigem até reembolso...
Contudo, a apresentação foi bem últi para que se percebessem algumas coisas: depois que vi um trecho da apresentação, entendi que o rei do pop faz parte daquela sociedade secreta mostrada no filme de humor negro A morte lhe cai bem: na tal seita, seus membros têm acesso a um elixir de beleza e juventude eternas, mas Michael, assim como as personagens de Goldie Hawn e Maryl Streep, deve ter sofrido algum acidente e morreu, porém vai ter que "viver" eternamente num corpo que se decompõe lentamente...

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O grupo de rock britnânico Keane apresentou uma novidade na atual turnê, um "pô-pô-ri" de músicas da cantora Christina Aguilera e do extinto grupo Destiny's Child, Dirrrrrrrrrty e Bootylicious, batizada pelo grupo como "drrrrtylicious"... agora durma com uma zuada dessa e ainda diga que dormiu tão bem que sonhou! tsc tsc

sexta-feira, novembro 17, 2006

FRASE (INFAME) DA SEMANA

Nunca vou tomar vergonha, afinal ela não é líquida... ¬¬

Sete Sóis, Sete Luas: Blimunda, Saramago e Portugal

quinta-feira, setembro 14, 2006

Pelas mãos de alice...

Blimunda, para quem não a conhece, é uma das mais famosas e emblemáticas personagens criada por José Saramago e protagonista do romance Memorial do Convento. Blimunda possuía o dom de ver o que estava encerrado dentro das pessoas, ela via as pessoas por dentro. Contudo era seu poder de ver as vontades que as pessoas trazem dentro si presas dentro de nuvens fechadas que conduz a história e que encanta o leitor.
A história do romance descreve, através dediversas alegorias, Portugal do século XVIII, o Império Decadente, mal administrado, e que apesar de todas as riquezas extraídas das colônias apresentava um quadro social conturbado, cidades sujas, sobretudo Lisboa, violentas, sem lei e um coroa que desconhecia ou ignorava essa situação, além de um povo que, por sua vez, era omisso e acomodado e se manteve sob-controle.
Antes de prosseguir e até chegar em Blimunda - o tema de hoje - é preciso que eu faça uma breve apresentação do contexto português que é o background do romance de Saramago.
Quando voltamos os olhos para a Península Ibérica e observemos com calma o nosso "país-irmão" que há mais de 500 anos, por acaso, nos achou (e não descobriu como se canta em verso e prosa) nos deparamos com um país de excentricidades, anomalias e contrastes, um país em vigora a regra do jeitinho.
Atualmente um dos principais problemas enfrentados pelos portugueses está relacionado ao ethos. Primeiramente porque não há um lugar que este país possa ocupar, conseqüência direta da imagem que os portugueses têm de si próprios e que o resto do mundo, principalmente os países da União Européia têm deles. Não se conhece a identidade portuguesa, há, ao invés disso, uma série de brumas e uma dificuldade na compreensão, não se sabe que país é aquele, porém, do outro lado, o português adota para si uma identidade toda embasada num passado (abstrato) de glória e não vê nisso problema algum - ele se conhece muito bem.
Nesse sentido este conflito acaba criando uma situação muito peculiar (o que é muito normal quando se refere à Portugal) que é a da hiperidentidade portuguesa, isto é, a identidade em excesso, a identidade fechada e (muito) bem definida, que não suscita problemas ou conflitos, não ha inquietação nem busca por soluções. Os próprios cidadãos construíram e ajudam a manter uma imagem de um país que vive à sombra do antigo império mercantilista, das quintas, das sardinhas, dos azeites, dos azuleijos, do fado, do vinho do porto, das grandes navegações, e, principalmente (e o mais preocupante) do sonho, da ilusão e do devaneio, o país dos mitos, das glórias, das derrotas e dos azares e frustrações históricas - a perda de reis, o domínio espanhol, a perda das colônias e, por fim a ditadura salazarista.
Quanto aos azáres, são eles, no imaginário do povo português e de teóricos como Eduardo Lourenço, autor de Nós e a Europa, os responsáveis pela atual e complicada situação social portuguesa.
Em segundo lugar, trata-se aqui de uma nação que define-se a si própria como semi-periférica, ampliando o problema de encontrar e ocupar um lugar de fala, um ethos. Ora, a priori, ou um país é centro ou ele é periférico, não havendo portanto um meio-termo, mesmo que no periférico haja, ainda, aquela ressalva eufemista de "país [periférico] em desenvolvimento". No caso específico de Portugal, a condição de "semi-periferia" se dá prioritariamente por sua localização geográfica, e também das inúmeras ajudas que o país recebe da União Européia. Há, de fato características de centro, como o elevado nível de consumo e baixíssimas taxas de desemprego, entretanto não se verifica a existência de um Estado de Providência (Wellfaire State), índices de violência elevados, e, apesar do nível de desemprego ser um dos menores, se não o menor, em toda Europa, os empregos são, na verdade, sub-empregos, ou seja, ganha-se muito pouco. Então, como um país cuja maioria dos empregos são na verdade sub-empregos, cujos índices de desenvolvimento humano mínimos e as taxas de migração elevadas (cerca de 12 a 15 milhões de portugueses vivem fora de portugal e mais de 11 milhões de estrangeiros vivem em Portugal, principalmente provenientes das ex-colônias), todas características de países periféricos, pode consumir como um país central como Inglaterra, França e Estados Unidos? Este é o primeiro contraste.
Percebe-se que a situação de Portugal é aquela que Bhabha conceitua como entre-lugar, o lugar do deslizante e marginal, o Outro, o desconhecido. O entre-lugar, ethos português, não é reconhecido pelo sistema mundial, entendido aqui como o mundo neoliberal e globalizado, porque a semi-periferia não existe de fato, portanto sua participação não é permitida. O que representa mais um entrave no seu possível desenvolvimento.
Na contra-mão desse raciocínio, o país reivindica um espaço, antes de tudo, privilegiado e não aceita o não-reconhecimento de sua gloriosa história como fator determinante para integrar o sistema mundial. O país está à espera de um grande acontecimento que devolva aos portugueses o posto de grande potência mundial. O povo português ainda espera um futuro glorioso como fora seu passado glorioso, de grandes feitos, espera um lugar que é seu por direito, o centro do sistema mundial.
O país foi capaz de produzir o melhor, mais bem elaborado e justo código de leis da Europa, que nunca foi aplicado. Os motivos são muitos, desde uma ausência de cultura democrática e republicana conseqüênte de uma História conduzida por regimes autoritários (desde as aristocracias à ditadura de Salazar), a não-indutrialização e uma burguesia constituída por ruralistas (como é o caso do Brasil, por exemplo) e que não estava, em princípio, desfavorecida pela classe aristocrática, portanto não havia a necessidade de questionar ou de buscar mudanças. Daí, talvez, o fato de que até hoje o país seja essencialmente rural e patriarcal. A própria conquista da democracia se deu por imposição, basta observar o modo de como aconteceu a Revolução dos Cravos, em 1974, feita por militares, um golpe do próprio golpe, e que conquistou muito pouco em se tratando de valores democráticos.
Em Nós e a Europa, Lourenço justifica toda a situação portuguesa atual como produto do revés histórico e argumenta que a perda das colônias não representou um problema porque a colonização buscou, desde o princípo, preparar e capacitar ou civilizar aqueles povos. Nesse sentido se justapõe o mito que acaba duplicado, daí a hiperidentidade.
Em geral, conforme as 11 teses que Boaventura Santos sugere em Pelas mãos de Alice, não por acaso o título porque ele sugere em primeiro lugar a perda da inocência e o prostar-se diante do espelho e reconhecer-se a si próprio, isso se dá por diversos motivos mas que o principal problema se dá não pelos azares históricos, mas pela má gestão do Estado. Cada uma das 11 teses refuta os pressupostos de Lourenço, mas o principal e conflitante contraste contestado por Santos é que, em Portugal, as ciências sociais, que devem dentre outras coisas compreender, ou auxiliar na compreensão, da dinâmica social, chegaram tardiamente, e de maneira inversa: as ciências socias começam pela psicanálise, a mais recente de todas. Portanto, em primeiro lugar não há o desenvolvimento de um método científico para as ciências sociais, porém o ponto central é que é impossível compreender uma nação a partir de um pressuposto psicanalítico, fundamentado no incosciente, além de ser impossível que se analise a si próprio, é preciso um olhar estrangeiro, o que mais uma vez duplica o mito, porque não há distanciamento.
O que Santos discorre em seutexto é que justamente, o país não fora injustiçado e que o país não está doente, não precisa ser tratado, mas enfrentar os problemas e abandonar um passado de glória que nunca existiu, o país não é ingorado pela Europa na contemporaneidade, mas desde o período assimilado pelos portugueses como áureo.
É justamente nesse viés que Saramago desenvolve Memorial do Convento. O romance é atemporal, embora saiba-se que o tempo, seja ele numa narrativa ou no dito "mundo real" é sempre bergsoniano, isto é, sempre uma contrução, é o tempo da sensação, o tempo pessoal e íntimo, em última instância. Atemporal porque mesmo se passando no século XVIII a realidade apresentada é da alta idade média, período da inquisição, do maior omínio da Igreja e de um estado dominado pelas "trevas". A história conta a construção do Convento de Mafra, contrapondo a rotina da coroa a da plebe, os sujeitos marginais à História, reprentada po Baltazar Sete-Sóis, Blimunda Sete-Luas e do Pe. Lourenço (referência de Saramago ao teórico Eduardo Lourenço), este último apesar de padre é cientista e inventor, além de quê ele abençoa a união de Baltazar e Blimunda, completamente fora dos padrões e das doutrinas da Igreja, portanto os três são sujeitos da contravenção. Lourenço era conhecido como "Padre Voador" porque ele inventara uma pequena máquina de voar e construía em segredo, com o apoio de el-rei, uma pássarola.
Para conseguir tal feito, o padre conta com a ajuda de Blimunda e Baltazar, todos sujeitos da contravenção e situados à margem da sociedade, completamente fora dos padrões comportamentais vigentes. É com o dom de Blimunda (o de ver por entre e por das coisas) e com a força de Baltazar que é construída a passárola.
O renomado e premiado autor "fez as pazes" com Portugal com este romance, hostilizado durante a ditadura salarista, esteve "omisso" até ser ele próprio uma das "vítimas do sistema" e acabar exilado do país.
A intensa crítica dos problemas portugueses e uma linha de raciocínio que converge com a de Boaventura Santos (de que os problemas, em Portugal, não são conseqüência de azáres históricos, mas de uma conturbada gestão do patrimônio do Estado). Percebe-se também o quanto estes problemas de ordem econômica incidem diretamente sobre a configuração das identidades, principal problema português: a falta de reconhecimento ou a duplicação dos mitos fundadores da nação.
Para maiores detalhes, em breve posto mais uma vez o artigo que escrevi sobre o assunto, com mais calma e mais detalhado. Até breve, meus caros leitores inisíveis.

Lucas