Se você é um(a) verme de internet, ou simplemente faz parte daquela tribo dos que não tem o quê fazer e vão fuçar o que a rede oferece (blogs, flogs, vlogs, orkut, youtube etc), já deve ter ouvido falar em "Rivaldo, sai desse lago" e "Tônico com Guaraná": um é um vídeo hindu e outro, creio eu, ser árabe. Os clipes já são bem surreais, e mais surreal ainda foi a galera que legendou esses vídeos. coloco os links abaixo! Divirtam-se, meus caros leitores.
Rivaldo, sai desse lago
Tônico com Guaraná
Thriller (versão Bollywood)
O jardineiro é Jesus
Youtube goodies
sábado, novembro 18, 2006
Elocubrado por Lucas às 5:43 AM 0 comentários
por inzêmprio: notas de rodapé pra iscraricê!
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No último World Music Awards, Michael Jackson, conhecido também como Jack'o'Wacko, recebeu um daqueles prêmios de consolação por "contribuição excepcional à música" - um desses prêmios que se dá quando não há possibilidade de uma premiação real como "melhor cantor", "melhor album", enfim... aliás, há alguns anos ele vive ganhando prêmios dessa natureza, tá até meio acostumado, imagino - e iria fazer uma apresentação no dia da entrega. Especulava-se que o hit Thriller seria a grande atração da cerimônia e "a grande virada do King of Pop". Depois de uma hora e meia de atraso, para a surpresa de todos, ou quase todos - porque alguns, assim como este humilde jovem que aqui escreve essas tolas missivas eletrônicas, concordam que Jacko devia pedir licença pra cagar e sair de cena - um rapper adolescente apresentou Thriller e Jacko, por sua vez, apresentou... We are the world!!!... com coral e tudo! Um desastre total! Alguns fãs exigem até reembolso...
Contudo, a apresentação foi bem últi para que se percebessem algumas coisas: depois que vi um trecho da apresentação, entendi que o rei do pop faz parte daquela sociedade secreta mostrada no filme de humor negro A morte lhe cai bem: na tal seita, seus membros têm acesso a um elixir de beleza e juventude eternas, mas Michael, assim como as personagens de Goldie Hawn e Maryl Streep, deve ter sofrido algum acidente e morreu, porém vai ter que "viver" eternamente num corpo que se decompõe lentamente...
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Elocubrado por Lucas às 4:19 AM 0 comentários
sexta-feira, novembro 17, 2006
FRASE (INFAME) DA SEMANA
Elocubrado por Lucas às 2:18 PM 1 comentários
Sete Sóis, Sete Luas: Blimunda, Saramago e Portugal
quinta-feira, setembro 14, 2006
Pelas mãos de alice...
Blimunda, para quem não a conhece, é uma das mais famosas e emblemáticas personagens criada por José Saramago e protagonista do romance Memorial do Convento. Blimunda possuía o dom de ver o que estava encerrado dentro das pessoas, ela via as pessoas por dentro. Contudo era seu poder de ver as vontades que as pessoas trazem dentro si presas dentro de nuvens fechadas que conduz a história e que encanta o leitor.
A história do romance descreve, através dediversas alegorias, Portugal do século XVIII, o Império Decadente, mal administrado, e que apesar de todas as riquezas extraídas das colônias apresentava um quadro social conturbado, cidades sujas, sobretudo Lisboa, violentas, sem lei e um coroa que desconhecia ou ignorava essa situação, além de um povo que, por sua vez, era omisso e acomodado e se manteve sob-controle.
Antes de prosseguir e até chegar em Blimunda - o tema de hoje - é preciso que eu faça uma breve apresentação do contexto português que é o background do romance de Saramago.
Quando voltamos os olhos para a Península Ibérica e observemos com calma o nosso "país-irmão" que há mais de 500 anos, por acaso, nos achou (e não descobriu como se canta em verso e prosa) nos deparamos com um país de excentricidades, anomalias e contrastes, um país em vigora a regra do jeitinho.
Atualmente um dos principais problemas enfrentados pelos portugueses está relacionado ao ethos. Primeiramente porque não há um lugar que este país possa ocupar, conseqüência direta da imagem que os portugueses têm de si próprios e que o resto do mundo, principalmente os países da União Européia têm deles. Não se conhece a identidade portuguesa, há, ao invés disso, uma série de brumas e uma dificuldade na compreensão, não se sabe que país é aquele, porém, do outro lado, o português adota para si uma identidade toda embasada num passado (abstrato) de glória e não vê nisso problema algum - ele se conhece muito bem.
Nesse sentido este conflito acaba criando uma situação muito peculiar (o que é muito normal quando se refere à Portugal) que é a da hiperidentidade portuguesa, isto é, a identidade em excesso, a identidade fechada e (muito) bem definida, que não suscita problemas ou conflitos, não ha inquietação nem busca por soluções. Os próprios cidadãos construíram e ajudam a manter uma imagem de um país que vive à sombra do antigo império mercantilista, das quintas, das sardinhas, dos azeites, dos azuleijos, do fado, do vinho do porto, das grandes navegações, e, principalmente (e o mais preocupante) do sonho, da ilusão e do devaneio, o país dos mitos, das glórias, das derrotas e dos azares e frustrações históricas - a perda de reis, o domínio espanhol, a perda das colônias e, por fim a ditadura salazarista.
Quanto aos azáres, são eles, no imaginário do povo português e de teóricos como Eduardo Lourenço, autor de Nós e a Europa, os responsáveis pela atual e complicada situação social portuguesa.
Em segundo lugar, trata-se aqui de uma nação que define-se a si própria como semi-periférica, ampliando o problema de encontrar e ocupar um lugar de fala, um ethos. Ora, a priori, ou um país é centro ou ele é periférico, não havendo portanto um meio-termo, mesmo que no periférico haja, ainda, aquela ressalva eufemista de "país [periférico] em desenvolvimento". No caso específico de Portugal, a condição de "semi-periferia" se dá prioritariamente por sua localização geográfica, e também das inúmeras ajudas que o país recebe da União Européia. Há, de fato características de centro, como o elevado nível de consumo e baixíssimas taxas de desemprego, entretanto não se verifica a existência de um Estado de Providência (Wellfaire State), índices de violência elevados, e, apesar do nível de desemprego ser um dos menores, se não o menor, em toda Europa, os empregos são, na verdade, sub-empregos, ou seja, ganha-se muito pouco. Então, como um país cuja maioria dos empregos são na verdade sub-empregos, cujos índices de desenvolvimento humano mínimos e as taxas de migração elevadas (cerca de 12 a 15 milhões de portugueses vivem fora de portugal e mais de 11 milhões de estrangeiros vivem em Portugal, principalmente provenientes das ex-colônias), todas características de países periféricos, pode consumir como um país central como Inglaterra, França e Estados Unidos? Este é o primeiro contraste.
Percebe-se que a situação de Portugal é aquela que Bhabha conceitua como entre-lugar, o lugar do deslizante e marginal, o Outro, o desconhecido. O entre-lugar, ethos português, não é reconhecido pelo sistema mundial, entendido aqui como o mundo neoliberal e globalizado, porque a semi-periferia não existe de fato, portanto sua participação não é permitida. O que representa mais um entrave no seu possível desenvolvimento.
Na contra-mão desse raciocínio, o país reivindica um espaço, antes de tudo, privilegiado e não aceita o não-reconhecimento de sua gloriosa história como fator determinante para integrar o sistema mundial. O país está à espera de um grande acontecimento que devolva aos portugueses o posto de grande potência mundial. O povo português ainda espera um futuro glorioso como fora seu passado glorioso, de grandes feitos, espera um lugar que é seu por direito, o centro do sistema mundial.
O país foi capaz de produzir o melhor, mais bem elaborado e justo código de leis da Europa, que nunca foi aplicado. Os motivos são muitos, desde uma ausência de cultura democrática e republicana conseqüênte de uma História conduzida por regimes autoritários (desde as aristocracias à ditadura de Salazar), a não-indutrialização e uma burguesia constituída por ruralistas (como é o caso do Brasil, por exemplo) e que não estava, em princípio, desfavorecida pela classe aristocrática, portanto não havia a necessidade de questionar ou de buscar mudanças. Daí, talvez, o fato de que até hoje o país seja essencialmente rural e patriarcal. A própria conquista da democracia se deu por imposição, basta observar o modo de como aconteceu a Revolução dos Cravos, em 1974, feita por militares, um golpe do próprio golpe, e que conquistou muito pouco em se tratando de valores democráticos.
Em Nós e a Europa, Lourenço justifica toda a situação portuguesa atual como produto do revés histórico e argumenta que a perda das colônias não representou um problema porque a colonização buscou, desde o princípo, preparar e capacitar ou civilizar aqueles povos. Nesse sentido se justapõe o mito que acaba duplicado, daí a hiperidentidade.
Em geral, conforme as 11 teses que Boaventura Santos sugere em Pelas mãos de Alice, não por acaso o título porque ele sugere em primeiro lugar a perda da inocência e o prostar-se diante do espelho e reconhecer-se a si próprio, isso se dá por diversos motivos mas que o principal problema se dá não pelos azares históricos, mas pela má gestão do Estado. Cada uma das 11 teses refuta os pressupostos de Lourenço, mas o principal e conflitante contraste contestado por Santos é que, em Portugal, as ciências sociais, que devem dentre outras coisas compreender, ou auxiliar na compreensão, da dinâmica social, chegaram tardiamente, e de maneira inversa: as ciências socias começam pela psicanálise, a mais recente de todas. Portanto, em primeiro lugar não há o desenvolvimento de um método científico para as ciências sociais, porém o ponto central é que é impossível compreender uma nação a partir de um pressuposto psicanalítico, fundamentado no incosciente, além de ser impossível que se analise a si próprio, é preciso um olhar estrangeiro, o que mais uma vez duplica o mito, porque não há distanciamento.
O que Santos discorre em seutexto é que justamente, o país não fora injustiçado e que o país não está doente, não precisa ser tratado, mas enfrentar os problemas e abandonar um passado de glória que nunca existiu, o país não é ingorado pela Europa na contemporaneidade, mas desde o período assimilado pelos portugueses como áureo.
É justamente nesse viés que Saramago desenvolve Memorial do Convento. O romance é atemporal, embora saiba-se que o tempo, seja ele numa narrativa ou no dito "mundo real" é sempre bergsoniano, isto é, sempre uma contrução, é o tempo da sensação, o tempo pessoal e íntimo, em última instância. Atemporal porque mesmo se passando no século XVIII a realidade apresentada é da alta idade média, período da inquisição, do maior omínio da Igreja e de um estado dominado pelas "trevas". A história conta a construção do Convento de Mafra, contrapondo a rotina da coroa a da plebe, os sujeitos marginais à História, reprentada po Baltazar Sete-Sóis, Blimunda Sete-Luas e do Pe. Lourenço (referência de Saramago ao teórico Eduardo Lourenço), este último apesar de padre é cientista e inventor, além de quê ele abençoa a união de Baltazar e Blimunda, completamente fora dos padrões e das doutrinas da Igreja, portanto os três são sujeitos da contravenção. Lourenço era conhecido como "Padre Voador" porque ele inventara uma pequena máquina de voar e construía em segredo, com o apoio de el-rei, uma pássarola.
Para conseguir tal feito, o padre conta com a ajuda de Blimunda e Baltazar, todos sujeitos da contravenção e situados à margem da sociedade, completamente fora dos padrões comportamentais vigentes. É com o dom de Blimunda (o de ver por entre e por das coisas) e com a força de Baltazar que é construída a passárola.
O renomado e premiado autor "fez as pazes" com Portugal com este romance, hostilizado durante a ditadura salarista, esteve "omisso" até ser ele próprio uma das "vítimas do sistema" e acabar exilado do país.
A intensa crítica dos problemas portugueses e uma linha de raciocínio que converge com a de Boaventura Santos (de que os problemas, em Portugal, não são conseqüência de azáres históricos, mas de uma conturbada gestão do patrimônio do Estado). Percebe-se também o quanto estes problemas de ordem econômica incidem diretamente sobre a configuração das identidades, principal problema português: a falta de reconhecimento ou a duplicação dos mitos fundadores da nação.
Para maiores detalhes, em breve posto mais uma vez o artigo que escrevi sobre o assunto, com mais calma e mais detalhado. Até breve, meus caros leitores inisíveis.
Lucas
Elocubrado por Lucas às 4:33 PM 3 comentários
Dica de site
sexta-feira, junho 23, 2006
O site Share! (http://www.51mpc.com/share.htm) tem alguns milhares de discos disponíveis para download... é bem eclético, devo afirmar, desde Tom Jobim até Def Leppard... bom, tem muito lixo, mas se você for como eu e tiver paciência, há de achar alguma coisa.
Elocubrado por Lucas às 9:41 PM 0 comentários
Tendra miedo...
Achei essa no Terra Tecnologia...
Gorro eletrônico permite mover PC com pensamento
Usando um gorro eletrônico, o cientista austríaco Peter Brunner olha fixamente para a tela de um computador portátil e aí, sem nem mesmo pestanejar, começa a compor, letra a letra, uma mensagem que aparece em uma tela gigante acima de sua cabeça. "O-L-Á", escreve, usando apenas o poder do pensamento, surpreendendo o público presente: cientistas e curiosos reunidos em Paris por ocasião da segunda edição do salão de Pesquisa e Inovação.
Peter Brunner e dois de seus colegas do centro público de pesquisas de Wadsworth (em Nova York) puseram à prova na capital francesa uma nova forma de comunicação entre cérebro e computador. Graças às dezenas de eletrodos inseridos no gorro eletrônico, este assombroso equipamento capta sinais elétricos emitidos pelo cérebro e os digitaliza para que o computador seja capaz de traduzi-los.
Sem intervenção de nervos ou músculos, a interface "oferece uma possibilidade de comunicação e de autonomia para as pessoas que sofrem paralisias totais" e que não podem nem falar, nem se movimentar, explicou Eric Sellers, outro cientista do centro de Wadsworth. Os cientistas trabalham há 20 anos na conversão do pensamento em ação, mas só agora conseguiram, quando a tecnologia começa a sair dos laboratórios para se tornar em aparelhos em serviço ao homem.
De agora em adiante, o poder da mente sobre a matéria não vai pertencer de forma exclusiva ao circo ou à ficção científica, com seus "quase magos" capazes de torcer colheres só com o olhar. Com esta nova forma de comunicação cérebro-computador será possível melhorar consideravelmente a qualidade de vida de 100 milhões de pacientes no mundo, 16 milhões dos quais são vítimas de paralisia cerebral e pelo menos cinco milhões mais com ruptura da medula espinhal, antecipou o doutor Sellers. Além disso, 10 milhões de pessoas também sofrem de paralisia total depois de um acidente vascular cerebral, informou.
As aplicações possíveis da nova invenção vão mais além da escrita: só é uma questão de tempo para que a tecnologia seja utilizada para guiar cadeiras de rodas, previu Sellers. "Já somos capazes de fazê-los. Mas o problema é complexo e, por enquanto, não seria muito certo", acrescentou. O terror do aprisionamento de uma mente lúcida em um corpo paralisado foi cruamente retratado no fim dos anos 1990 pelo jornalista francês Jean-Dominique Bauby em suas memórias "O Escafandro e a Borboleta", ditadas através de piscadelas com seu olho esquerdo.
O sistema implantado em Wadsworth se baseia no algoritmo que analisa as ondas emitidas pelo cérebro, como em um eletroencefalograma, e marca os picos de intensidade correspondentes a esforços mentais definidos. Quando o doutor Brunner se concentra para escrever o "F" de "folha", ele fixa sobre a tela uma fileira de letras e símbolos, iluminados rapidamente e de forma aleatória.
Cada vez que uma fileira, vertical ou horizontal, contém a letra "H", seu cérebro emite um sinal ligeiramente mais forte. O computador precisa de 15 segundos para determinar a letra vislumbrada, mas os resultados melhoram com a prática. Um neurobiólogo americano de 48 anos, vítima da doença de Charcot - uma enfermidade degenerativa das células nervosas - pode continuar trabalhando graças a este programa, apesar de não conseguir nem mover os olhos.
fonte: Terra Tecnologia
Elocubrado por Lucas às 9:39 PM 0 comentários
Vídeos da Turnê "Universo Particular"
quarta-feira, junho 21, 2006
O youtube realmente veio revolucionar, meus caros leitores (e não-leitores também, por quê não?!)!
Este missivista traz para os senhores alguns links para vídeos da nova turnê da Marisa Monte (aquela cantora cheia de "misâncene", lembra?!). Os vídeos são bacanas e bem filmados, dentro do possível, é lógico, são filmes amadores, aliás, pelo que vi, o show também é bacana, confira você mesmo, já que tão cedo ela não se apresenta aqui para a patuléia provinciana, a chusma nem sempre é lembrada, meus estimados senhores... E aproveitando o embalo de Marisa Monte, até sábado, devo deixar aqui pra vocês o áudio de um show completo do show Verde Anil e Amarelo Cor de Rosa e Carvão (1998), este, sim, é bem raro, descobri recentemente no emule.
Velha Infância (Ao vivo em São Paulo)
Segue o Seco (Curitiba)
Maria de Verdade (Curitiba)
Satisfeito (Curitiba)
Pra ser sincero (Curitiba)
Carnavália (Curitiba)
Meu Canário (Curitiba)
Alta Noite (Curitiba)
Não é Proíbido (Inédita)
Eu não sou da sua rua
Vai saber
Pra mais ninguém
Final de Velha Infância (São Paulo)
Não Vá embora (Bis) - (São Paulo) - Com fã invadindo o palco e pedindo "Bem Que Se Quis", hilário é pouco!
Elocubrado por Lucas às 10:14 PM 0 comentários
Dona Bethânia completa 60 anos
segunda-feira, junho 19, 2006
A cantora Maria Bethânia completa 60 anos, recebe o título de cidadã soteropolitana e tem toda a sua discografia relançada pelas suas antigas gravadoras numa iniciativa pioneira no Brasil, prepara novo CD e DVD cujo tema gira em torno da paixão que é nutrida pela água, além do lançamento do documentário "Música é Perfume" em vídeo.
A cantora que se converteu em entidade da cultura brasileira e, sobretudo, baiana - a Oyá-Bethânia, conseguiu a proeza de depois de mais de 40 anos de carreira manter o frescor do início atrelado a maturidade que só mesmo o "tempo, tempo, tempo, tempo" consegue conferir: a voz está mais mansa, a performance continua forte, contudo mais serena, muitas músicas se inventam e se reinventam. A atualização do trabalho é para muitos um dos pontos negativos de sua carreira, contudo este missivista da província da Bahia não só não vê problema como acha imprescindível revisitar e reinventar a vida. Já disse Borges que mais importante que ler é reler. Mais importante que fazer, então, é desfazer e refazer, e que a cantora apresenta na música "Nossos Momentos" ("A força que se espalha de alguns movimentos/ que sei desfazer refazer"). Agora é possível para muitos admiradores da música pop brasileira uma das raras oportunidades de conhecer e completar a discografia de uma cantora que partiu de musa da contra-cultura e da performance inovadora, forte e teatral que misturava, ainda, o kitsch ao cult, da andorginia e do sincretismo religioso, até o posto de grande ícone da música pop brasileira.
Hoje não vou colocar disco para download, estou sem tempo para fazer upload, mas deixo uma letra de um música composta por Wally Salomão, o grande poeta, e que me faz muita falta, e Caetano Veloso, que dispensa comentários, gravada por Bethânia em 1992 no disco homônimo, gravado e lançado, inclusive, a contra-gosto da gravadora num esquema meio independente.
Olho D'água
Por entre avenca feto e taquara-poca
No seio limo da mata ciliar
Corre arregalada a matéria prima essencial
O vero olho da terra é um cristal d'água
E não há no reino mineral
Nehnhum poder de terra que estanque
O jorro das gotinhas
Rasgando as entranhas da terra
Sedentas por ver o sol
Sedentas por ver o sol
Sedentas por ver o sol
Secas por vê-lo
Dourar o vale e a serra
Pupila iris pálpebra retina
Há se este olho d'água
Filtrasse a sentina do mundo e da minha alma
E o nojo e a lama lavasse
E o ecopagão aos meus ouvidos recordasse
Qque o olho pro onde eu vejo Deus
É o mesmo olho por onde ele me vê
Por fim, fica uma frase que Wally e Caetano fazem referência na música.
Mais material filosófico para você pensar quando do seu ócio.
O olho com o qual vejo Deus
é o olho com o qual Ele me vê
(Meister Eckhart)
Elocubrado por Lucas às 10:26 PM 0 comentários
domingo, junho 18, 2006
Este missivista está de luto e profundamente abalado com a repentina partida do humorista Bussunda. Estou, literalmente, sem graça!
Elocubrado por Lucas às 10:06 AM 0 comentários
Um pouco sobre democracia
quinta-feira, junho 01, 2006
Bom, estimados senhores, este texto que vos apresento foi escrito por mim enquanto tentava responder uma das inquietações do meu curso de comunicação e polítca da Faculdade de Comunicação da UFBA ministrado pelo professor Wilson Gomes. Trata-se de uma tentativa de resposta a uma pergunta feita em sala, na última terça-feira, mas não sei se de fato respondi ou se terminei por encontrar mais e maiores dúvidas e inquietações. No mais fica aqui para compartilhar as dúvidas, inquietações e incertezas.
Um governo democrático pressupõe, ao contrário de um regime de natureza autoritária, que haja prestação de contas acerca da coisa pública, isto é do bem comum, bem de todos os membros da comunidade (seja uma cidade, estado ou nação), porquê enquanto neste há súditos, naquele há sujeitos, sujeitos que autorizam a tomada de decisões e execução do governo, seja na questão administrativa ou no âmbito legal, enquanto na aristocracia a priori não há a menor possibilidade de interferência do povo, o Estado é autônomo e é sua autonomia que produz as leis. O poder político, então, emerge do próprio povo, e não decorre de uma escolha divina, ou do mero direito natural, portanto é no conceito de democracia que se incide a idéia de soberania popular, haja vista que se todo poder emana do povo, é o povo quem controla seu próprio destino, tornando a esfera de decisão política mais próxima da esfera civil.
Enquanto na aristocracia as decisões tomadas são veladas, na democracia elas devem ser desveladas, e devem ser resultado da prática da razão, do discurso e do confronto de idéias, do debate público, na esfera de visibilidade pública – representada na contemporaneidade pelos media – sendo que a decisão final a ser tomada se constitui como um resultado desse debate, das concessões, das negociações e retaliações, do convencimento, preservando a vontade da maioria, contudo preservando também a oportunidade da minoria – compreendida aqui como minoria política e não demográfica – que também por meio da retórica pode converter-se em maioria política.
Um governo democrático deve ainda preservar o indivíduo do Estado e da própria sociedade, deve libertar, proteger e permitir Democracia possibilidade de fala, mesmo que sua voz seja dissonante (a liberdade de imprensa, proibição da censura prévia etc).
Porém, quem constitui os membros da esfera de decisão política? Basicamente há dois tipos de democracia: a) democracia direta, e b) democracia representativa. O primeiro supõe uma intensa participação de todos os concernidos na tomada de qualquer decisão e uma espécie de assembléia constante, sugerindo portanto uma participação compulsória e de certa forma infringindo uma das premissas democráticas que é liberdade de escolha, participa da EDP quem quer, quando quer. O segundo se caracteriza pela delegação, pela entrega das cotas de poder feita pelo cidadão para que outro represente seu interesse. A democracia representativa pode ser compreendida também em dois “subgrupos” , o da democracia de base ou republicanista, que se entende como uma democracia “de base” na qual os sujeitos de direito passam a tentar resolver seus próprios problemas, ou melhor, tendem a tornar privados pequenos problemas públicos. O republicanismo, devido a sua origem liberal, daí a tendência a minimizar a influência do Estado, também está relacionado à idéia de soberania, aos bens comuns, às virtudes cívicas, à convivência em comunidade, na organização de redes de relacionamento para melhorar as condições de vida sem o auxílio direto do Estado. Já a democracia de esquerda é um viés teórico das esquerdas européias e relaciona diretamente o regime de governo ao sistema econômico, e uma possível relação incestuosa entre ambos, considerando a democracia como um democracia de classes e está fundamentada em três princípios: a mobilização, conscientização e organização.
Este quadro, brevemente apresentado, compõe um imaginário da democracia contemporânea.
Sabe-se que a democracia como a conhecemos hodiernamente têm suas bases no final do século XIX e metade do século XX, com as lutas das classes operárias e pelo movimento do sufragismo universal, principalmente. Isso porquê o pressuposto da oportunidade da fala dissonante, que preserva as minorias, e o princípio de igualdade de todos perante a lei na gênese da democracia, ou seja no século XVIII, era exercida por poucos, por homens, liberais, a partir de uma determinada idade, com um dado nível social e intelectual, privando mulheres e operários por exemplo de participar do jogo político e das decisões políticas, tornando um direito na verdade um privilégio.
Como o imaginário costuma ser mais forte do que as práticas, e os temas da igualdade e da soberania popular ali se encontram, foi uma questão de tempo para que se questionasse a prática, e como essas pessoas estavam excluídas do debate político lhes restou apenas a opção pelas ações reivindicatórias em busca do Estado de Direitos: greves, passeatas, manifestações diversas, no intuito de pautar esses novos interesses nas esferas de visibilidade pública e esfera de decisão política e tornar a democracia algo mais justo.
É nesse bojo que surge na contemporaneidade um conjunto de idéias errôneas e pequenas falácias entorno da democracia e usos metafóricos do termo atrelado ao modelo democrático da esquerda (sobretudo a esquerda mais radical), que ignora princípios como pluralismo, diversidade e características do jogo político como a negociação, conflito, competição e cooperação e ainda se atém ao modelo reivindicatório de conflito de classe e de busca pela hegemonia.
Em primeiro lugar a palavra democracia, depois de quase meio século de regimes autoritários, virou sinônimo de justiça e altamente legitimado: é preciso democratizar o ensino, democratizar o emprego, os meios de produção, porque democracia é sinônimo de justiça, sobretudo de justiça social. Será mesmo?
Democracia é um regime de governo, não se deve esquecer disso, se aplica uma característica democrática (a igualdade em oportunidades) para diversos assuntos que a priori não pertencem ao campo, podem até ser concernidos, mas não influem de maneira direta. Por exemplo, uma ocupação das Forças Armadas em um morro do Rio de Janeiro fere a democracia? A violência implica em anti-democracia? As forças armadas são legítimas quando feitas pelo Estado no intuito de proteger-se a si e ao conjunto de cidadãos, nesse sentido o Estado monopoliza a força impedindo que um cidadão machuque outro, por exemplo.
Segundo porque a democracia é o regime das vontades, e da vontade da maioria, é nisso que ela se diferencia do autoritarismo, porque neste sistema a vontade que importa é a vontade do Príncipe, portanto a vontade da maioria nem sempre será justa.
Ainda, o iegal não significa anti-democrático. O democrático é o Estado e suas instâncias e tudo aquilo que se relaciona à república, ao bem de todos. Embora se saiba que o estado de direito nunca é de 100%, ainda existem sujeitos à margem, ainda há a voz dissonante, outrossim em todos os segmentos sociais, uma vez que a vida social não é uma prática agélica, bem como a política também não o é. A justiça fica a cargo de um poder específico, o judiciário, que aplica e fiscaliza a aplicação das leis.
Elocubrado por Lucas às 5:19 PM 2 comentários